Chapter Text
Todas as vezes que Kirishima olhava sua coleção de Crocs, seu rosto iluminava-se. Ele sabia que suas Crocs vermelhas da sorte seriam essenciais para o sucesso daquele dia, e, certamente, cairiam muito bem com seu terno verde-limão.
Buscou a pasta no meio da bagunça de seu quarto. A última compra no brechó havia sido ontem e não dera conta de guardar tantas roupas, afinal, mesmo com a falta de dinheiro, no brechó, cada centavo valia a pena. E não eram muitos.
Pegou o elevador, apressado. Kaminari disse que tinha a vaga certa para ele devido a experiência vasta em secretariado. Ele não sabia o motivo dos risinhos contidos do amigo ao oferecer-lhe o trabalho, mas qualquer emprego serviria naquele momento, após gastar uma quantia enorme com sua especialização no exterior. Sabia que quando voltasse a Nova York, a cidade ainda estaria de braços abertos para ele.
O terno chamativo e colorido, obviamente, não combinava nada com o dia frio e chuvoso. Muito menos com seus cabelos vermelhos que apenas casavam com suas Crocs. Mas Kirishima achava seu visual único. E realmente era. Inesquecível para todos que olhassem. E ele realmente orgulhava-se de ter feito tão boas escolhas. Nada poderia pará-lo. Colocou sua música tema favorita para ouvir nos fones de ouvido: Stayin’ Alive.
Seus pés se moviam conforme a música, seus dedos estalavam de acordo com o ritmo e algumas vezes, até estendia seu dedo como se vê nos filmes de dança dos anos 80. Tudo parecia ir muito bem. Logo estava diante do enorme prédio onde residia a sede da revista U.A, a qual Kirishima nunca havia ouvido falar.
Mas nem seu ânimo o ajudou a escapar do grande banho de lama dado por um ônibus que passou rente demais à calçada. Seu visual milimetricamente ajustado estava arruinado. Mas o ruivo era duro na queda. Indestrutível. Entrou no prédio mesmo ameaçado pelo segurança. Aquele emprego era dele. Nada o tiraria dali.
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- Só pode ser brincadeira… O departamento de pessoal está me pregando uma peça.
Disse um jovem de cabelos verdes e macios.
- Ao que se refere, senhor? Fui indicado para…
Kirishima abriu sua pasta, e leu a anotação.
- U.A Fashion, com o senhor Midoriya Izuku. É o senhor?
- Queria que não fosse...
Respondeu Midoriya de forma dramática.
- Desculpe pelo estado de minha roupa. Infelizmente meu visual foi totalmente estragado pelo banho de lama que tomei na frente do prédio.
“Pelo menos a lama está combinando com a roupa…”
Pensou o jovem, mas preferiu manter seus pensamentos para si.
- Ao menos você foi pontual. Kacchan preza muito por pontualidade.
- Kacchan?
Midoriya levanta-se como se tentasse impedir um desastre.
- SHIIII. Se ele te ouvir, já era. Ele odeia ser chamado assim.
- Então por que você…
- Não vem ao caso, está bem?
- Mas o senhor não me explicou quem é esse… “Kacchan”.
Eijirou fez o sinal das aspas com os dedos.
- Katsuki Bakugou é simplesmente o maior editor de moda da atualidade! Como você nunca ouviu falar dele?
Falou Midoriya com certa admiração.
- Então vamos nos dar muito bem! Eu entendo tudo de moda!
Respondeu o ruivo de forma positiva.
- Deixemos que ele julgue isso… Agora aprume-se.
- Ok…
Kirishima achava aquilo tudo muito estranho, entretanto, um emprego era um emprego, e se alguém poderia fazer aquilo, esse alguém era ele.
“DEKUUUUUU”
O secretário ouviu o grito vindo da sala do chefe e levantou em um pulo.
- Venha comigo e tente não falar bobagem na frente do Kacchan.
Os dois foram em direção à porta de vidro fosco e quando ela foi aberta, deu margem ao escritório enorme. Bakugou estava completamente imerso em sua xícara de café e nas anotações e sobreposições que montava sobre a mesa.
- Deku, a porra da entrevista com o assistente novo não era hoje? Eu preciso que você vá buscar aquelas amostras que enviaram e verifique como está a minha agenda pro dia 17. Tenho uma viagem importante e não quero perder tempo com aqueles idiotas. E na volta, traz um café.
O secretário anotava tudo com a maior agilidade que podia.
- Vai ficar calado, Deku?
Katsuki levantou os olhos e encarou as duas figuras à sua frente.
- Mas que... PORRA... É essa?
- Deixe-me apresentar! Seu Kacchan, sou Eijirou Kirishima e eu vim para a entrevista. Esse aqui é o meu currículo, mas você já deve estar ciente. Se quiser, começo hoje mesmo. Sei que iremos nos entender muito bem. Eu também adoro moda!
Izuku sentiu sua espinha gelar ao ouvir o novato chamando Bakugou pelo apelido. A veia saltitante na testa do editor era visível. Esse passou a mão sobre o rosto, tentando se acalmar e Kirishima sorria como se tivesse certeza que a vaga era sua.
- E esse terno verde é devido à ocasião?
- Tenho que me vestir para impressionar o chefe. Peço desculpas pela lama, não pude evitar. Mas posso provar que sou o mais competente que há para o cargo.
Sentindo que o editor iria explodir, o secretário cochichou algumas palavras em seu ouvido.
- Vamos testar sua lendária competência agora mesmo. Todas as tarefas que dei ao Deku, agora são suas. Você tem 30 minutos e não me incomode com perguntas.
Izuku puxou Eijirou pelo braço até fora da sala. Antes que a porta fosse completamente fechada, o novato falou:
- Nossa, mas ele é muito másculo!
Izuku pode ver o olhar do editor pela última brecha, mas esse olhar ele não conseguira decifrar.
- Olha, eu não sei porque, mas o Kacchan decidiu te dar uma chance. Deve ser porque só nos últimos 15 dias ele tentou contratar 5 assistentes sem sucesso. A maioria saiu chorando na primeira conversa.
- Então o assistente tem que ser alguém tão resistente quanto eu!
Falou apontando o polegar para si.
- Essas amostras que ele quer não ficam muito longe daqui. Esse é o endereço. E o café dele, bem, é o expresso, extra forte, orgânico, 500 mL. A cafeteria é aqui embaixo. A agenda dele está aqui. Você não vai anotar nada?
Kirishima admirou o gordo caderno cheio de stickers, marcações e post-its que Midoriya cultivava com tanto cuidado. Aquela agenda era loucura. A deixaria por último.
- Minha memória é muito boa. Volto o mais rápido que puder!
Kirishima saiu correndo para o elevador, repassando suas tarefas na mente e calculando como poderia maximizar sua eficiência. Desceu, procurou a rota mais rápida até o ateliê no qual buscaria as amostras. Nem precisaria pegar o metrô, correr seria mais rápido.
Ao chegar no local, apresentou-se como assistente de Bakugou e recebeu olhares de estranhamento, entretanto, não tinha tempo para aquilo. Passou na cafeteria mais próxima à sede da revista, a fim de não permitir que o café esfriasse.
Já de volta ao escritório, Eijirou tomou em mãos a agenda de Bakugou, que mais parecia um livro, e revisou os compromissos do dia 17, memorizando cada um com afinco.
- Estou realmente impressionado, você conseguiu fazer tudo em 26 minutos! Isso certamente vai agradar ao Kacchan. Sobre a agenda, avise que Todoroki irá recebê-lo na USS. E POR FAVOR, NÃO O CHAME DE KACCHAN.
O outro acenou bateu na porta e adentrou a sala de Katsuki com o café em mãos. O loiro olhou para o relógio em seu pulso e deu um pequeno sorriso de canto de boca, o qual Kirishima não teve tempo de notar.
- Senhor Katsuki, aqui está seu café. Dia 17 o senhor tem uma reunião com a United States of Smash, entretanto, será Todoroki ao recebê-lo e não o Sr. All Might. Recomendo que tome um carro na saída, assim terá tempo de chegar ao aeroporto. Me certificarei de fazer seu Check-in online para que a estadia no hotel seja mais agradável.
Bakugou, sem nem olhá-lo, sinalizou para que saísse da sala. O sorriso orgulhoso de Kirishima murchou naquele mesmo instante. A vaga não era dele. Mas tinha se esforçado tanto! Comprou o terno justamente para aquela ocasião. Realmente ele não era tão bom assim. Recolheu a pasta e rastejou até a saída. Tinha gostado do ambiente e do colega assistente de cabelos verdes. Mas era raro que não gostasse de alguma coisa.
Quando estava para passar da roleta, Midoriya o gritou.
- Ô pequena sereia, para onde você tá indo? O tritão te contratou! Bora assinar os papéis!
Kirishima correu e abraçou Izuku, levantando-o.
- É meu? Mas ele nem me olhou.
- Se ele não gritou com você, está tudo certo. Onde você comprou esse terno tão… Exótico.
- Gostou? Foi 5 dólares. Comprei em um brechó ontem. Foi um achado! E ficaria ótimo com as minhas crocs vermelhas da sorte.
- Tenta não usar muito essas crocs.
- Eu posso usar de outras cores. Tenho quase todas. Inclusive a furta-cor, para ocasiões especiais.
Respondeu piscando um dos olhos.
O assistente não soube reagir. Apenas concordou com a cabeça. Talvez trabalhar na revista trouxesse algum senso de moda para o outro.
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Kaminari Denki, Ashido Mina e Sero Hanta aguardavam ansiosamente por Kirishima em um bar famoso na cidade. O primeiro era dono de uma agência de empregos e tinha muitos contatos com pessoas poderosas na cidade. E quando soube daquele cargo, não podia deixar de pregar uma peça no amigo de cabelos avermelhados.
- Eu quero ver a cara dele! Deve ter sido impagável quando ele entrou no escritório do Katsuki Bakugou, o queridinho do mundo da moda, usando aquele terno verde que comprou ontem.
Disse Kaminari
- E a Mina ainda deu o maior apoio para que ele comprasse. Isso foi muita zoeira.
Afirmou Sero.
- Você sabe que é impossível fazer o Kirishima desistir de comprar uma coisa quando ele gosta muito. Eu só disse que ele ficava interessante. E, realmente, é interessante pensar que ele colocaria o terno verde com aquelas crocs vermelhas. Ele deve estar tão parecido com o Grinch, que devem ter contratado ele para roubar o Natal!
Completou Mina.
Todos riram.
- Mas será que você não pegou pesado não, Kaminari? Ainda mais pela má fama do Katsuki...
Ashido apoiou os cotovelos sobre a mesa e alcançou o copo com o drink.
- Ele já fez pior comigo e eu tenho um emprego garantido para ele. Vai ficar tudo bem.
Mal terminaram de falar e um muito sorridente Eijirou, ainda trajando o terno verde-limão sujo de lama, entra no restaurante, apressando-se para sentar à mesa com seus amigos.
- E aí, turma? Como vão meus bons? Especialmente esse pestinha aqui…
Cumprimentou Kirishima, enquanto dava pequenos cascudos na cabeça de Kaminari.
- Desculpa, amigão! Eu não pude resistir! Aquele emprego era tudo que não combinava com você!
Respondeu Denki.
- Não liga pra ele, Kiri! Foi uma pegadinha de muito mau gosto. Você está bem?
Perguntou Mina.
- Do que você está falando? Eu estou ótimo! Terei dinheiro para comprar minhas Crocs, isso é tudo que importa.
- Hã?
Estranharam os três amigos.
- Sou um homem empregado, meus senhores!
Exclamou o ruivo no meio do restaurante, chamando mais atenção do que sua roupa.
- Estou completamente em choque.
Disse Kaminari.
- Mas… Mas… Isso era para ser uma pegadinha…
- O que? Como assim pegadinha?
- E-Eu te indiquei para a U.A porque é uma revista de moda e… Bom… Não costumam contratar pessoas as quais eles não “gostam” do look. Achei que fosse ser engraçado e eu já tinha um emprego certo para você.
- Pera… Você me mandou para lá achando que eu não ia passar nem da porta? Que filho da puta!
Respondeu Kirishima, chocado.
- Veja bem… Você também já pregou peças em mim e foram bem piores do que essa. Além do mais, conseguiu o emprego, o que é o mais impressionante, dada a fama do seu chefe.
Mina e Sero riam, quase cuspindo o vinho que bebiam.
- Kaminari tem razão. Katsuki Bakugou é infâme no mundo da moda. Quem trabalha para ele consegue o emprego que quiser depois.
Disse Sero.
- É… Mas ele também é conhecido como o “O Rei Demônio”. Tem uma personalidade horrenda e só os melhores conseguem se manter ao seu lado.
Completou Mina.
- Bom… Ele é mesmo exigente. Durão, sabe? Acho que vamos nos dar bem. Ele é tão másculo quanto eu!
Os kirimigos se entreolharam boquiabertos.
- Amigo… Eu não tenho ideia de como isso aconteceu, mas creio que essa vaga era para ser sua.
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O Diário do Midoriya
Querido Diário,
Hoje me deparei com o maior dos desafios, até agora, na minha jornada para me tornar o estilista Número 1, assim como o meu ídolo, All Might, dono da United States of Smash: Eijirou Kirishima. Um total desastre. Mas creio que existe salvação! E eu o salvarei.
Apesar do conjunto totalmente desarrojado, o corte do terno verde limão que ele usava não era de todo ruim. E, é claro, tinham aquelas Crocs. Tudo bem que é uma das peças mais controversas da história da moda. E olha existem muitas, mas é quase inaceitável. O terno poderia, talvez, com muita sorte, ter dado certo com outro sapato. Mas aquelas Crocs estragam qualquer look. Não sei como Kacchan não o atirou pela janela do último andar. Afinal, não há nada que ele odeie mais do que Crocs.
Vou fazer dele o meu projeto pessoal. Se eu for capaz de salvar o Kirishima, serei capaz de ser o estilista Número 1.
Chapter 2: A Blusa de Tule com Flores de Cerejeira e as Crocs Marrons
Notes:
Voltamos! E voltamos muito felizes às 1 e meia da manhã.
O primeiro capítulo teve uma recepção incrível de vocês e a gente se empenhou para escrever esse segundo. Esperamos que vocês gostem.
Chapter Text
Bakugou estava puto. PUTO. E não eram nem seis da manhã. O despertador estrategicamente colocado bem longe da cama (em função do número exorbitante desse tipo de aparelhos que o editor já havia quebrado) ressoava de maneira infernal. Ele grunhiu e atirou um dos travesseiros contra o relógio.
Por sua cabeça, as atividades do dia eram repassadas. Tinha que conferir as peças enviadas para o editorial da próxima semana, almoçar com um novo designer, do qual vira umas peças e achado interessante, ainda havia uma reunião para repensar as reportagens da revista, e o novo assistente que insistia em usar aquelas crocs horrorosas. Mas não podia se deixar distrair por aquelas pequenezas. Havia muito o que fazer e todos esperavam muito dele.
Comeu suas amêndoas matinais, misturadas ao iogurte insosso e correu para a academia. Não podia se descuidar com nada. Cada detalhe era importante. Enquanto se exercitava, tentava concentrar-se apenas no metal pesado que saia dos fones de ouvido. Os outros frequentadores da academia já podiam sentir a aura do editor, enquanto corria na esteira.
Irritado com todas as atividades diárias, Bakugou ligou para Midoriya.
- Estou saindo do caralho da academia. Chego em 15 minutos, se a porra do trânsito não estiver infernal.
“Se estiver infernal como esse humor, sou um homem morto”, pensou Midoriya. Essa ligação diária era o suficiente para promover o caos na vida do primeiro assistente, que já estava no escritório desde 6:30, apesar do expediente só começar às 8. E Bakugou tinha ciência disso. Prezava muito por competência, dedicação e só gostava de trabalhar com os melhores, independente dos seus looks (vide Kirishima).
Como o segundo assistente já estava há quase um mês na empresa, não foi nenhuma surpresa quando entrou no escritório e o outro usava crocs marrom e uma blusa de tule transparente com flores de cerejeira. Os mamilos marrom claro eram visíveis e o físico um tanto impressionante. Desviou o olhar. Não entendia aquilo e aquela blusa era tão ridiculamente inapropriada que sequer conseguiu responder o bom dia alegre do outro.
- Bom dia, seu Kacchan! Como que vai o senhor?
Bakugou rosnou em resposta. A roupa inteira que o outro trajava era horrível. Quis gritar, esbravejar, pedir para alguém acabar com aquele look totalmente desapropriado para o trabalho. Mas não conseguiu. Direcionou um olhar para Midoriya, que congelou e entendeu perfeitamente a mensagem: tinha que dar um jeito naquilo.
A porta mal foi fechada, o assistente de cabelos verdes já encontrava-se ao lado do novato.
- Look interessante.
- Você achou? Ouvi dizer que essas camisas são a última moda em Paris.
- Acho que você ouviu um pouco errado… Olha, por que não veste esse casaco? Está um pouco frio…
- Mas aí…
Midoriya cobriu os olhos, empurrando o casaco firmemente para o colega de trabalho
- Faz esse favor por nós dois. Se não por você, por mim. Eu não quero ver o novo assistente sendo engolido vivo por chamar mais atenção do que os modelos que passam por aqui. É um ambiente muito competitivo… Além disso, quando você quiser saber sobre as tendências, pergunta para mim. Transparência é tão anos 90…
- Oh! Obrigado por me avisar, Midoriya! Você é um cara legal!
- É… Eu sou mesmo…
Respondeu o secretário, meio que para si.
- Como você se vestia quando trabalhava para o Aizawa? Ouvi dizer que ele também era bem durão…
- Bem… Eu até tentei continuar com meu estilo único e impressionante, mas na segunda semana de trabalho, começou a vigorar uma nova regra de que todos os funcionários deveriam usar uniformes. Eu lembro que todos ficaram muito irritados comigo, mas eu nunca entendi o motivo… Deve ser porque eu era o ícone de estilo daquele lugar, e fui obrigado a usar aquele uniforme horrendo.
- É…
Antes que pudesse completar, ambos os secretários ouviram o estrondoso grito rouco e peculiar do chefe, chamando a ambos:
- Dekuuuuuuuuuuu!
O de cabelos verdes olhou e apontou para o outro assistente:
- É com você, pequena sereia.
- O que? Mas não é o seu apelido?
- Só vai e não questiona.
O ruivo apenas obedeceu. Levantou-se apressadamente e abriu a porta sem sequer bater.
- Seu Kacchan? O senhor me chamou?
Viu a veia saltar da testa do outro e não entendeu exatamente o porquê. Aproximou-se, pisando no carpete com as pontas dos pés, como se o chefe fosse algum animal perigoso. Já o tinha visto irritado mais de uma vez. Não queria provocá-lo, mas também não tinha medo.
- Eu já estou farto disso. Me chama de Bakugou. Isso é uma ordem. Seu Kacchan, Poderoso Chefão, All Másculo… Não quero mais ouvir nada disso, estamos claros?
- Sim, senhor!
O editor passou a mão no rosto, prestes a explodir. Mas não podia. A revista sofria alguns processos de seus secretários anteriores. Bakugou foi seriamente repreendido por seus superiores e precisava evitar seu comportamento explosivo. Lidar com o assistente novo, apesar de muito competente e de sua total confiança, era um desafio diário.
- Isso não é um quartel. Preste atenção pois vou falar apenas uma vez. Preciso que esteja pronto a agir como ombudsman da revista, hoje.
O chefe quis usar aquele momento como um novo teste. Se Kirishima desejasse continuar ali, teria que estudar sobre os jargões da moda corporativa. Não à toa, todos os outros assistentes haviam falhado.
- Claro, Seu… Bakugou! Com qual empresa vou manter contato?
Era óbvio que o ruivo sabia do que o loiro estava falando. “Não podia esperar menos do ex-subordinado do Aizawa…”, pensou o loiro.
- Estamos tentando fechar a capa da edição especial com um modelito da United States of Smash. Claro que não vai ser fácil, eles têm pedidos de várias editoras e a negociação pode durar horas. Consegui um tour de última hora com o All Might pelo QG da USS e o Deku vai junto. Enquanto isso, você será responsável por ir à reunião com os empresários e conseguir a exclusividade do traje. Terá que preparar uma apresentação para daqui à 3 horas, quando iremos até lá. Chame o Deku quando voltar, tenho que acertar mais uns detalhes com ele.
Kirishima sentiu seu sangue ferver com aquilo. Seu espírito de secretário queimava e seu corpo estava rígido, seus músculos, contraídos como os de um atleta antes de uma prova. Não sabia como, mas teria que conseguir.
Assentiu para o chefe e saiu correndo em direção à sua mesa. Reuniu todas as informações que podia, como balancetes de venda, informações sobre o público e impacto da marca e preparou uma apresentação com as capas mais icônicas da U.A durante os anos (claro que Midoriya o aconselhou na tarefa de escolher as capas). Em menos de 2 horas, já havia terminado a tarefa preliminar, enquanto o assistente principal corria de um lado para o outro procurando pela roupa perfeita, tanto para si, quanto para o colega, que não tinha a menor condição de continuar usando a vergonhosa blusa de tule com flores de cerejeira, especialmente para a ocasião.
- Kirishima, não me leve a mal, mas a sua roupa está um pouco inadequada. Essas reuniões são bem formais, com muita gente conservadora… Eu não sei se eles entenderiam o seu estilo tão… Revolucionário. Eu fui lá embaixo pegar a peça que o Kacchan pediu e trouxe umas roupas pra você. Por que você não tenta?
- Eu até que gostei do blazer… Mas não sei não… Com essa camisa escura…
- INFELIZMENTE é tudo o que temos do seu tamanho. Essa reunião é muito importante. Você não gostaria de desapontar o chefe, não é?
O novato ponderou. Era realmente necessário e, com certeza, melhor do que qualquer uniforme tirado do cu. Pegou as roupas, a contragosto, e dirigiu-se ao banheiro.
- KIRISHIMA, já ia esquecendo. Aqui os sapatos.
O assistente levantou os mocassins orgulhosamente. Havia pensado em como eles casariam perfeitamente com o look pensado em cada detalhe para ser elegante sem perder o jeitinho excêntrico do novato.
- Sapatos? Mas as minhas Crocs são ideais para qualquer ocasião!
Midoriya não conseguiu rebater aquilo. Apesar do sapato ser horroroso, era uma das peças mais controversas do universo fashionista. E em mais de um editorial a peça já fora reconhecida como aceitável para a situação que viria. Havia quem amasse e havia quem odiasse, mas certamente, não era inadequadas, apesar de Bakugou não ser um dos que as amavam. Quando Kirishima voltou, o primeiro secretário orgulhou-se de seu feito.
- Posso dizer que está melhor do que mamilos desnudos em tule, porém, estou certo de que o Kacchan ainda…
Antes que conseguisse terminar a frase, o editor apareceu na antessala. Geralmente, os secretários se assustariam ao serem pegos “desperdiçando” tempo, mas perceberam que o rosto de Bakugou parecia paralisado. Seus olhos estavam arregalados e por um breve momento, inacreditavelmente, um quase sorriso surgiu em seu rosto. Kirishima não entendera, Midoriya sim. Os olhos sempre vivos de Katsuki seguiam pelo look do ruivo, e pareciam até deleitar-se com os detalhes e em como aquela roupa vestia bem o assistente.
Kirishima usava um blazer rosa claro, de bom corte ajustado ao corpo como se fosse feito para ele. Por baixo, a camisa azul escura slim de linho fazia um ótimo contraste e jogava com o lenço estampado do bolso, que o chefe não havia apreciado muito, mas ainda era uma composição inteligente. A calça azul não era nenhuma novidade, mas tinha lá seu charme. De certo modo, boas escolhas.
Até que chegou nos pés.
Era mais do que óbvio que Eijirou não abriria mão da chacota da moda que eram as Crocs. Ao menos o editor se sentiu aliviado que não eram verdes ou vermelhas. Marrom em um tom mais próximo ao preto até parecia funcionar naquela composição. Não podia esperar menos do assistente mais imprevisível que já tivera.
- Se já estão prontos desçam para o carro, não me façam esperar pela boa vontade de vocês.
- S-Seu… Hm… Bakugou, o senhor está muito másculo com esse veludo vermelho. Bonitão, se é que me permite dizer.
Era óbvio que Kirishima iria adorar o blazer de veludo vermelho. Mas aquele era o tipo de peça que precisava ser muito bem trabalhada para que estivesse adequada em um look. De qualquer forma, aquele elogio o surpreendeu. Nunca fora elogiado tão diretamente por um funcionário. Aliás, não era comum que as pessoas fossem tão diretas com ele como o assistente era. Sem saber o que dizer, apenas agradeceu de forma rápida e baixa:
- Obrigado.
Midoriya quase entrou em parafuso ao ouvir o chefe agradecendo à alguém. Nunca recebera qualquer gratidão explícita de Bakugou, embora o loiro já tivesse feito muito por si, mesmo sendo daquele jeito tão antissocial. Apenas conseguira ficar admirado e feliz pelo colega de trabalho.
- Agora vamos. Odeio chegar atrasado.
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Kirishima sentiu certa dificuldade ao colocar o pendrive no notebook, já que suas mãos suavam em nervosismo. Na sala, havia 9 figurões totalmente desconhecidos. Já havia passado por situações semelhantes onde era necessário que representasse o chefe. Mas Bakugou esperava por mais que uma representação. Eijirou precisava brigar com unhas, dentes, maquiagem, tecidos, estampas e cabelos pela exclusividade do modelito que encerraria o próximo desfile da U.S.S.. Sentiu-se desdenhado por ser apenas um assistente, mas se Bakugou realmente acreditava que ele era capaz, é porque era.
O celular vibrou e havia uma foto de Midoriya com All Might conversando animadamente com Bakugou bem ao fundo, com um desejo de boa sorte. Sentiu-se encorajado novamente. Todos estavam cumprindo seu papel e ele não seria o único a ficar para trás.
Juntou os papéis, respirou fundo e iniciou sua apresentação. Apresentou a proposta da revista para a capa, tentando dar importância à cada detalhe, seguiu com os números de venda e influência da U.A em todos os setores da mídia, exemplificando os motivos de ser a número 1 em vendas. Enquanto falava, lembrava-se de olhar nos olhos de cada um dos presentes para transmitir confiança e credibilidade. E, aparentemente, estava conseguindo. Os chefões, incluindo Enji Todoroki, mais conhecido como Endeavor, nome que usava para assinar coleções secundárias da U.S.S., tinham atenção completamente voltada para o assistente. Ao sentir que ganhara a confiança do público, o ruivo terminou a apresentação afirmando:
- Não vendemos revistas, vendemos conceitos. E é por isso que a U.A é o melhor lugar para fazer o debut da nova coleção da U.S.S.. Estamos à frente, como vocês.
Os executivos pediram para que ele se retirasse para que pudessem conversar entre si, o que foi prontamente cumprido.
Eijirou caminhava de um lado ao outro do lado de fora, ansioso pela resposta. Os poucos minutos se arrastavam. Ele não aguentava mais esperar. Foi quando seu chefe apareceu na outra extremidade do corredor.
Bakugou assustou-se com a velocidade com a qual o assistente se aproximou. E mais ainda com o abraço repentino, sem sentido e totalmente descabido dado pelo outro.
- Seu Kac… Bakugou, eu não sei se consegui, eu… Eu dei tudo de mim. Mas eles estão lá dentro faz muito tempo. A apresentação foi como planejamos eu só…
- E você REALMENTE precisa me abraçar para falar isso?
Perguntou o loiro, olhando para os lados, garantindo que ninguém havia visto aquela cena.
O chefe retirou os braços do assistente de seu envolto, posteriormente passando a mão pelas próprias roupas, tentando desamarrotá-las.
- É que... A masculinidade me conforta. E eu estou realmente nervoso, não vê? Eu não quis...
Antes que Bakugou pudesse reagir, as portas da sala de reunião foram abertas e houve um pedido para que os dois entrassem.
Kirishima percebeu que houve uma mudança na postura dos executivos com a entrada do chefe, demonstrando o quanto de poder e influência ele tinha no ramo. Todos ficaram calados, até que Endeavor pôs-se a falar.
- Não tenho ideia do porque mandou um simples secretário fazer uma apresentação tão importante para os rumos da U.A. e da U.S.S.. Mas ele nos conquistou e será um prazer ter a nossa marca na capa de vocês.
- Não é surpresa alguma. Qualquer pessoa que trabalhe comigo é digna de minha confiança e extremamente capacitado para qualquer tarefa que eu dê. Não importa se sou eu, ou qualquer outro empregado da U.A. Kirishima não é diferente. É sempre um prazer trabalhar com a U.S.S. e fico satisfeito de poder contar com vocês para a nossa edição especial.
Deu as costas e foi em direção à saída, deixando todos extremamente surpresos com a afirmação do editor-chefe da U.A.. Nunca o ouviram elogiar qualquer pessoa, especialmente um subordinado.
O choque geral acabou quando ouviram gritos no corredor, ao som de passos apressados.
- Bakugou! Sua San Pellegrino! Tem que se manter hidratado!
Chamava Midoriya por seu chefe.
O momento tenso acabara quando as risadas dos chefes da U.S.S. encheram o local. Kirishima aproveitou e despediu-se dos presentes, fazendo questão de apertar firmemente as mãos de cada um, mantendo um sorriso bobo no rosto. Enji fora o último.
- Garoto, bonito o blazer! Muito bom gosto. Corte adequado, tecido bem escolhido, a cor definitivamente é uma tendência… Quem desenhou uma peça tão distinta?
Kirishima desconhecia aquela resposta. Suas feições se desdobraram em dúvida, enquanto podia ver o rosto do estilista pegando fogo de raiva.
- Foi… O senhor, não foi?
Enji esboçou um sorriso de satisfação.
- Quem mais desenharia algo assim? É uma das melhores peças já produzidas pela U.S.S.. Você tem bom gosto, garoto. Ficou muito bem arrojado na sua escolha de figurino. O dia que você quiser deixar de ser secretário e trabalhar com moda de verdade…
O estilista estendeu seu cartão ao novato e o deixou para trás. Eijirou sentiu-se aliviado. Sabia que se errasse aquela resposta, todo o esforço que fizera por aquele contrato seria perdido.
- Pelo visto correu tudo bem, não é, Kirishima?
Perguntou Izuku.
- Você podia ter me contado que o blazer era do Endeavor… Eu quase pus tudo a perder! Ele elogiou o look, mas foi você quem escolheu tudo. Eu não soube nem reagir.
- Ele o que?
Midoriya estava tão nas nuvens que sequer reparou quando ambos encontraram-se com Bakugou na portaria da empresa. O rosto do chefe estava inexpressivo, era difícil imaginar se estava feliz por ter conseguido o contrato, ou puto, porque os assistentes o fizeram passar vergonha em público.
- Oy! Deku! Você precisa de carona? Já está tarde e não quero desculpas para atrasos amanhã…
- Muito obrigado, mas eu moro há 2 quadras daqui. Vou andando, é bom para a saúde.
- Que seja…
Respondeu o loiro.
- E você? Vai querer carona?
Dirigiu-se à Eijirou.
- Ah! Não precisa se preocupar, Bakugou. Eu pego um táxi daqui, nem é tão longe…
Mas o chefe sabia muito bem que não era perto, afinal, olhara muito bem a ficha de admissão do ruivo, e o apartamento de Kirishima ficava no caminho para sua mansão.
- Se eu estou oferecendo, não é um incômodo. Eu sei que você mora longe e é no caminho para a minha casa, então para de merdinha e vamos…
Os olhos de Kirishima brilharam com a gentileza, ao seu modo, de Bakugou. Entraram no carro e, ainda chegaram a ver Izuku andando na calçada com um sorriso fenomenal no rosto.
Mantiveram-se em silêncio durante certa parte do caminho, apesar de já passarem das 10 da noite, o trânsito em Nova York nunca era fluido e o tempo parecia se arrastar. Sentados no banco de trás do carro, parecia haver uma tensão da parte do loiro, que, para a surpresa de Kirishima, quebrou o silêncio.
- Você… Foi... Bem, hoje.
- Obrigado, Seu… Bakugou. Vale muito vindo do senhor.
- Eu não sou um velho! Pare de me chamar de senhor.
Kirishima riu do bico que se formava nos lábios do chefe. A única forma de amenizar aquele mau humor era fazendo o que ele lhe pedia.
- Sim, Bakugou.
Respondeu o ruivo sorrindo.
Katsuki sentiu-se cegar por um segundo com o brilho daqueles dentes brancos e pontiagudos. Talvez tivesse enrubescido inevitavelmente, mas na escuridão do carro, estava seguro.
Alguns minutos se passaram e logo estavam na frente da casa de Eijirou, que se despediu com um “Até amanhã!” e um “Muito obrigado, Bakugou!” quase cantado. O loiro apenas assentiu e logo partiu para sua casa. Definitivamente, aquele assistente era estranho e o obrigava a agir de forma estranha também.
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Diário do Midoriya
Querido diário,
Hoje realizei um dos meus maiores objetivos e conheci os dois maiores estilistas da nossa geração, pessoalmente. Kacchan permitiu que eu o acompanhasse em um tour pela U.S.S. com o próprio All Might e seu secretário, Todoroki, que deve estar seguindo os passos do pai. Ele me convidou para tomar um café um dia desses. Não tive como negar.
Endeavor, o estilista número 2, elogiou o look que eu montei para Kirishima e eu nem sei como reagir a isso. Além de fazer aquele cabeça de vento usar uma roupa decente (apesar das Crocs marrons horrorosas), meu talento foi notado. Isso me aproxima cada vez mais de me tornar o estilista número 1. Da próxima vez, farei Kirishima vestir uma de minhas criações!
E realmente, admito, tentei manter o máximo de Kirishima naquele visual para que ele se sentisse confortável… Mas aquelas Crocs… Acho que apenas saberei que meu trabalho com ele está completo depois que ele deixar de usá-las.
Ps: O Kacchan deve estar com algum problema pessoal. Hoje eu o ouvi agradecer alguém da equipe e elogiar. Acho que vou precisar marcar um terapeuta para ele.
Chapter 3: A camisa baby shark e as crocs de tubarão
Notes:
A gente não esperava voltar tão cedo! Mas essa história tem sido muito gostosa de escrever. Esperamos que vocês se divirtam tanto quanto a gente se divertiu e boa leitura
Chapter Text
!
- Eu não sei o que o Kiri tinha na cabeça. Eu falei para ele comprar aquela blusa de tule, mas, caramba! Era para ele usar para pegar os boys nas festas, não para ir trabalhar!
Mina batia na mesa, indignada.
- Eu queria muito ter visto a cara do Katsuki quando viu aquilo. Sério, Kirishima, você achou que seria uma boa ideia?
Perguntou Kaminari
- Vocês estão é com inveja! Aquela blusa cheia de estilo que me colocou nas páginas da revista!
Eijiro bebeu mais uma dose da tequila, tentando esquecer aquilo. A verdade é que aquela foto fora a única solução para que não perdesse o emprego. E estava um tanto tímido com a fotografia, em que usava apenas uma calça, desenhada por ninguém menos que o próprio All Might - o que a fazia não ser “apenas uma calça jeans”. Era um ícone de calça.
- Mas, Kirishima… Eu sei que você já contou, mas ainda parece um pouco surreal para mim, pode repetir como foi parar em uma das páginas da U.A?
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(FLASHBACK)
Eijiro estava puto. PUTO. Não eram nem 7 da manhã e tudo o que podia ouvir era o som das notificações do celular.
- O que esse capeta quer agora?
Leu as mensagens enviadas por seu chefe e soube que estava fodido pelo resto do dia. O ensaio da nova coleção da U.S.S fora adiantado em apenas 1 dia, mas já seria o suficiente para mergulhar toda a parte editorial completamente num caos. Mal sabia ele que as mensagens não impediriam que ligação também ocorresse.
“Ligue para os modelos e para a equipe, não aceitarei atrasos. Não quero menos que a excelência!”
Kirishima, que mal havia dormido na noite passada, não fazia ideia de como resolveria aquilo tão em cima da hora. Disse que o faria sem problemas, até que ouviu a última frase.
“E quero meu café às 8 em ponto.”
Bufou assim que Bakugou desligou o telefone na sua cara. Para “melhorar” seu dia, o celular começou a tocar novamente. Óbvio que era Midoriya em completo desespero. Ele precisava aprender a se controlar.
- Bom dia, Midoriya. Se acalme. Vai dar tudo certo e...
“Kacchan vai me matar. Com a mudança da data, a gente perdeu o estúdio e eu não consegui fazer com que cancelassem com a outra empresa e agendassem para nós. Você sabe como ele fica quando não é do jeito dele!”
O secretário novato atribuía a esse fator o sucesso da revista. Por mais exagerado que o chefe fosse, as coisas apenas funcionavam pela maneira com que ele trabalhava. Kirishima achava isso muito másculo.
- Você é um cara que entende dessas coisas. Pense. Se não conseguimos um estúdio, sempre podemos tentar um local público. O que combinaria com essa coleção, já que você e o chefe foram os únicos que viram as peças?
Fez-se um silêncio do outro lado da linha. Ou o jovem havia desmaiado, ou estava pensando em algo. O ruivo apostava na primeira opção.
“VOCÊ É UM GÊNIO, KIRISHIMA! A praia! Vai dar tudo certo! A praia! Faça o que tem que fazer mas, temos que estar na praia às 10 horas. COM OS MODELOS.”
- Mas, Izuku! Vai...
Imitando o seu chefe, Midoriya também desligou o telefone sem muitas explicações.
- Chover…
Não havia outra opção para o segundo secretário a não ser confiar. Com a chuva que caía, havia muitos outros detalhes a serem pensados. Começou por garantir as luzes à prova d’água, tinham que ser quentes por causa da falta de luz natural. Tendas para os modelos, um container para o Sr. “Não quero contato com ninguém”, água, o buffet, outro container para funcionar como camarim improvisado. Absolutamente tudo poderia dar errado e, se desse, era sua cabeça que estaria em jogo.
Começou a trabalhar ainda no caminho para a revista. Quase ficou incapacitado de pegar o café, já que o fazia ao mesmo tempo realizava uma quantidade enorme de ligações e súplicas. Conseguira a parte instrumental com alguma facilidade. Citar o nome de Bakugou abria muitas portas.
Por um milagre, chegou 10 minutos antes no escritório, deixando o café escaldante na mesa do chefe. Pendurou o casaco e sentou-se em sua baia. Respirou profundamente. Até o momento as coisas estavam encaminhando-se bem.
Teve relativa sorte com os modelos, quase todos tinham agenda disponível para o dia, exceto por um. Ao menos ele conseguira indicar outro amigo modelo em seu lugar. O secretário confirmou com todos os participantes. Menos um problema.
Apenas reparou que o chefe estava no escritório quando ouviu o grito “DEEEEEEEKU” vindo da sala dele.
- Bom dia, Bakugou.
O editor agradeceu mentalmente por finalmente Kirishima ter aprendido a usar o seu nome. Agora talvez pudesse também chamá-lo de Kirishima.
- Já tenho tudo confirmado para o ensaio daqui a pouco, não tenho?
- Praticamente tudo…
- Praticamente? Isso só pode ser uma piada! Olha, Kirishima…
O assistente sorriu ao ser chamado pelo nome. Era a primeira vez que Kacchan fazia isso. Era um sinal de reconhecimento, não era? O chefe já havia reafirmado Kirishima como parte de sua equipe há algumas semanas… Mas havia poucas pessoas que o chefe se importava o suficiente para usar o nome.
- Eu passo por cima de muita coisa por causa da sua eficiência. Eu espero que, no mínimo você consiga fazer o seu trabalho do jeito que precisa ser feito. E acredito que você seja capaz disso. Apenas resolva o mais rápido que puder. Estamos entendidos?
- Falta só um modelo confirmar. Não teremos problemas. Não se depender de mim, Seu Kaaa… Belo está muito másculo hoje!
Kirishima quase havia cometido o erro de chamá-lo daquele jeito que o outro não gostava. Sentiu-se aliviado por conseguir acertar a tempo. Mas o alívio durou pouco. O loiro ergueu a cabeça, arqueando uma das sobrancelhas e, sem saber reagir ao elogio, olhou diretamente nos olhos do assistente, que corou.
- Confio em você, sabe disso.
Aquele gesto era um tanto incomum. Kirishima ficou tão abismado que desviou o olhar e permaneceu imóvel na frente do chefe, sorrindo feito bobo.
- Vai ficar aí o dia todo?
O assistente pediu desculpas e saiu da sala, ainda pensando na profundidade do olhar do editor. Era totalmente desconcertante.
Às vezes, era desconcertante estar ao lado de Bakugou, pela presença imponente, pela perseverança, pelo talento e pela admiração que sentia pelo chefe. E justamente por isso dava seu melhor, odiaria desapontá-lo.
Ele e Midoriya recolheram tudo o que precisavam e se organizaram para sair antes do chefe, assim, quando Bakugou chegasse, poderia se preocupar apenas com as fotos e os modelitos em si.
Tudo parecia normal. Kirishima usava uma camisa ridícula escrito “baby shark” e crocs de tubarão, para combinar. Izuku quase já havia se acostumado com aquilo.
QUASE!
Enquanto vestia seu casaco para ambos saírem, ficou abismado ao olhar o colega de profissão.
- É sério isso?
O casaco de Kirishima era o próprio tubarão. Havia dentes no capuz e, nas costas, uma barbatana. A look de antes era extremamente comum para falar a verdade.
- Você sabe como é, Midoriya… Todos parecem que estão constipados de tão tensos, achei que seria bom colocar algo mais lúdico, para animar os espíritos. E combina muito com a praia!
- Homem… Eu espero que o Kacchan só te veja depois da sessão.
- Eu sei que ele ficaria encantado com a masculinidade do meu look. NÃO HÁ NADA MAIS MÁSCULO DO QUE TUBARÕES! E esse casaco, não pode negar, é muito estiloso.
Talvez para uma criança de 8 anos, todo o visual fosse muito estiloso. Mas para alguém com pouco mais de 20 anos, definitivamente não era.
O de cabelos verdes já não sabia se o ruivo estava brincando, se era inocente como uma criança ou se era completamente louco.
- Use o que quiser, mas hoje estarei ocupado e não poderei salvar sua pele se o Kacchan te engolir vivo.
Kirishima nem fez questão de tentar entender. Também tinha suas próprias preocupações naquele dia.
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Tudo parecia em ordem. A equipe começava a trabalhar, movendo todas as engrenagens necessárias para o ensaio acontecer.
Midoriya ficara responsável por receber, cuidar e designar pessoalmente cada uma das peças enviadas pela U.S.S.. Para o segundo secretário, era claro que o chefe confiava na intuição de moda do subordinado, pois certamente, não era trabalho para qualquer um. Eijiro cuidou então de todas as outras coisas.
Foi então que a tempestade chegou. E não era o tempo que havia mudado. A presença de Bakugou no espaço ocasionava um rebuliço na equipe que queria mostrar serviço. Nada quase nunca era o ideal para ele. E o olho do furacão recaía sobre os assistentes.
- DEEEEEEEKUUUUUU!!!!!!!!!!
Em uma breve oração, Izuku pediu a qualquer deus que livrasse sua alma. Respirou fundo e foi até onde o chefe estava.
O visual de Katsuki era o ideal para o dia nublado na praia. Bata branca, calça mostarda e mocassins.
- Bom dia, Bakugou! Estamos fazendo o nosso melhor e...
- Quantos modelos eu pedi?
- Quatro.
- Eu só estou vendo três aqui.
Kirishima acompanhava o colega e respondeu:
- Eu fiquei responsável pelos modelos, chefe. Um deles cancelou e indicou um amigo que se encaixa no perfil. Eu confirmei a data e o horário. Ele deve estar atrasado, já que foi de última hora...
- Atrasado? ATRASADO? Honestamente… Você tem 10 minutos para resolver isso. Esse ensaio é um dos mais importantes que essa revista já fez. Se eu sentir alguma gota de água em mim antes desse ensaio acabar, você não precisa nem aparecer para trabalhar amanhã.
Os assistentes já entravam em desespero quando o celular do chefe tocou. Eles o viram murmurar algumas vezes, e rosnar ao desligar o telefone.
- Vou explicar a situação para vocês, só para que tenham noção do tamanho da merda. Fui questionado sobre a mudança do local de ensaio e os gastos extras dessa brincadeirinha por causa da incompetência de vocês em arranjarem um local fechado para a sessão. Obviamente, o próprio All Might questionou a direção da U.A sobre o assunto. Agora, eu terei que correr para uma reunião com os diretores e acionistas da revista e explicar o porquê de tudo isso, além de garantir que será um sucesso. Não é só a minha cabeça que está em jogo, mas a reputação da própria revista, então, que fique bem claro, VOCÊS VÃO FAZER O ENSAIO DAR CERTO E NÃO ME IMPORTA COMO. Quero as fotos amanhã de manhã em minha mesa, e mantenho minha palavra: se não conseguirem, não precisam nem voltar.
O loiro virou-se e afastou-se com passadas tão grosseiras que chegavam a levantar a areia da praia.
- E o que a gente vai fazer?
- Eu não sei. O modelo não me atende. E o Seu Kacchan tem razão, se chover, vai tudo por água abaixo, literalmente.
O nervosismo fez Kirishima suar e consequentemente tirar o casaco grosso, levando junto a camisa, mostrando totalmente o abdômen definido. Isso fez Izuku ter um estalo. O colega era musculoso, mas ao mesmo tempo, seu corpo proporcionava um bom caimento até para as roupas horríveis que ele escolhia.
- Kirishima… Será que você poderia tirar a sua camisa?
- Mas por quê? Eu gosto tanto dela!
- Vai para o camarim.
Kirishima não entendeu nada, mas de pronto obedeceu. Pode ouvir o colega murmurar.
- Se é para ser demitido, que seja por justa causa!
Os dois entraram no camarim e Midoriya pôs-se a falar com a equipe que trabalhava com a maquiagem.
- O quarto modelo chegou! Podem começar a fazer a maquiagem.
Kirishima arregalou os olhos. O outro secretário havia perdido a noção da realidade.
- Midoriya, mas eu não sou modelo.
- Hoje é o seu dia de sorte. Naquele dia da blusa de tule eu vi que você tem porte, tem o corpo… E ninguém precisa ser exatamente bonito pra ser modelo.
- Mas eu sou bonito.
- Melhor ainda!
- Mas…
- Você quer esse emprego ou não? Estamos desesperados e você mais do que ninguém, sabe disso.
Kirishima engoliu seco. Não podia desapontar o chefe. Vestiu a calça dada por alguém da produção e sentou-se na cadeira onde arrumariam seu cabelo e fariam sua maquiagem. Se disfarçaria até mesmo de pedra para poder continuar comprando suas Crocs. Não estava, entretanto, acostumado àquele tipo de tratamento.
Quando Eijiro saiu do camarim, Midoriya teve certeza de que seus instintos não falharam. Agora, bastava que as coisas corressem bem na sessão de fotos.
Fizera todos os tipos de poses imagináveis. Até o fotógrafo se impressionara com a espontaneidade do “modelo”. Assim que terminaram a última foto, a tempestade resolveu cair. Parecia até que os céus deram sua parcela de contribuição para que o ensaio desse certo, entretanto, o trabalho de Kirishima não havia acabado.
Os modelos correram para o carro, assim como todos tentaram recolher os materiais o mais rápido o possível. A chuva caía como torrentes de água e o segundo secretário corria de um lado para o outro, ainda só de calça, tentando garantir o conforto de todos. Após alguns minutos, apenas ele e Midoriya, muito bem vestido em sua capa de chuva, permaneciam na praia, com a sensação de dever cumprido e nenhuma garantia de que teriam um emprego no dia seguinte.
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- Parece que hoje você resolveu usar uma roupa um pouco mais normal, não é mesmo?
Comentou Izuku sobre o conjunto de calça e casaco de moletom cinza o qual Kirishima usava, claro, acompanhado de uma Crocs cinza para “combinar”. Ainda totalmente inapropriado para o local de trabalho, porém, melhor do que aparecer com mamilos de fora.
- Olha… Eu sei que hoje em dia há algumas releituras para o moletom, e nem posso dizer que o detesto, pois, na devida proporção e corte, até que pode ser bem utilizado, mas não assim...
Achou ainda mais estranho quando o ruivo não defendeu seu estilo único. Ele parecia cabisbaixo e sem energia.
- Oi? Pequena Sereia?
- Olha… Hoje a maré não está para peixe. Se puder falar um pouco mais baixo, agradeço.
Midoriya impressionou-se com a fala. Era óbvio que o colega não estava bem, então, faria como pedido.
Para piorar a situação, Bakugou entrou no escritório. Estava satisfeito por ver os dois secretários ali. Passou pelos dois sem sequer cumprimentá-los, completamente ansioso para ver o resultado do ensaio. Se os assistentes apareceram, é porque haviam conseguido.
O álbum preto de capa reluzente estava sobre a mesa. Sentou-se e começou a olhar as fotos com atenção, escolhendo quais usaria. A ideia da praia havia realmente sido boa, avaliou. Estava certo que os dois assistentes obtiveram sucesso, quando chegou nas últimas fotos. Kirishima modelava de maneira extremamente sensual em várias delas. VÁRIAS. Havia até esquecido a verdadeira função daquelas fotos. Aquilo não podia estar na sua revista, era um ultraje! Kirishima sequer era profissional!
Mas tinha um físico…
Relutou, encarou as fotos. Elas estavam boas, não estavam? MAS ERA O KIRISHIMA! E PORRA, o Kirishima não era para estar seminu na sua revista… O conflito foi tão grande que Katsuki explodiu.
- DEEEEEEEEEEEEKUUUUUUUUU!!!!
Midoriya levantou apressado, enquanto Kirishima se arrastou até a sala do chefe.
- Vocês estão me achando com cara de palhaço? Meu cabelo é engraçado? Tenho a porra de um nariz de vermelho? PORQUE NÃO É POSSÍVEL. Eu disse para vocês sequer aparecerem aqui se não conseguissem! E...
- Olha só! Primeiro, o senhor abaixa o seu tom ao falar conosco! PORQUE EU ESTOU COM UMA DOR DE CABEÇA HORRENDA. Segundo, se tudo NÃO saiu como planejado, a culpa é totalmente sua por ter mudado o dia do ensaio “PORQUE SIM”, sem sequer dar qualquer tipo de explicação. Midoriya salvou seu traseiro malhado ao ter a excelente ideia de fazer o ensaio na praia, e não ouse dar um pio sobre ele. Não tenho como mandar na vida das pessoas e as obrigar a aceitar um trabalho de última hora, mas consegui um milagre ontem. Enquanto isso, tudo o que o senhor fez foi sentar na tenda e dar suas opiniões de ouro. Quanto às fotos… Atura ou surta. Se não gostar, pode pegar todas e fazer uma fogueira para ver se aquece o seu coração gelado!
A situação era surreal para ambos o editor e seu primeiro secretário. Kirishima pode ouvir um sonoro “fudeu” vindo da cabeça de Midoriya, mas que falhara ao sair de sua boca. O próprio ruivo também estava chocado com sua ousadia ao falar tais coisas para o chefe. Ou melhor, ex-chefe, já que tinha a certeza de que seria demitido de qualquer forma. Pensou em suas Crocs e quase se arrependeu do que disse, mas não podia deixar a revista sem falar o que o loiro precisava ouvir.
Bakugou ainda estava paralisado. Sua mente processava aquela quantidade enorme de palavras sem chegar a nenhuma conclusão que fizesse sentido. As ideias vagavam entre gritar de volta ou ir para casa, tomar um chá e dormir. Nunca ouvira ninguém o tratar com tanta sinceridade e, de alguma forma, estava agitado por dentro. Dentre tudo o que poderia retrucar, seu pensamento saiu sem muito filtro.
- Seu… Seu…Seu... Seu… Cabelo de merda!
Kirishima espirrou algumas vezes e sentiu os olhos arderem. Odiava estar doente. E isso só contribuiu para que ele se importasse ainda menos com aquela resposta sem sentido.
- Se é só isso que o senhor deseja dizer para mim, vou recolher minhas coisas e…
- VOLTEM AO TRABALHO, OS DOIS.
Izuku, que estava mais pálido do que um morto, apenas voltou à sua baia e expirou todo o ar que havia prendido em seus pulmões desde que chegara à sala do chefe. Eijiro o acompanhou, também assustado, porém, com um leve sorriso no rosto, afinal, ambos ainda estavam empregados.
Na volta do almoço, o editor deixou sobre a mesa do secretário novato uma enorme sacola contendo analgésicos, anti-gripais, vitamina C e xarope, deixando o assistente sem sequer entender. Virou o rosto um pouco corado, evitando olhar o outro nos olhos e disse:
- Vê se melhora logo.
Kirishima sorriu de lado a lado.
- Obrigado, Seu Kacchan.
- E não se ache especial… Eu só gosto da minha equipe dando o seu máximo.
Katsuki sabia que aquela não era exatamente a verdade. Para ele, a sinceridade de Kirishima, assim como todas as outras coisas que o envolviam, tiravam-no de sua zona de conforto de uma maneira tão complexa que sequer conseguia lidar.
Entrou em sua sala, pegou uma das fotos em que Kirishima sorria abertamente, entre as que havia escolhido para usar no editorial, e a trancou dentro de uma das gavetas de sua mesa. Aquele sorriso ele quis guardar para si.
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O Diário do Midoriya
Querido diário,
As reviravoltas em minha vida parecem não acabar desde que Kirishima apareceu. Ontem eu estava prestes a perder meu emprego. Não tiro a razão do Kacchan, quase colocamos tudo a perder com a ideia da praia. Por causa de apenas 1 dos modelos, todo o ensaio foi comprometido, porém, genial como sou, percebi o potencial de meu colega para o trabalho. Felizmente, Kacchan não estava presente para testemunhar aquela genialidade, que era loucura, diga-se de passagem, mas ainda assim, genial. Se não tivesse dado certo, ao menos eu havia tirado aquela roupa de tubarão de um homem barbado.
Consegui fazer a pequena sereia parecer um modelo de verdade em um modelito desenhado pelo próprio All Might. Não sei se deu certo porque o estilista número 1 consegue fazer com que qualquer pessoa ficasse bem em suas peças, ou porque eu sou um bastardo sortudo, mas o sorriso do Kirishima conseguiu encantar até mesmo o próprio Diabo. É claro que tudo tem um preço: a eficiência lendária de meu colega o rendeu um resfriado que pareceu abatê-lo totalmente, pois no outro dia usava um conjunto de moletom cinza, o que já deveria ser pista o suficiente para eu saber que ele não estava bem.
Quando Bakugou questionou-o sobre as fotos, Kirishima disse tantas verdades que eu pensei que toda a minha sonhada carreira na moda iria por água abaixo, mas aparentemente, o tratamento reverso funcionou com o Kacchan (é claro que eu ainda assim não teria coragem para o enfrentar daquele jeito). Para minha surpresa e do ruivo, após o almoço, presenciamos o lendário editor da U.A. se preocupando com alguém além de si mesmo e da revista. Foi um pouco assustador, mas realmente épico. Posso jurar que, após isso tudo, o vi olhando as fotos do ruivo novamente, afinal, elas realmente estavam incríveis.
Será que Kirishima era o único que tinha aquele poder sobre o Kacchan?
Chapter 4: O pijama de unicórnio e as pantufas crocs
Notes:
Oi gente!
Estar de volta é inevitável, porque esses capítulos se escrevem sozinhos. Esperamos que se divirtam com mais um dos nossos devaneios e boa leitura
(See the end of the chapter for more notes.)
Chapter Text
O inverno era aterrorizante para Kirishima. O vento passava facilmente pelos buracos das crocs, deixando seus pés gelados. E era ainda pior quando precisava correr pelas ruas sob as ordens de seu chefe. Entretanto, a trilha sonora ajudava a recuperar o ânimo.
“I'm too sexy for my shirt
Too sexy for my shirt
So sexy it hurts
[...]
Cause I'm a model, you know what I mean
And I do my little turn on the catwalk…”
“É. Eu sou sexy mesmo. E másculo.”
Pensou o ruivo, que desde a sessão de fotos, estava cada vez mais confiante sobre sua aparência e vestuário. Mas, no momento, estava em uma missão e, como sempre, não podia falhar.
O smoking perfeitamente planejado e arrojado para a noite teve sua entrega atrasada pela lavanderia, fazendo Eijiro mostrar seu talento para ser o próximo Usain Bolt. Perdeu a conta de quantos sinais fechados passou ou quantas buzinadas ouviu (algumas nem eram em reclamação…). Passaria o que fosse para não ouvir os berros de Katsuki.
O barulho infernal do telefone parecia não ter fim. E obviamente, Midoriya era o responsável. Distraiu-se tentando atender o telefone e não viu quando um ciclista apressado praticamente passou por cima dele.
- Você está bem?
Kirishima sequer o respondeu. Levantou-se o mais rápido que pôde e continuou a correr, sentindo o impacto da queda apenas quando chegou ao escritório.
- Finalmente, Kirishima! Kacchan já estava tendo um surto. Você sabe que ele não está nem um pouco a fim de ir hoje. Qualquer coisa é pretexto para reclamações.
- Mas Midoriya, ele mandou lavar esse smoking em cima da hora. Foi quase um milagre conseguir isso.
- E o milagre é o nosso trabalho.
Os dois se assustaram com o berro vindo do escritório:
- DEKUUUUUUUUU!
- Leva isso para ele agora. E assim que você voltar, acho que pode ir embora. O resto é por minha conta, já que vou acompanhá-lo!
- Isso é excelente! É aniversário de uma amiga, e eu vou poder ajudar na decoração! Nossa! Com meu toque estiloso, tudo vai ficar perfeito e muito másculo!
Midoriya riu, sabendo do gosto duvidoso do colega, mas sabia que a atitude gentil de Kirishima era genuína.
- DEKUUUUUUUUUUUUUUU! TÁ SURDO?
Ambos se entreolharam de forma assustada e o ruivo não se demorou. Correu até a sala do chefe, levando o smoking.
- Aqui está. O carro que virá buscar você e Midoriya está confirmado. Houve um problema na lavanderia, mas o smoking está impecável.
O chefe, como usual, não respondeu. Mas o assistente agora entendia que o silêncio do outro representava satisfação.
- Já que está tudo bem, irei me retirar. Até amanhã, chefe.
- Não tão rápido… Eu tenho algo importante que deve ser feito até amanhã e graças a essa festa não poderei entregar. Acho que é a hora de você me mostrar o quanto pode ser útil.
- Bakugou?
- Preciso que catalogue alguns volumes da U.A e tenha as capas em um book em ordem de data até amanhã. Quero pronto às 7 na minha mesa.
Eijirou suspirou. Queria muito poder participar mais ativamente do aniversário de Mina, porém, não podia faltar com suas responsabilidades. E se começasse agora, talvez terminasse a tempo da festa…
Enquanto refletia sobre os seus compromissos, o secretário percebeu que o chefe tirara a camisa para começar a vestir o terno. Aquilo o deixou totalmente vermelho. Ele tinha que admitir que apesar dos pesares, o chefe era, além de um profissional incrível, muito másculo e gostoso para um caramba.
“Gostoso? Eu pensei realmente nisso? PROFISSIONALISMO KIRISHIMA, PROFISSIONALISMO!”
- Por que você está fazendo essa cara estranha? Que eu saiba, você tem muito trabalho a fazer. Ou vai ficar aí o dia todo?
- Não, não, Seu Kacch… Bakugou. Vou começar imediatamente!
O ruivo saiu da sala mais vermelho do que seu cabelo. Não entendia bem o motivo, mas seu chefe lhe causava aquele tipo de reação.
- Você está bem, Kiri?
- Sim, claro! É… Eu só me distraí, o Seu Kacchan me deu mais uma tarefa antes de ir. Preciso encontrar o arquivo no qual estão as revistas antigas e fazer um book das capas em ordem cronológica.
- Nossa! Boa sorte! Eu demorei dois dias da última vez, e olha que foram apenas as dos últimos 5 anos…
- É realmente tão ruim?
- Depende de o quão lendário você seja… Te desafio a fazer em 4 horas.
Sentindo seu espírito de secretário vibrar por dentro, Eijirou saiu em direção ao arquivo, porém, o de cabelos verdes interrompeu-o:
- Ei! Eu já tenho tudo dos últimos 5 anos. Por que não aproveitar meu trabalho? Basta adicionar as edições posteriores e anteriores. Vai te facilitar bastante.
Eijiro agradeceu. Sabia que a noite seria longa.
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- KIRIBABY! EU PENSEI QUE VOCÊ NÃO FOSSE CHEGAR NUNCA!
Mina abraçou o amigo, na festa lotada de balões cor de rosa, serpentinas brilhantes e glitter.
- Parabéns, Mina! Desculpe o atraso, o diabo me fez trabalhar até mais tarde hoje.
- Sério, Kiri. Você precisa arrumar outro emprego urgente! Esse cara...
- Eu gosto muito do meu emprego, Mina. E o Bakugou é um dos profissionais mais incríveis com quem eu já trabalhei. Ele parece muito comigo quando se trata de dedicação. É inteligente, másculo e completamente estiloso! Ele é incrível.
- Olha Kiri… Da sua vida, sabe você. Me deixe pelo menos te oferecer uma bebida forte, para ver se melhora seu dia!
- Eu estou exausto, para ser sincero. Vim mais porque não podia deixar de te dar um beijo. Se o Kaminari me visse aqui, não me deixaria voltar para casa!
- Precisa mesmo descansar, homem. Mas antes, toma uma tequila comigo, por favor! Não vou deixar que saia como se nem tivesse vindo!
O ruivo não teve muita opção. Seguiu a amiga até o bar e ambos viraram 3 doses de tequila, mas Kirishima era resistente. Aquela pequena quantidade de álcool não o derrubaria. Após poucas horas na festa, Eijiro já sentia o cansaço abatê-lo. Conseguira escapar de Kaminari por 3 vezes, no entanto, não sabia quantas vezes mais seria capaz. Sero já havia sido derrubado pelo outro e encontrava-se dormindo em um canto qualquer.
- Ei, Mina! Eu preciso ir embora. Amanhã tenho que estar cedo no escritório.
A amiga, em seu vestido rosado mal o ouvia. A música estava alta demais. Sentiu que talvez devesse apenas mandar uma mensagem para ela mais tarde.
Kirishima chegou em casa querendo apenas a própria cama. Tomou um banho longo, na intenção de relaxar, lavando os cabelos, abaixando-os do topete comum do dia-a-dia. Vestiu o pijama nada convencional, porém muito confortável, de unicórnio com estrelinhas coloridas que ele considerava muito másculo. Estava satisfeito. O dia havia acabado, assim como suas tarefas. Não precisaria ouvir mais nenhum tipo de exigência nem de Midoriya nem, principalmente, de Bakugou.
Suspirou aliviado, em paz, e finalmente esparramado em sua cama, fechou os olhos. Até que ouviu o inesperado som da campainha, soando várias vezes, ininterruptamente, até que sua paciência se esgotasse. Já eram mais de meia-noite e, por aquele tipo de toque, só podia ser Kaminari, pronto para o encher de histórias sobre a noite. Mas estava cansado, não poderia atendê-lo aquela noite. Precisava dormir.
Calçou as crocs com revestimento interno que serviam como pantufas e andou até a porta, determinado a dispensar seu amigo. Abriu-a ainda com os olhos fechados.
- Eu preciso realmente dormir, cara. O diabo…
- Só fica quieto Kirishima, e me deixa entrar!
Ele reconheceria aquele som de qualquer maneira. Era aquela aquela voz rouca que o agitava por dentro. Quando olhou para frente, pôde ver. Era seu chefe.
ERA O FUCKING BAKUGOU NA SUA PORTA.
- Seu… Kacchan??? O que está fazendo aqui?!
O loiro sorriu com o canto de boca. Amigável e até mesmo sedutor. Totalmente diferente do seu eu usual. Tinha a camisa parcialmente aberta, a gravata borboleta solta e carregava o paletó no ombro, de maneira charmosa, enquanto se apoiava no umbral da porta.
- E então? Vai me deixar entrar ou não, pijama de merda?
Seu hálito doce e alcoólico denunciava o quanto havia bebido naquela noite. Mas nada explicava ao ruivo o que Bakugou fazia na porta de seu apartamento àquela hora da madrugada.
- Seu Kacch…
O loiro o interrompeu, colocando o dedo na frente de seus lábios.
- É Bakugou, pra você...
Kirishima sentia uma energia diferente vinda do outro. Era, certamente, algo que nunca havia presenciado. O editor entrou no apartamento sem sequer dar qualquer explicação, parando ao lado da pequena mesa, próxima à porta.
- Aquela festa… Só tinha gente chata e incompetente. Ninguém era capaz de nada. Só o Deku de merda, mas ele… Ele não é…
Katsuki fez cara feia ao tentar explicar. Também não fazia ideia do motivo pelo qual havia parado ali.
- Acho que é você. Eu não… Gosto de você.
O ruivo não sabia bem como agir diante daquela declaração do chefe. Ele parecia ofendê-lo, mas ao mesmo tempo, não era uma reclamação.
- Bakugou… Olha… Amanhã é um longo dia e…
- A noite é uma criança, e pelo visto você também. QUE PORRA DE ADULTO USA ESSE PIJAMA? E ATÉ DENTRO DE CASA VOCÊ USA ESSES SAPATOS?
- UNICÓRNIOS SÃO MUITO MÁSCULOS. NÃO OUSE FALAR MAL DELES EM MINHA CASA. E CROCS SÃO OS MELHORES SAPATOS DO MUNDO! Se a sua estrela não está brilhando agora, não tente apagar a minha.
Respondeu Eijiro de forma séria.
- Desculpa…
O dono da casa viu os olhos do chefe se encherem de água. Não chegava a ser um choro propriamente dito, mas certamente a bebida faria com que as lágrimas caíssem, caso a conversa se estendesse por mais tempo.
- Não precisa ficar assim… Eu só…
- EI! O QUE É ESSA VELHARIA?
A atenção do loiro focou-se em algo na estante de Kirishima. Era um Estéreo dos anos 2000. Apesar de poder trocá-lo a qualquer momento, o secretário gostava do aparelho. Era antigo, porém tinha estilo.
Sem que pudesse impedir, Bakugou deu um tapa pesado no aparelho, fazendo-o iniciar a música do disco que rodava no leitor.
“I'm too sexy for my love
Too sexy for my love
Love's going to leave me”
A batida começou, deixando o editor assustadoramente animado. Eijiro mal percebeu quando o outro colou em seu ouvido.
- Eu tenho um segredo. Mas você tem que me prometer que não vai contar para ninguém. E se o fizer, eu quebro a sua cara.
Kirishima arqueou a sobrancelha, em estranhamento. Aquela não era uma ameaça real, ou era?
- Eu ADORO ESSA MÚSICA!
Era engraçado imaginar que o Bakugou que o fez montar uma playlist de Heavy Metal gostasse daquela música. Antes que Eijiro pudesse reagir, o chefe se distanciou e apontou para ele, como quem ansiasse por ser acompanhado, tirou a própria gravata e atirou-a no chão.
A cena era hilária e, ao mesmo tempo, desesperadora. Bakugou mexia os quadris de maneira tentadora, seguindo o ritmo da música, desabotoando o resto da camisa. Era sexy vê-lo sendo tão espontâneo, tão livre e tão… MÁSCULO. Sim. A epítome da masculinidade.
Sua bunda era realmente malhada e durinha, e os movimentos faziam com que a cueca começasse a se revelar, impossibilitando que Kirishima pudesse olhar para qualquer outro lugar.
Entretanto, o ruivo sabia.
Sabia que aquilo não podia durar. O chefe estava visivelmente bêbado, e aproveitar-se de seu show pessoal não chegava nem perto de qualquer aspiração do secretário. Decidiu que precisava interromper aquilo
- Bakugou, vem comigo.
O chefe sorriu ladino e caminhou atrás de Kirishima pelo corredor estreito do apartamento. Katsuki cambaleou um pouco, fazendo com que o assistente se virasse para segurá-lo, mas não evitando a queda dos dois. Seus rostos ficaram mais próximos que o comum, desesperando-o. Sob o peso do outro, o calor era algo de outro mundo. Cada músculo reagiu ao toque do torso de Bakugou sobre seu pijama de unicórnio.
- Você é cheiroso, Kiri.
O assistente sentiu sua respiração se tornar ofegante, seu estômago se agitar, a pele começar a suar mesmo no frio daquele dia. Não sentia-se assim desde a adolescência. O perfume importado que o outro usava impregnava suas narinas, deixando tudo ainda mais perigoso. Mas precisava reagir!
O secretário soltou algo que era uma mistura de resmungo com o esforço de retirar o loiro de cima de si e levá-lo até o banheiro.
- Se quer ficar cheiroso como eu, vai ter que tomar um banho, sabe?
- Hmm… Acho que o unicórnio está feliz em me ver…
Disse Katsuki ao ver o estado do ruivo, que corou profundamente ao perceber o quanto o chefe mexeu com todos os seus sentidos.
- V-Vou deixar o chuveiro ligado, se precisar, estarei do lado de fora, esperando.
O dono da coleção de crocs saiu do banheiro amaldiçoando-se. Como encararia o chefe depois daquilo? Tentou acalmar-se, pegou algumas roupas limpas, deixou-as na porta e forrou o sofá. Esperava que depois daquilo finalmente conseguisse descansar. Mas sabia que seria difícil com o próprio diabo em sua casa.
Bakugou deixou o banheiro sem pudor algum, completamente pelado. O secretário observou a cena paralisado na cozinha de conceito aberto, deixando o copo vazio que segurava em suas mãos cair.
Não quis olhar. Realmente não quis, mas não conseguiu resistir. Bakugou era másculo em sua totalidade, e nada mexia mais consigo. Rapidamente fechou os olhos e esperou que o outro se acomodasse em seu sofá. Depois, ainda evitando olhares mais tentadores, puxou a coberta, cobrindo Katsuki e acomodando-o. O chefe tinha uma expressão relaxada.
- Com essa cara de anjo, ninguém desconfiaria que você é o diabo. Boa noite, Seu Kacchan.
Kirishima afagou os cabelos do outro e andou de volta a seu quarto ao perceber que o loiro ressonava profundamente. Agora, ao menos, poderia descansar de forma decente.
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A luz incomodava seus olhos mesmo fechados. A cabeça parecia girar, o corpo não respondia aos seus comandos e a garganta queimava. A última coisa da qual Bakugou se lembrava era da festa e da quantidade de espumante caro que se vira obrigado a beber, por causa das pessoas insuportáveis e dos assuntos monótonos que lhe foram impostos.
Mas estava em um local estranho. Não era a festa, não era um hotel, não era a casa de Deku, na qual havia pousado em tempos de faculdade. Era algum lugar totalmente diferente. Sentou-se ainda tentando acostumar-se com a dor nas costas e notando-se nu.
- POIS MUITO QUE BOM DIA, SEU KACCHAN!
A voz estridente assustou o loiro que tentava entender o que estava fazendo em um sofá, pelado, com Kirishima em sua frente, apenas de toalha e desejando-o bom dia daquela forma. Sua mente trabalhou nas opções, mas tudo levava a apenas uma conclusão: TINHA FEITO MERDA. E das grandes.
Notes:
Diário do Midoriya só no próximo capítulo!
Até a próxima
Chapter 5: O moletom do Bakugou e os pés descalços.
Notes:
Com gosto dizemos que, FINALMENTE ESTAMOS DE VOLTA.
Esse capítulo saiu um pouco maior do que o esperado, mas essa história se escreve sozinha. Perdoem-nos pelo número exorbitante de palavrões e esperamos que gostem.
(See the end of the chapter for more notes.)
Chapter Text
Diário do Midoriya
Querido diário, não pude escrever noite passada pois estava um pouco ocupado com… Ah, você sabe… Né?
Eu sabia que o Todoroki estaria lá, mas precisava focar no trabalho. Kacchan não estava com o melhor dos humores e só eu sei quantas taças de champanhe eu o impedi de beber. Espero que ele tenha ficado bem sem mim, porque aquela oportunidade eu não podia perder…
Todoroki chegou por trás de mim, um pouco tímido, oferecendo uma taça. E eu só tive olhos para ele. Ainda ouvi o Kacchan murmurar algo parecido com “cabelo de merda”, antes de perdê-lo de vista. Não faço a menor ideia do que isso significa, mas também, naquele momento, não importava. Só espero que ele tenha não tenha exagerado na bebida.
E sobre o meu TodoRouco (afinal, a voz dele fica bem rouca quando…), matei minha curiosidade e SIM!!! Lá embaixo também tem duas cores. Eu ainda estou sonhando com o que aconteceu!!!
Ah, eu fiquei com um pouco de dó do Kirishima… Parecia muito animado com o aniversário da amiga, mas o Kacchan... Se ele conseguiu mesmo fazer a decoração, espero que não tenham tirado foto do lugar… Enfim, é um brega de bom coração.
Mal consegui dormir e daqui a pouco já é hora de acordar. Espero que tenha forças para trabalhar amanhã!
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Enquanto Kirishima foi até a cozinha preparar um café para o chefe, o outro saiu à francesa, deixando-o sem entender completamente nada. Ainda tagarelava sozinho no cômodo, quando ouviu o barulho da porta da frente batendo.
Foi até a sala com duas xícaras em mãos. Tinha preparado o café para Bakugou, do jeito que ele gostava. Mas agora, encontrava-se parado, olhando para o sofá vazio, e de alguma forma sentiu-se até um pouco… Triste? Não é que a situação não fosse estranha, mas queria ter dividido a refeição com o outro e talvez até ter ido junto com ele para o trabalho, apesar de isso soar muito em sua cabeça como coisa de casal. CASAL?!?! Só podia estar doente! Correu para se arrumar, afinal, precisava chegar na hora. Mas sabendo da situação do chefe, era provável que chegasse antes dele.
Vestiu-se rapidamente, sem pensar muito em combinar as peças escolhidas e, com isso, acabou por usar uma roupa considerada normal por todo o resto da população e calçar as crocs pretinho básico que combinavam com tudo. Ao sair do apartamento e passar pela portaria, cumprimentou a porteira como sempre, mas não recebeu o “bom dia” usual.
- Seu… Seu Kirishima… O senhor está bem? Quero dizer… Não pude fazer nada para impedir o Seu Bakugou de entrar. E eu… Tenho aluguel para pagar e… Tenho comido só miojo e sardinha…
Aquela história, Eijiro conhecia bem. Uraraka saía nas noites que não trabalhava e pagava a bebida para todos os amigos, restando-lhe apenas, por fim, o miojo e a sardinha.
- Não se preocupe, Dona Uraraka! Está tudo bem comigo. Eu não abriria uma reclamação contra você… E seja lá o que ele tenha lhe dito, era só brincadeira, tenho certeza. Ele é um homem muito bom… E MÁSCULO!
- Ele saiu agora há pouco e chutou o vaso de planta ali na entrada, que felizmente, e não sei como, resistiu e passa bem. Eu devo ter aprendido uns 20 palavrões novos só nos 10 segundos que ele cruzou o hall. Parecia bem irritado...
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Bakugou não estava irritado. Estava PUTO. Muito puto. Em sua cabeça, ao menos 30 cenários do que houvera na noite passada, castigavam-no. O grande problema é que, em apenas 1 deles, ele acordaria pelado no sofá de um também pelado Kirishima. E nesse cenário, alguém teria comido o cu de alguém.
Gritou, esbravejou, socou um dos postes na rua, mas nada disso foi capaz de amenizar a confusão que estava em sua cabeça. Kirishima era atraente e até um pouco… Másculo? O loiro achava os dentinhos pontudos legais… E gostava da maneira apaixonada como o subordinado parecia fazer tudo. Mas ele ainda era seu funcionário e caramba! Era o Kirishima! Katsuki nem mesmo gostava de pessoas, para começar.
Mas talvez, com o álcool, nada disso tivesse importado.
“Deku de merda, nem para me impedir de beber tanto! Caralho, Deku maldito! Só pensa em dar o cu para aquele arrombado do filho do Endeavor. E aquele cabelo de merda? O que fazia acordado tão tarde? Ele deveria dormir cedo! Não abrir a porta para qualquer um de madrugada!”
Fez sinal para o táxi e entrou, cumprimentando o taxista e dando seu destino, ainda coberto pela adrenalina. Foi quando ouviu a música que tocava no rádio:
“I’m to sexy for my love
Too sexy for my love
Love is gonna to leave me”
“Sou muito sexy para meu amor
Muito sexy para meu amor
O amor vai me abandonar”
Bakugou sentiu como se sua alma houvesse saído do corpo. Os braços, antes cruzados, caíram em seu colo. Imagens não muito definidas de si, retirando a gravata e convidando o de cabelos vermelhos para dançar consigo.
“Não! É só a minha imaginação!”
O loiro se recusava a aceitar que aquilo pudesse ter ocorrido, porém, seus olhos esbugalhados pareciam ser mais sinceros. Mesmo que fosse verdade, certamente ele não gostaria de lembrar. Reuniu toda a paciência que restava em si e pediu ao motorista que trocasse de estação de rádio. Ao que parecia, o universo não parecia querer colaborar, pois logo ouviu tocar:
“Whether you're a brother or whether you're a mother.
You're stayin' alive, stayin' alive
Feel the city breakin' and everybody shakin'
And we're stayin' alive, stayin' alive
Ah, ha, ha, ha, stayin' alive, stayin' alive”
“Seja você um irmão, seja você uma mãe
Você está mantendo-se vivo, mantendo-se vivo
Sinta a cidade quebrando e todo mundo requebrando
E você mantendo-se vivo, mantendo-se vivo
Ah, ah, ah, ah, mantendo-se vivo, mantendo-se vivo”
Como se o destino brigasse com ele, aquela era a maldita música que Kirishima cantarolava sem parar, fazendo-o muitas vezes perder a paciência. Não era possível que tudo remetesse ao assistente.
- Poderia trocar novamente de estação?
Bakugou tranquilizou-se quando percebeu tratar-se de uma rádio brasileira. Não era seu gênero favorito, mas com toda certeza nada ali o faria lembrar de Eijiro. Respirou aliviado e fechou os olhos, pensando em como escaparia de uma situação constrangedora no escritório. Foi quando notou uma mudança no ritmo da música e ouviu o sonoro:
“Andou na prancha, cuidado o tubarão vai te pegar!”
Seu português não era dos melhores. Mas aquela frase era bem clara. Desistiu, pediu para o motorista desligar o rádio, logo após agarrar seus próprios cabelos e ter um surto no banco de trás que assustou o motorista.
Decidiu que o melhor seria trabalhar em casa. Pelo menos durante a próxima semana. Não fazia ideia de como conseguiria, mas precisava tentar colocar a cabeça no lugar.
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Apesar de todos os acontecimentos estranhos da noite anterior, Kirishima ainda precisava trabalhar. Entrou no elevador, mas só pensava em como iria se comunicar com seu chefe, que, provavelmente, iria atirá-lo pela janela do último andar. A subida nunca pareceu tão longa. Ao chegar, recebeu um olhar um tanto impressionado de Midoriya, que não podia esconder seu contentamento ao ver o colega usando roupas normais.
“Parece que Kirishima finalmente decidiu me ouvir! Até a Crocs que ele escolheu é mais discreta! Ele precisa de muito ainda para chegar lá, mas significa que estou um passo mais perto do meu objetivo!”
- Até que hoje você cometeu alguns acertos. O jeans tem uma escovação boa, a camisa azul, tamanho apropriado, bonita até, apesar de, né… Está de parabéns.
- Eu nem consegui escolher minhas roupas propriamente como gosto de fazer, estava um pouco atrasado porque…
O ruivo engoliu seco. Dizer aquilo não seria apropriado, ainda mais pensando no que poderia ter acontecido. Ficou com o rosto rubro ao lembrar-se de Bakugou, apoiado no umbral da porta, mais másculo do que já havia visto em toda sua vida.
- Eita, pelo visto a noite passada foi boa, hein?! Conheceu alguém na festa da sua amiga?
- Não, eu… Não… Eu… Vou lá embaixo comprar o café do Seu Kacchan, pois logo ele deve chegar.
- Você não checou seu e-mail, rei da eficiência? Ele disse que hoje fará home office e pediu para fazer todas as reuniões por vídeo conferência.
- Não, não! Deve ter algo de errado… Eu sempre checo o meu e-mail no caminho todo até o trabalho, para poder agir em eventualidades. Não recebi nada do Seu Kacchan.
Kirishima se perguntava se, por qualquer motivo, Bakugou não esquecera de adicioná-lo como destinatário do e-mail. “Talvez ele ainda estivesse de ressaca…”, pensou. Checou até mesmo sua caixa de spam, mas nada vindo do chefe.
“Estranho…”
- Ei, pequena sereia! O Kacchan não está aqui hoje, mas isso não significa que podemos relaxar. Ele nos passou tarefas complicadas, como sempre, então, vamos ao trabalho!
O restante do dia fora bem comum, apesar de Kirishima ter sentido falta dos gritos de Bakugou ecoando pela redação e da masculinidade do editor que claramente deixava o ambiente menos cinza.
- Kirishima, preciso de um favor. Geralmente sou eu quem levo a versão editável da revista para o Kacchan. Mas hoje não poderei ir. Ele disse para mandar qualquer um, menos o Mineta. Será que você poderia ir?
- Eu? Claro! Não moro muito longe dele, faço sim.
Kirishima animou-se com a ideia de poder ver Bakugou logo e conseguir esclarecer tudo o que aconteceu mais cedo. Mas ficou nervoso. Nunca havia ido até a casa do chefe. Como seria? Imaginou Katsuki usando roupas confortáveis, sentado em um sofá preto, bebendo um uísque enquanto fazia carinho em Brutus, o cachorro que conhecia só de nome, calçando Crocs.
Aliás, pensou que Bakugou ficaria muito bem usando Crocs. Ele ficava bem usando qualquer coisa.
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Kirishima estava diante dos portões da grandiosíssima mansão de Katsuki Bakugou. Ouvia os relâmpagos que vinham de longe, anunciando a chuva que iria cair.
Tocou a campainha e olhou para a câmera, sorridente. Bakugou entrou em desespero quando o viu.
- Kirishima, o que…
No e-mail havia deixado claro que a entrega poderia ser feita por qualquer um, menos o cabelo de merda. Bakugou se perguntou como o próprio havia parado ali.
- Bakugou, eu trouxe a sua versão da revista. Onde posso deixá-lo? Acho que vai começar a…
Antes que conseguisse terminar de falar, a chuva o alcançou como torrentes de água. Bakugou hesitou por alguns segundos e ponderou se preferiria ver a edição arruinada pela chuva, ou ver o ruivo. Fechou os olhos e abriu o portão, amaldiçoando o maldito Deku, que depois dessa, estava com seu emprego por um fio.
Era a chuva do século!
O assistente correu pelo gramado protegendo o caderno com a sua vida. Parou diante da porta, completamente ensopado, ouvindo os latidos altíssimos de Brutus. Tocou a campainha e o chefe o recebeu, arrancando o livro de suas mãos e fechando a porta bem na sua cara. Não que não esperasse por essa atitude, mas...
- B-Bakugou?! ESTÁ CHOVENDO!
- O que eu tenho a ver com isso?
Entoou, a voz rouca, ainda do outro lado da porta.
- É sério isso?
Perguntou, tentando criar coragem para deixar a varanda. Mas era impossível.
- Bakugou, é sério, não dá para sair agora,
- Ainda não tem a ver comigo.
- Se eu ficar molhado aqui fora posso ficar doenteeeee…
Respondeu o ruivo, quase cantarolando, numa tentativa de convencer o chefe a deixá-lo entrar.
E era óbvio que Bakugou não havia gostado nada da última vez que isso ocorreu. Alguns segundos se passaram até que o loiro abrisse a porta e praticamente puxasse o secretário para o interior.
- Mas é só até a chuva passar! Não ache que me importo ou algo parecido.
Eijiro adentrou na casa. A sala era ampla, tudo ao estilo clean, com alguns móveis em madeira escura. Bakugou vestia roupas confortáveis, como havia imaginado, e em seu braço, Brutus, o pinscher, que logo foi colocado no chão e correu para longe, balançando o rabo.
Foi quando ouviram um estrondo, como um barulho de explosão e, imediatamente, todas as luzes se apagaram.
Tudo aconteceu muito rápido. Kirishima, impulsionado por seu medo de relâmpagos, abraçou a pessoa mais próxima, em um ato involuntário. Da mesma forma, Bakugou praticamente pulou no colo de Kirishima, devido ao seu medo de escuro. O latido de Brutus ao longe fez com que Katsuki voltasse a si.
- O que você pensa que está fazendo?
Kirishima percebeu que estava muito mais próximo do que o de costume. O cheiro de banho recém tomado de Bakugou era inebriante. Lembrou-se brevemente da noite anterior e corou, agradecendo pelo editor não poder ver. Deu a primeira resposta que lhe veio à cabeça.
- Relâmpagos não são nada másculos! Mas você também...
Bakugou então percebeu seus braços ao redor do pescoço de Kirishima. A pele macia, os olhos que pareciam brilhar mesmo no escuro. Soltou-se de imediato.
- Eu… Eu… Te segurei para que não tropeçasse. Deveria me agradecer.
- Eu estou agradecido, Bakugou.
A intensidade com a qual o ruivo proferiu a frase quase fez com que o editor entrasse em parafuso. “Desde quando ele é assim tão… Intenso?”
- Quero dizer… Está chovendo muito e eu n-não gosto de relâmpagos e trovões.
Bakugou sacou o celular do bolso e ligou a lanterna.
- Brutus não gosta muito de escuro, é melhor procurar por ele.
- Pelo visto, não é só o Brutus…
Sussurrou Eijiro.
- O que disse?
- Que ele tem surtos… De medo, sabe? Hehehe…
O secretário riu e coçou a parte de trás da cabeça, tentando disfarçar.
- Pode sentar aí. Eu já volto.
Falou Bakugou, de forma ranzinza, enquanto subia a escadaria principal que dava para o andar dos quartos.
Kirishima não sabia muito bem o que fazer, ou como agir. Estava na casa do chefe e, após os acontecimentos da noite passada, não conseguia mais encará-lo como se nada houvesse acontecido. Estava molhado e confuso mas, pelo menos, cumprira seu dever.
Após alguns minutos, o loiro reapareceu com pelo menos 4 lanternas grudadas no corpo. Eijiro poderia jurar que ficaria cego com toda a luminosidade emitida pelo chefe. Ao se aproximar, Katsuki estendeu o braço para Kirishima, entregando-lhe uma muda de roupas secas e quentes, ainda sem olhá-lo diretamente.
- Não é para ficar doente, hein! O banheiro é subindo a escada na segunda porta à direita.
Falou, quase contrariado.
O rosto do ruivo se encheu de alegria ao ouvir aquilo. Bakugou realmente parecia se importar com sua saúde e, de alguma forma, aquilo aquecia seu coração.
Fez como o outro o dissera e subiu até o banheiro. Como poderia imaginar, sendo parte da casa do chefe, o banheiro era um reduto de masculinidade. Móveis amplos e angulosos, cores escuras da parede central contrastavam com o piso de mármore claro e todos os pequenos detalhes discretos da decoração apenas ressaltavam a masculinidade do lugar. Mesmo sem energia, conseguia ver muito bem com a iluminação de várias lanternas que já estavam posicionadas quando chegou.
Por último, e não menos importante, a banheira preta tomava o espaço lateral, bem quadrada e espaçosa. Kirishima sonhou com um banho demorado naquele banheiro, mas sabia que não era certo abusar da hospitalidade do anfitrião. Sendo assim, apenas ligou o chuveiro de água fervente e banhou-se rapidamente, despejando o sabonete de cheiro amadeirado sobre si e usando o shampoo que cheirava a morangos.
Terminou o banho rápido e vestiu o moletom quente que Bakugou lhe oferecera. Quando desceu, o chefe esperava no sofá, com Brutus em seu colo e bebendo vinho diretamente da garrafa, o que o assistente achou estranho, pois sabia que Bakugou gostava e sabia apreciar um bom vinho. Seus cabelos estavam baixos, ainda úmidos, o que tomou a atenção de Katsuki. Aquilo era mais um dos impulsos para seus problemas.
- Obrigado, Seu Kacchan, quero dizer… Bakugou. Fazia muito tempo que eu…
Um trovão se fez bem audível, fazendo com que Kirishima tivesse um sobressalto e fechasse os olhos. Tentando recuperar-se do susto, sentou-se no sofá, mantendo uma distância segura do chefe. Enquanto isso, Bakugou podia sentir as vibrações do corpo do outro através do sofá, sabia que ele tremia e, mesmo contra seus instintos naturais de se afastar das pessoas, quis fazer algo para confortá-lo. No mesmo instante, a frase que o secretário uma vez lhe dissera ressoou em sua cabeça: “A masculinidade me conforta.”
Sentiu um leve incômodo em seu estômago e decidiu que a melhor maneira de fazer aquilo passar era ingerindo mais álcool. Estendeu a garrafa ao secretário.
- Servido?
Antes que ele o respondesse, um outro trovão ressoou, fazendo-o se encolher no sofá, fechando os olhos.
- Ei… Eu sei como é, mas não precisa tremer que nem pinscher raivoso. Você está seguro aqui, tem para-raios e bom isolamento.
Disse o editor em voz rouca.
- E-Eu sei que sim… É só que… Não é algo muito racional. Acho que vou aceitar um gole...
O ruivo puxou a garrafa da mesa de centro e tomou não um, mas vários goles de uma vez, impressionando o loiro, que observava o pomo de adão do outro subir e descer. “Másculo”, pensou Katsuki, mesmo que não gostasse de admitir.
- Bakugou, vamos jogar um jogo. Só pra passar o tempo, ou sei lá…
- Tá achando que a gente é criança? Porra, Kirishima!
- Não, é que… Eu vi umas notícias no celular e, pelo visto, passaremos muito tempo aqui ainda e..
- Não, caralho.
- Por favor, Bakugou!
Kirishima inclinou-se, ficando mais próximo do que o chefe considerava confortável, fazendo-o se arrepiar e sua mente fugir do controle. Apenas precisava afastar o outro.
- Tá! Tá! Só não faz isso assim do nada!
- Isso o que?
Bakugou não sabia como responder. Não havia nenhuma explicação para seu susto com a aproximação. Era só o Kirishima. Era só o seu secretário.
- Vamos logo jogar essa merda.
Eijiro sorriu, exibindo seus dentes e ficando, inconscientemente, mais tranquilo.
- Verdade ou consequência, só que só com verdade. Se não quiser responder, tem que beber.
O editor fez uma expressão de estranheza.
- Você nunca jogou isso?
- Por que eu jogaria com alguém?
Perguntou como se fosse óbvio.
- Não se preocupe, eu te ensino como faz. Deixa eu começar então. Você é gay?
O loiro se perguntou que diabo de pergunta era aquela. A princípio pensou em beber, mas as palavras, praticamente, saíram de sua boca.
- Eu só não gosto de pessoas. No geral...
- E não tem nenhuma exceção?
O editor não quis pensar. Era muito difícil assumir para si mesmo que os conflitos que passava podiam sinalizar que gostasse e/ou estivesse atraído por Kirishima. Deu uma golada na garrafa.
- Isso significa que… Tem alguém?
Perguntou o ruivo de forma inocente.
- NÃO! Eu só quis beber mesmo…
- Ah… Entendo.
- E você? Tem?
- Eu… Já tive. Não namorei com ninguém desde que fui para o intercâmbio. E olha que fazem quase dois anos… Pera. Essa foi a sua pergunta?
- Não. Eu só repeti o que você disse. Mas faz outra pergunta, acho que entendi como funciona.
- Eu sempre tive curiosidade de saber como alguém tão novo é editor de uma revista tão importante quanto a UA.
A garrafa novamente foi tomada pela mão firme de Bakugou, que foi interrompido por Kirishima.
- É uma pergunta simples! Qual é....
- Fica quieto, cabelo de merda. Eu só… Preciso beber para responder isso.
Ele pegou a garrafa, tomando duas goladas largas e colocando a garrafa sobre a mesa.
- Você deve saber quem é a minha mãe, né? Quando eu fui convidado para ser editor, choveu pedra. Os babacas da imprensa ignoraram meu currículo e o meu talento em prol do nome deles e inventaram todas as sortes de mentiras sobre meus pais terem pedido favores por mim e me colocado no mundo da moda. Eu tive algumas vantagens, mas eles nunca fizeram algo do tipo. Minha mãe sempre me levou nas semanas de moda do mundo inteiro. Fiz todos os cursos que eu quis e a minha foto sempre esteve exposta nos jornais por causa dos meus looks e… Bem, dela. Mas todos os dias, eu tenho que entrar naquela merda daquela revista e provar que sei o que eu faço e sou a melhor pessoa para estar ali. Eu realmente sou bom nisso. E mesmo assim, a porra da imprensa ainda me persegue tentando colocar todos os meus méritos e decisões à prova.
- Eu estou… Impressionado. Nunca imaginei que você tivesse passado por isso, até porque todos que trabalham com você confiam cegamente em suas ordens, sabendo que são boas decisões. O sucesso da revista é mais do que prova disso.
Katsuki jamais imaginou que alguém falaria de forma tão aberta consigo. Era estranho, mas de alguma forma, as palavras de Eijiro conseguiam lhe tocar.
- Sua mãe é aquela terapeuta famosa que tem um programa na TV, não é? Vocês falam um pouco… Parecido?
Disse Kirishima, quase rindo.
- O que você está querendo dizer com…
Para o susto de ambos, Brutus pulou no colo do ruivo, aninhando-se. Era raro o cachorro, assim como o dono, gostar de alguém.
- Sua vez de perguntar
- Você é gay?
Kirishima se perguntou o porquê daquela pergunta. Será que queria saber se tinha alguma chance com ele? Pegou a garrafa da mesa e a bebeu de uma vez, terminando com ela. Estivera de pau duro na frente de Bakugou na noite passada, por causa da aproximação dele. Pelo visto, o chefe não dava sinais de lembrar do ocorrido. Era óbvio que se interessava por homens, ainda mais homens tão másculos e com a bunda tão malhada quanto a do chefe.
- É minha vez. Eu quero saber… Por que você me contratou?
- Você chegou lá, com aquele terno de merda, todo imundo e sorriso confiante. Eu pensei em mandar você ir embora assim que entrou na sala. Mas aí, eu vi o seu currículo e nossa, você tem muitas boas recomendações. E, porra, eu vi o tempo que você passou no escritório do Aizawa. Sabem o que dizem dele por aí. Aí eu decidi te dar um voto de confiança e você correspondeu às minhas expectativas. Na verdade, nunca confiei em ninguém além do Deku antes.
Os olhos de Eijiro quase marejaram. Nunca admitiu para ninguém ser inseguro, mas, ao ouvir aquilo de seu chefe, sua insegurança se esvaía.
- Eu vou buscar outra garrafa de vinho, essa já era.
Bakugou cambaleou ao sair do sofá, indo até a adega na cozinha. Kirishima pegou o celular e colocou a playlist Bee Gees para que ficasse menos nervoso com a chuva do lado de fora.
As primeiras notas de Too Much Heaven encheram a sala escura, iluminada apenas pelas lanternas. Katsuki engoliu seco ao ver o secretário tão relaxado, fazendo carinho em seu cachorro. Ficar encantado com aquilo só provava que estava coberto de merda até o pescoço. Sentou-se no sofá, olhando fixamente para frente, evitando o outro.
- Você gosta de Bee Gees? Desculpa colocar assim, é que eu fiquei com medo de trovejar de novo e eu estar sozinho aqui... Me acalma um pouco.
- Não, tá… Essa música é até ok. Você sabe que não é o que eu ouço geralmente, afinal foi você quem fez a minha playlist. Mas é ok.
Na verdade a música era um pouco lenta, e até romântica demais. Mas preferiu ignorar aquilo.
“Nobody gets too much heaven no more
It's much harder to come by
I'm waiting in line”
“Ninguém mais consegue muita felicidade
É mais difícil de consegui-la
E eu espero na fila”
O silêncio já incomodava o dono da casa quando o funcionário perguntou.
- De quem é a vez?
- Acho que é a…
Outro estrondo se ouviu bem perto de onde estavam e Kirishima não pode evitar. O medo era maior. Agarrou-se em Bakugou e colocou o rosto entre seu braço e o sofá. Desta vez, o loiro não resistiu. Não o afastou. No escuro, seus medos também o afligiam, porém, na presença do ruivo, não eram tão ruins.
O editor quis protegê-lo. Passou a mão pelos cabelos vermelhos, macios e que cheiravam ao seu shampoo de morango. Ao sentir seu toque inesperado, Eijiro levantou seu rosto, antes escondido, até a altura do outro, fazendo seus olhos se encontrarem e o coração de ambos palpitarem de forma irregular.
“Everything we are will never die
Loving's such a beautiful thing”
“Tudo o que somos nunca morrerá
Amar é algo lindo”
A partir daquele momento, toda a razão que ambos ainda tinham em suas cabeças foi por água abaixo. Seus lábios se encontraram de forma suave, saboreando-se. Era realmente como o paraíso, naquele lugar escuro. Mas já não era o suficiente para Bakugou, que enfiou os dedos pelos cabelos macios do outro trazendo-o para ainda mais perto, e arriscando abrir a boca para deixar sua língua passear entre os lábios.
Foi aí que a luz voltou.
Surpresos com o barulho dos aparelhos religando e a luminosidade repentina, ambos se afastaram imediatamente, voltando a si e percebendo a situação na qual estavam.
- Merda… Eu… Já vou! Obrigado por tudo!
Falou o ruivo, levantando-se rapidamente do sofá, e correndo até a porta principal.
- Ei! Que porra?! Você não quer que eu...
- NÃO! Obrigado, mas já vou.
O secretário pegou as Crocs e bateu a porta ao sair.
- Chame um carro…
Continuou o loiro, sem reação.
- QUE CARALHO ACABOU DE ACONTECER?
Gritou sozinho, com seu cachorro.
********
Diário do Bakugou
Querido diário,
Primeiro que isso não é a porra de um diário, porque isso é coisa para gente que nem o Deku. Aposto que ele tem um.
Isso é um pedaço de papel qualquer que eu vou escrever e queimar. Ou devo enfiar no cu? Talvez, porque na minha vida só acontece merda!
Porra de Deku! QUALQUER UM. Dessa vez até o Mineta, aquele lixo humano, eu deixaria passar. E ele envia logo quem? O cabelo de merda! MAS EU NÃO VOU DEIXAR ISSO PASSAR EM BRANCO MESMO.
“Eu vou ficar doente”
ELE AINDA TEVE A CAPACIDADE DE FAZER UMA CHANTAGEM EMOCIONAL DESSAS! QUERO MAIS QUE O KIRISHIMA SE EXPLODA. Eu podia ter mantido ele do lado de fora e deixado minha edição molhar, MAS NÃÃÃO, TRABALHO EM PRIMEIRO LUGAR! Puta que me pariu. Só me fodo.
O foda é que quando os dentes absurdamente brancos e pontiagudos brilham, eu não sei o que fazer. Se fosse só aquele CABELO DE MERDA, até conseguiria, mas PORRA! COMO ALGUÉM TÃO BREGA É TÃO BONITO, CARALHO?
E ele que chegou perto de mim, com aquele papo de “relâmpagos não são nada másculos”. Pro caralho ele e os relâmpagos. Ele e seus malditos joguinhos. Ele e essa porra toda. Ele e aquele maldito… AAAAAAAAAAAAA
O cara me sai daqui, no meio da porra da tempestade que, ele claramente tem medo, sem mais nem menos! Mas eu também…
PORRA DE DEKU QUE SÓ FAZ MERDA!!! É TUDO CULPA DELE!
CARALHO
BUCETA
CU
PORRA
PUTA QUE PARIU
MERDA
BUÇANHA
CANAVIAL DE ROLA
CACETA
XERECA
XOTA
CULHÃO
CUZÃO
NÃO FODE
O pior é que amanhã ELE vai estar lá no escritório, todo sorridente, falando “Seu Kacchan”, “Seu Kacchan”.
INFEEEEEEEEEEEEERNOOOOOOOOOO!!!
Notes:
Ah, gente, fizemos uma playlist que está em construção. Se quiser dar uma olhada.
https://open.spotify.com/user/12184755363/playlist/7HNy5GW8fLVNvu1HntmdYM?si=z-6hYeoHTpOatpMuCzABmA
E podem adicionar a gente la no facebook, que sempre damos spoilers hahahaa
Lovage Santoro
Ekaterina PlisetskyAté a próxima
Chapter 6: O poncho de zebra e as Crocs Romero Britto
Notes:
É gente, o fogo no rabo foi maior. O capítulo é mais uma transição, mas tem coisas bem importantes nele. Esperamos que gostem!
Chapter Text
O coração de Kirishima parecia que ia sair pela boca. Havia beijado o próprio chefe.
“Não! Não! Não!”
Por mais que ele fosse totalmente másculo e incrível, ainda era errado. Ainda era seu chefe! Ainda era o editor-chefe da maior revista de moda do mundo. Esse tipo de aproximação não seria bem visto por ninguém, ele sabia.
A chuva caía e o estrondo dos trovões agora passava despercebido, devido ao seu terror pessoal. Sentiu os lábios formigarem, o cheiro do shampoo de morango que o outro usava impregnado nos próprios cabelos. Havia sido bom. Muito bom, para falar a verdade. E poderia culpar o vinho por todas aquelas sensações, mas estava sóbrio o suficiente para entender o quanto queria aquilo.
Andava rapidamente pela rua, sem sequer atentar para o seu arredor. Não havia ninguém louco o suficiente para sair naquele tempo, mas Kirishima apenas pensava em chegar em seu apartamento, secar-se e, debaixo de seu cobertor quente, dormir um sono pesado e sem sonhos.
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- Deus, Kirishima! O que aconteceu hoje?
Midoriya coçou os olhos tentando apagar aquela imagem. Até o terno verde limão com as crocs vermelhas pareciam aceitáveis.
Já o poncho de estampa de zebra, com a calça vermelha de brim colada e a Crocs edição limitada assinada por Romero Britto eram, definitivamente, a pior combinação que o outro assistente já havia utilizado. Bakugou certamente teria uma síncope ao ver aquilo.
- O que? Eu fiz questão de vir bem vestido hoje. Estava um pouco para baixo, e você sabe o que dizem, né? A gente tem que se arrumar quando precisa dar uma elevada na autoestima.
- Pelo menos alguma coisa aí está em alta! Hum… Olha, você claramente gosta muito de mix de estampas e, bem, tem muitos estilistas que ainda tem apostado nisso, apesar de eu pessoalmente considerar meio demodê… É algo muito difícil de se fazer, sabe?
- Mas eu faço isso como ninguém!
- Você não tem ideia do quanto!
Antes que a conversa se desse por encerrada, porta foi aberta e o chefe passou pelos dois sem sequer mirá-los ou dizer bom dia. O que fez com que os dois, por motivos diferentes, suspirassem em alívio.
Entrou em sua sala como um raio, de tão apressado. Os secretários puderam ouvir enquanto ele se acomodava em sua mesa, de maneira nada silenciosa. Ambos voltaram ao trabalho, porém, 2 minutos depois, ouviram o grito que, certamente, ecoara por todo edifício e fez com que suas espinhas gelassem.
- BUÇARALHOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!
Izuku olhou diretamente para Eijiro.
- Você comprou o café errado?
- Não. Está tudo certo. Até a reserva impossível naquele restaurante que ele queria almoçar eu consegui...
- E o jornal? Você olhou o jornal hoje?
- Não, por que…
- Merda. Merda, merda, merda.
Outro grito estrondoso saiu do escritório.
- MIDORIIIIYAAAAAAA
- OK, tem algo muito errado.
O de cabelos verdes levantou rapidamente de sua cadeira e foi até o chefe que andava em círculos pela sala com uma expressão assassina.
- LIGA PARA O TOKOYAMI AGORA. EU VOU PROCESSAR ESSES FILHOS DA PUTA!
- M-Mas… Bakugou… O que houve?!
O chefe virou o computador e na maior matéria do web site do jornal, a seguinte manchete brilhava.
“Editor chefe da UA, Katsuki Bakugou, depreda patrimônio público”
E logo abaixo a foto sua socando um poste.
- E-Eu nem sei o que dizer… Filhos da puta mesmo!
- Olha essa língua!
Respondeu o editor, deixando Izuku ainda mais nervoso.
Foi quando Kirishima adentrou a sala, corado e evitando olhar o chefe.
- Bom dia, seu… É… Bakugou. Estamos recebendo diversos telefonemas da diretoria e de alguns acionistas. São de caráter urgente. Posso repassar? Marco uma reunião?
O de cabelos verdes temeu pela reação do chefe. Primeiro devido às roupas do outro secretário. Depois porque Kacchan odiava esse tipo de telefonema. Encolheu-se, esperando o pior, mas o tom calmo do editor o surpreendeu. Definitivamente havia algo de muito estranho.
- Não. Pode transferi-los para a minha linha. Eu os atenderei aqui. Desmarque o almoço e eu vou precisar que vocês cuidem de tudo. Vou passar o dia resolvendo isso.
Os dois assistentes saíram da sala e o primeiro secretário encarou aquilo como a maior chance que a vida já lhe dera. Deixara um Kirishima um tanto atordoado lendo a notícia e fora atrás das peças que gostaria que o outro experimentasse, desde sapatos, blazers, camisas, gravatas, suéteres e o que mais conseguisse achar nas peças masculinas disponíveis nas amostras da UA.
Quando voltou, Eijiro assustou-se com a quantidade de roupas trazidas pelo colega.
- Ei, Midoriya. Estamos fazendo algum editorial do qual não fiquei sabendo?
A risada que saiu do outro quase o assustou. Era uma mistura de deboche com “você não perde por esperar”.
- Não é um editorial… É que as fotos que você fez com as roupas da United States of Smash, depois de muito tempo, finalmente, serão publicadas amanhã. E bom, a imprensa pode começar a ficar de olho em você…
- E o que essas roupas tem a ver com isso?
- Bom… Como você bem sabe, sou um ótimo colega e gostaria de cuidar pessoalmente de seus looks daqui para frente.
- Olha… Eu agradeço muito, mas gosto do meu próprio estilo. Ele é único, sabe?
- Não! Não! Não! Você está entendendo errado, jovem gafanhoto. Eu não pretendo mudar seu estilo. LONGE DE MIM… Apenas quero usar as roupas que temos disponíveis aqui para deixá-lo ainda mais único, com o toque de alta costura que lhe falta.
O ruivo ponderou por alguns segundos. Aquela ideia poderia não ser tão ruim… Ele teria roupas de graça e, se Izuku garantia que não mudaria seu estilo, ele poderia tentar.
- Hm… Tudo bem! Confio em você. Entretanto, tenho apenas uma condição.
Os olhos de Midoriya brilharam ao ouvir a aceitação do outro, mas ainda havia a condição.
- Diga-me.
- As Crocs ficam.
- Nem todos os anjos são perfeitos, não é?
Completou com uma risada.
- Bom… Já que vai mudar de roupas, também não faria mal uma visita ao departamento de beleza.
- Mas tem muito trabalho para ser feito hoje!
- Deixe tudo por minha conta, sério. Você precisa mudar a sua imagem agora que é uma figura pública!
Midoriya estava exagerando. Mas…
Entregou algumas das peças na arara, que Kirishima de pronto levou para o provador. O poncho de zebra e a calça de brim, Midoriya fez questão de esconder para que nunca mais o outro assistente as visse. Mandou-o diretamente para o departamento de beleza e aguardou ansiosamente pelo resultado
Foi como colírio para os olhos quando Eijiro apareceu com o blazer amarelo, a calça preta colada, camisa preta e bem, as Crocs.
- Tem certeza que quer ficar com essas Crocs? Você está incrível.
- É edição limitada Romero Britto. Não dá para abrir mão. E você tem razão. Eu gostei muito da roupa. Você acha que Bakugou vai gostar?
Assim que as últimas palavras saíram de sua boca, o de cabelos vermelhos se arrependeu. Havia se vestido de manhã para impressionar, mas… Aquilo era muito difícil. Não sabia até que ponto queria que Bakugou reparasse nele e até que ponto gostaria que o outro ignorasse o que aconteceu. E seria muito estranho se Midoriya notasse a confusão que havia em si.
- Claro que vai, mas desde quando… Achei que você não ligasse para isso.
- E-Eu não ligo… É só que ele parece irritado e quem sabe o humor dele melhorasse um pouco… Você disse que eu… eu estou muito…
- Está sim, Kirishima. Muito másculo. Não se preocupe. Todos vão adorar. Agora vai! O Kacchan vai querer o café em 20 minutos.
Eijiro saiu completamente sorridente do escritório, indo para o Starbucks mais próximo. No caminho, percebeu os olhares atentos sobre si. Não entendia direito o motivo de tanto alvoroço, era uma roupa bem mais simples do que a que costumava usar, nem era tão produzida quanto seus looks usuais. Ao entrar no café, reconheceu de longe no caixa a mulher de cabelo marrom.
- Dona Uraraka?!
- Oi, Seu Kirishima!
- Você trabalha aqui também?
- Ah! É que… Nos dias que não trabalho na portaria do prédio, eu consegui esse emprego de atendente. O senhor sabe como é, né? Tem que pagar as contas…
- Muito másculo da sua parte ter dois empregos! Realmente muito impressionante.
- É! Pois é! Hoje eu compro uns nuggets para acompanhar o miojo! Mas me diga o senhor! Tá todo bonitão, hein? Visual novo?
- Aprimorado, Dona Uraraka… Mesmo estilo, porém mais arrumado. Eu chamo de Kirizão 2.0.
- É realmente muito bonito. Er… Bom, o que o senhor vai querer?
- Expresso, extra-forte, orgânico, 500 mL.
- É pra já! Qual o nome que eu coloco?
Kirishima, em geral, pedia o copo de Bakugou sem nome, pois fora aconselhado que o chefe não gostava de receber coisas com seu nome, sem sua autorização. Já que era para melhorar o humor do diabo, resolveu tentar algo diferente.
- Coloca assim…
O ruivo abaixou um pouco e sussurrou para a atendente o que ela deveria escrever.
Quando saiu do Starbucks, estava contente e confiante. O caminho de volta fora rápido, pois nada faria o editor mais irritado do que seu café frio. Chegou ao escritório e viu que Midoriya estava no meio de uma ligação importante, passou por ele em direção à sala do superior e bateu levemente na porta, anunciando-se.
Bakugou fez sinal para que entrasse, virado de costas, falando ao telefone. O assistente colocou o copo sobre a mesa, derrubando sem querer uma das canetas, o que fez o chefe virar em sua direção.
Os olhos do editor saltaram. Uma veia começou a pulsar em sua testa. O maxilar abriu e toda a conversa no telefone pareceu perder a importância, já que ele havia parado de falar.
- Kiri… shima.
Alguma coisa se agitava dentro dele. Se com aquelas roupas horrorosas que o outro usava de manhã já ficava difícil não imaginar aquele beijo, com o cabelo propositalmente desarrumado, a roupa impecável, e o sorriso mais brilhante do que nunca, aquilo havia se tornado impossível. Engoliu seco. Tudo ali transpirava a tal masculinidade que Kirishima gostava tanto.
O assistente percebeu o olhar sobre si e encarou as próprias crocs, que já conhecia o desenho de cor.
- Sim?
Bakugou entrou em pânico. Não conseguia falar. Não conseguia se mexer e aquela nova versão do assistente só piorava tudo. Falou o que primeiro lhe veio à cabeça.
- Eerrrr… Cuidado com essa porra. Tem ideia de quanto uma caneta dessas custa?
Eijirou pegou a caneta no chão e colocou-a sobre a mesa.
- 3 dólares.
- Só 3 dólares?
- 3 dólares... Eu mesmo fiz o pedido dessas canetas de propaganda para o escritório inteiro.
- Pois então… Eeeer… Pode sair agora.
Assim que o assistente colocara o copo sobre a mesa e saíra, o loiro percebeu que havia algo escrito em seu copo.
“Aquele cabelo de merda sabe que odeio ver meu nome em copos do Starbucks.”
Estava prestes a gritar com o outro quando percebeu que não era seu nome escrito ali, e sim uma pequena mensagem:
“O senhor é o chefe mais másculo do mundo. Vai dar tudo certo.”
“CARALHO…”, era a única coisa que passava em sua cabeça.
Katsuki nem sabia o que pensar. Sentiu algo gelado em si, um aperto no peito, um revirar no estômago. Mas era tão bom que não soube lidar com as sensações. Tudo. Absolutamente tudo o que Eijiro fazia mexia consigo. Talvez nem mesmo estivesse respirando naquele momento.
De repente, Izuku entrou na sala flagrando o chefe em seu momento de vergonha.
- Bakugou! Os acionistas já marcaram a reunião para… Você está bem? Parece vermelho… Está com febre?
- É… É claro que não! E-Estou bem, porra.
- Bom, a reunião foi marcada para amanhã às 15:00 horas.
- Tá… Tudo bem. Agora me deixa só um pouco, Deku.
Seu tom de voz foi agradável e Midoriya realmente só conseguia pensar que havia algo de errado com o chefe.
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- OLHA QUEM DECIDIU APARECER! Você está me devendo uma noitada como aquelas de antigamente!
Kaminari comemorou, abraçando o amigo de cabelos ruivos.
- Não liga para ele, Kiri. É que a gente fica com saudade. Você passou aquele tempo enorme fora e a gente entende que seu trabalho é difícil… Aliás, esse banho de loja aí? Nunca pensei que ia te ver usando uma peça de marca!
Disse Ashido.
- Você gostou? É o Kirizão 2.0. Midoriya disse que como eu vou sair na revista amanhã, talvez a mídia comece a me procurar e me deu umas peças das amostras para incrementar meus looks.
- Nossa, eu mal esperava a hora dessa revista sair. Você falou desse ensaio faz um tempão! Agora eu posso dizer que tenho um amigo famoso!
Respondeu Hanta.
- Kiri, falando em famoso… Seu chefe hoje tava lá na capa do jornal. Deve ter sido uma confusão só no escritório. Vou te pagar uma bebida para compensar o stress.
Mina retrucou.
- Não precisa. Mesmo. Meu dia foi bem tranquilo para falar a verdade… Midoriya cuidou de praticamente tudo sozinho.
- Mas vem cá, esse poste que o Bakugou apareceu tentando quebrar não é aquele perto da sua casa? Tive a impressão que a sua portaria apareceu na foto.
Kaminari afirmou.
- O… O que? NÃO! Por que alguém como Katsuki Bakugou estaria na minha rua? Isso é quase loucura!
Kirishima respondeu, nervoso, tentando desviar o assunto. E se achassem que os dois estavam juntos?
- Faz sentido.
Os kirimigos responderam em uníssono.
- Mas você acha que vai manter o emprego? Porque assim, essa foto pegou muito mal e bem, se ele for demitido, você deve ir junto.
Hanta argumentou.
- Bakugou ficou bem chateado, ele nunca faria uma coisa dessas! Mas ele já está a caminho de resolver tudo. Ele sempre consegue. É o homem mais másculo que eu conheço.
Eijiro defendeu
- Mas você cansava de reclamar, dizendo que ele era exigente, que era mimado e tirava as ordens sabe-se lá de onde. Chegou a dizer que era o próprio diabo!
A de cabelos rosa estranhou.
- E ele é… Mas…
Eijiro tentou.
- Mas?
Mina insistiu.
- Ele é muito cuidadoso e responsável, e tem muita coisa sobre ele. Esse jornal de hoje só prova isso! Ele precisa ser assim ou a UA não seria a revista que é.
O ruivo completou.
Aquela conversa se estendeu bastante, mas enquanto todos conversavam e se divertiam, no Karaokê ao fundo, algum dos clientes do bar começou a cantar a canção que, na noite anterior, embalou o beijo de Kirishima e Bakugou. O ruivo ficou pálido de repente. Aquela música evocava todos os sentimentos estranhos com os quais lutava avidamente para negar. Lembrava-se de como o loiro era másculo e interessante, de como seu beijo era macio e intenso, de como era um homem incrível e de como todas aquelas coisas o faziam especial. Seu cérebro parecia girar no crânio e a boca ficou seca.
- Kiri? Você está ok? Já bebeu tanto a esse ponto? Tá olhando para o nada…
- Eu… Tá tudo bem. Mesmo.
- Ok, então…
Respondeu Mina, um pouco desconfiada.
- Eu estou um pouco cansado, acho que preciso descansar. Vou indo na frente.
O secretário deixou uma nota sobre a mesa para pagar sua parte da conta e saiu, ainda atordoado, do bar.
Aquele sentimento era estranho, mas persistia.
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Diário do Midoriya
Querido diário,
Hoje foi um dia muito atípico no trabalho. Primeiro, Kacchan quase perdeu as estribeiras com aquela reportagem absurda! Só que ele fez isso me chamando pelo nome. Querido diário, você tem ideia de quanto tempo ele não me chama de Midoriya? Depois o Kirishima apareceu na sala dele, usando a pior roupa que eu o já vi usar e ao invés de falar qualquer coisa, ele foi gentil.
VOCÊ OUVIU BEM. ELE FOI EXTREMAMENTE GENTIL COM O KIRISHIMA APESAR DA ROUPA HORRÍVEL E DE TODA A DIRETORIA QUERER FALAR COM ELE SOBRE O INCIDENTE.
Acho que essa reportagem trouxe mais danos ao psicólogo do Kacchan do que qualquer coisa, e olha que nem foi uma das piores coisas que já acusaram ele.
Ainda bem que ele sabe lidar com esse tipo de problema e o meu emprego ainda está garantido. Aliás, para alcançar meu objetivo de virar o estilista número 1, cuidei de todas as burocracias hoje do escritório e ainda, de quebra, resolvi a questão do estilo do Kirishima. Montei com ele um mapa de looks para essa semana com algumas peças que encontrei na amostragem. Não é para desfazer o estilo dele. Apenas refinei, o realcei da forma correta. Mas não consegui fazer ele abandonar as Crocs. Vamos ver o que vai acontecer. Ele ficou animado com a ideia de ser alguém público, já que as fotos dele na revista saem amanhã.
Ah, estou com saudade do meu Todorouco. Hoje foi muito corrido tanto na U.A quanto na USS. Estou ansioso para vê-lo novamente.
Chapter Text
Kirishima estava sentado em sua mesa, tarde da noite. O trabalho extra parecia surgir de todos os lados. O celular pipocava com mensagens de Midoriya, as quais sequer conseguia ler. Tudo desesperador. Precisava cumprir seus prazos, arrumar a pilha de roupas de um editorial qualquer que havia acabado de surgir e ainda havia a tonelada de copinhos de café que agora precisavam ser corretamente separados por tipo, cafeteria e tampa. Sentia-se sufocado e quanto mais fazia, mais coisas apareciam, em um ciclo sem fim.
Foi quando tudo sumiu, trazendo um alívio imediato. Mas a atmosfera pesou. Algumas luzes se apagaram, o cheiro de shampoo de morango surgiu no ambiente. Engoliu em seco. Tentou concentrar-se no computador. Uma música saía da sala do chefe. Conhecia bem aquela melodia. Era Let´s Get It On.
- Kirishima, quero você aqui. AGORA!
Chamou a voz rouca na sala ao lado.
Levantou-se apressado, derrubando uma pilha de papéis, mas pouco se importou. A porta parecia mais distante a cada passada, mas queria muito entrar naquela sala. Abriu, afoito. Sua respiração descompassou, suas pupilas dilataram, e sentiu vontade de exclamar qualquer palavrão que Bakugou não gostaria que ele dissesse.
O chefe encontrava-se sentado de pernas cruzadas na mesa. COMPLETAMENTE NU. Exceto pelos pés que portavam um belíssimo par de Crocs vermelhas.
Era muito mais do que Eijiro poderia suportar.
Sentia seu corpo perder o controle perto daquele espécime de masculinidade polida.
- B-Bakugou? O senhor me chamou? Precisa de alguma coisa?
- Achei que você fosse competente o suficiente para entender o que eu preciso, sem que eu tenha que pedir. Ou vai me decepcionar, cabelo de merda?
Respondeu o loiro, com um olhar ameaçador, e ao mesmo tempo, sedutor. Descruzou as pernas devagar, abrindo-as convidativamente. Qualquer chave de consciência em Kirishima foi desligada.
O ruivo caminhou até o editor, e, como em uma reverência, ajoelhou-se no chão de frente ao membro já ereto do outro.
- Quem manda aqui sou eu, cabelo de merda…
Bakugou estendeu a perna e afastou o secretário para longe de si. De repente, um barulho alto e estridente surgiu.
Kirishima estava duro. DURO. E não eram nem sete da manhã. Abriu os olhos e sacudiu a cabeça tentando livrar-se daquele sonho. Eles só haviam se beijado, uma vez! Uma única vez! E ele estava totalmente fora de órbita. Era difícil ignorar quando Bakugou chegava no escritório, quando ficavam sozinhos discutindo os problemas que o editor precisava resolver. Seu estômago revirava, a boca ficava seca. Aquele beijo havia sido um acidente, mas…
Às vezes, tinha impressão que o chefe não estava tão alheio àquilo. O percebia olhando-o, mas ao mesmo tempo, podia ser só uma avaliação cuidadosa de seus novos looks, afinal, Midoriya testava todos os tipos de cortes e estampas possíveis no ruivo.
Pegou o celular e verificou todos os e-mails e mensagens relativos ao trabalho, porém havia uma notificação inesperada de sua agenda digital.
“ANIVERSÁRIO BAKUGOU KATSUKI”
Havia sido avisado pelo colega de trabalho que Bakugou detestava comemorar aniversários e que achava uma “perda de tempo que poderia ser utilizado trabalhando”. Mas sentia no seu íntimo que era apenas mais uma das barreiras que ele tentava não transpor na frente das pessoas. Descobriu muitas coisas sobre o loiro durante a noite em sua mansão, e uma delas era que Katsuki tinha sentimentos. Ele só não transparecia. Até pensou em tentar organizar uma surpresa para ele, mas não queria desrespeitar suas vontades. Tentaria parabenizá-lo do seu jeito.
Correu para se arrumar com o modelito escolhido pelo colega.
Sentia-se confortável e pronto para encarar o dia, que certamente não seria fácil.
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- O que houve com o vestido longo e preto que eu te dei?
- Ah! Você sabe como é, né? Estava um pouco sem-graça com só uma cor e nenhuma estampa, então eu resolvi dar um upgrade.
- Destruindo uma peça perfeitamente linda com uma ESTAMPA DE DINOSSAURO VERDE? Eu até peguei totalmente sem estampa para você combinar com a cor de Crocs que quisesse…
- Mas ficou melhor do que antes, então não é um problema!
Respondeu com um sorriso.
O telefone na mesa de Izuku tocou e Eijiro já sabia. O Diabo estava a caminho.
Todos no escritório correram para seus postos, carregando peças bagunçadas e aprumando-se para estarem apresentáveis ao chefe.
Kirishima reviu a agenda para o dia. Bakugou ficaria no escritório, trabalhando na pesquisa para a próxima edição da revista, então talvez pudesse encontrar a ocasião perfeita para parabenizá-lo.
O loiro apareceu mais rápido do que um raio, já dando ordens. Midoriya anotou tudo o que pôde na agenda repleta de post-its coloridos e Kirishima já organizava os afazeres mentalmente.
- Nenhuma ligação que não seja da diretoria ou de um dos nossos anunciantes será repassada para mim, entenderam? E se a minha mãe ligar, eu não estou.
- Sim, Bakugou. Estarei atento.
Respondeu Midoriya.
- E você…
Dirigiu-se ao ruivo.
- Tenho uma série de tarefas que deve cumprir.
Katsuki lançou-lhe aquele olhar. O olhar de quem confiava em sua competência.
- Sim, Senhor.
- Vou mandar pela agenda, então fique atento.
O ruivo assentiu e o chefe entrou em sua sala. Aquele dia prometia muito trabalho duro, e ninguém entendia melhor do que Kirishima sobre dureza.
- Ei, Midoriya!
Chamou o de cabelos verdes com um sussurro gritado.
- O que foi? Aconteceu alguma coisa?
- Você sabe que hoje é o aniversário do Seu Kacchan, né?
- SHHHHHHHHHHH! VOCÊ ‘TÁ LOUCO?!
- O que?
- É tabu para o Kacchan falar sobre isso. Da última vez que tentaram fazer uma festa surpresa para ele, ele demitiu 8 funcionários! OITO. E você sabe como faz diferença menos gente na equipe. Eu não quero a minha cabeça cortada e imagino que você também não. Então, a melhor coisa é lidar como se fosse um dia normal. Agora pare de tentar inventar moda, pois a sua agenda está apitando de tantos afazeres que o Kacchan passou para você.
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As ruas de Nova York nunca pareceram tão movimentadas. Kirishima carregava umas amostras de chapéu, um buquê de flores do campo e o almoço do chefe. O telefone já tinha tocado pelo menos 3 vezes, com um Midoriya desesperado. Não aguentava mais. No quarto toque, atendeu.
- Midoriya, agora não dá para falar. Eu já estou chegando.
“Mas rapaz, tu já sai colocando um pau entre as minhas pernas?”
A voz era familiar, mas a piada era bastante inapropriada para um telefone comercial.
“Sou eu, Mitsuki. Olha… Não me estranhe eu peguei seu telefone com uns contatos. Kirishima Eijiro, não é?”
O assistente parou de falar no momento que a mulher se revelara. Era a mãe de Bakugou. Sentiu-se nervoso, ansioso e caramba, não queria deixar nenhum furo com ela.
- Dona Mitsuki! Er… Olá! O que posso fazer pela senhora?
- Hmm… Acho que você sabe que hoje é o aniversário do meu filho. Sei que ele odeia ligações e parabéns mas… Ele ainda é meu filho e não quero passar o dia sem sequer falar com ele.
- O que exatamente a senhora deseja que eu faça?
O ruivo ouviu um grito de “CÊ ‘TÁ LOUCO, CARALHO?!”, e torceu para que não fosse com ele.
“Ah! Desculpa, querido! É que é muito difícil encontrar gente competente hoje em dia… Enfim, como sei que não adianta tentar convencer o Izuku a repassar a ligação e que mesmo que ele repassasse, Katsuki não me atenderia, gostaria de pedir que você ao menos diga para ele que eu liguei e que tenho uma torta de morango em minha casa. Sei que ele está sempre ocupado, mas no fim de semana também serve…”
A mulher terminou sua fala com certa tristeza. Eijiro podia sentir que ela sentia falta do filho, e que Bakugou sempre arranjava motivos de trabalho para não interagir com os outros.
- Eu prometo que farei o possível para que ele entre em contato, Dona Mitsuki! Pela minha honra masculina!
“Não me chame de dona! E… QUE MERDA QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? Não, meu anjo, desculpe, não foi com você. Obrigada e até a próxima”
Kirishima sentiu uma certa familiaridade com aquele telefonema. Reuniu forças e foi até o escritório. Se Mitsuki tentaria transpor a barreira que era o aniversário do filho, ele também conseguiria. Planejou-se para que na hora do almoço tivesse a oportunidade de fazer algo para Bakugou.
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Após entregar o almoço do chefe e esperar Midoriya terminar o seu, Kirishima saiu correndo para aproveitar os exatos 60 minutos de seu almoço.
Sua cabeça fervilhava de ideias enquanto andava pelas calçadas da Times Square. Pensou em algo mais estilizado para o chefe como uma caneta suíça, mas estava além de seu orçamento e ele tinha várias em sua mesa. Pensou em um conjunto de sabonetes amadeirados e caros, mas também chegou à conclusão que seria redundante presenteá-lo com aquilo. Se era para dar um presente para Bakugou, tinha que ser algo que, no mínimo, o impactasse. Algo bonito e estiloso. Algo como…
No mesmo momento, o ruivo soube para onde ir e o que fazer. Quando retornou ao escritório, Izuku o olhou com estranheza.
- Não me diz que esses pacotes estavam lá embaixo são presentes para o Kacchan. Eu sempre tenho que dar um jeito nesses presentes depois.
- Não… Não! Isso é… Para a minha vovozinha! Ela pediu para eu comprar essas coisas.
- Mas eu pensei que você não tinha família na cidade…
- E não tenho! É para enviar pelo FedEx.
- Mas isso não é embrulho de padaria?
Antes que pudesse responder, os assistentes ouviram o grito do chefe.
- KIRISHIMA, NA MINHA SALA, AGORA.
O aspirante a estilista olhou para o outro com estranheza.
- Desde quando Kacchan te chama pelo nome?
- Já faz alguns dias. Acho que fiz alguma coisa certa.
Eijiro entrou pela porta e Bakugou estava apoiado na mesa de maneira máscula, com uma das mãos no bolso e a outra segurando um papel no qual o editor parecia bem interessado, já que não ergueu o rosto para olhá-lo sequer uma vez.
- Midoriya vai ter que ir lá na United States of Smash pegar um embrulho que o próprio All Might deixou para mim. Mas eu preciso de uma revisão dos anunciantes dos últimos anos. A USS quer saber o tipo de público que atingimos e ninguém melhor para dar esse perfil do que os anunciantes. É um pouco urgente. Então comece a fazer isso desde já. E se o Endeavor ligar para você, apenas encaminhe para mim.
- Claro. Considere feito. Como vou começar agora, talvez eu demore além do horário do expediente, então…
- Eu vou esperar pelo perfil na minha sala. Eu também tenho que fazer algumas coisas aqui hoje. Quando terminar, pode me entregar e ir embora.
Kirishima foi até o arquivo e buscou pilhas e pilhas de pastas que continham as informações dos anunciantes. Desde o tipo de propaganda, até o valor pago e o período no qual aquilo estaria na revista. Sentou-se em sua mesa, pegando a primeira grande pasta.
- Pequena Sereia, eu já vou, mas tem uma pilha de roupas ali para serem organizadas para a seleção do Kacchan para aquelas fotos externas. Se você puder dar uma olhada…
- Sem problemas!
O cenário era familiar. Lembrou-se de seu sonho, com Bakugou pelado no escritório. Respirou fundo, tentando concentrar-se na pilha de papéis a sua frente. Então, o telefone tocou.
“Boa tarde, estou procurando Kirishima Eijiro.”
Disse a voz feminina no telefone.
- Sou eu mesmo.
“Um segundo por favor.”
O secretário ouviu uma musiquinha que se estendeu por alguns segundos.
“Kirishima? Rapaz, esse seu chefe é casca grossa!”
- Quem é?
“O Fashion Designer de maior potencial da USS! Eu estou ligando para falar sobre aquela oferta que eu te fiz!”
- Só um segundo.
Kirishima apertou o botão no telefone.
- Bakugou, Endeavor na linha.
Ordens eram ordens. Estava curioso sobre o que o segundo maior estilista da atualidade queria com ele, mas confiava em Katsuki.
Já eram quase 8 da noite quando o secretário finalmente terminou. O escritório já estava na penumbra das luzes que eram complementadas pelas músicas do Avenged Sevenfold e outras um pouco mais light que apareciam no aleatório da playlist que Bakugou escutava nas alturas. Olhou para todos os papéis e sentiu-se orgulhoso. Aquilo poderia ser apresentado até mesmo ao presidente da associação de marketing nacional. Suspirou e levantou para entregar o livro ao chefe.
Bateu de leve na porta para se anunciar. Bakugou parecia cansado em sua cadeira. Sua gravata sempre arrumada estava frouxa, e o colete cinza, aberto. Olhar para o loiro daquela forma não era sua intenção, mas seu radar de masculinidade apitava no mais alto som.
- Bakugou. Aqui está o livro com o perfil. Espero que as informações estejam claras o suficiente.
- Muito bem, cabelo de merda… Acho que não faz mal admitir que você é bom em alguma coisa…
Kirishima até pensou em se sentir ofendido, mas lembrou do beijo entre eles, e pela forma a qual o loiro respondeu, sabia que ele era bom em, pelo menos, mais uma coisa…
- Que sorriso é esse?
- Ah! Nada! Eu… Antes que eu vá embora, tenho algo que quero lhe dar.
O editor fez cara de confuso, enquanto o ruivo foi até a ante sala e voltou com dois pacotes em mãos.
- Eu sei que o senhor vai fazer discurso dizendo que odeia comemorar aniversários mas… Foda-se. Parabéns, Bakugou.
Kirishima encarou o chão enquanto oferecia a primeira caixa, com um laçarote enorme, para um chocado Katsuki. Esperou a rejeição. Mas ela não veio.
- É… Eu… Obrigado.
- Nem precisa abrir agora, eu sei que está ocupado. E… Tem isso também. Espero que goste.
Bakugou recebeu uma caixa de uma padaria muito famosa em Manhattan. Ele abriu e surpreendeu-se ao ver que havia uma mini torta de morango dentro. Não tinha ideia de como Kirishima havia descoberto que era seu sabor favorito, mas ele o fizera. De novo o surpreendera. O silêncio pairou entre os dois, que sequer conseguiam se olhar.
- Bom, já que eu entreguei tudo, vou indo. Espero que tenha um bom final de dia.
Disse o secretário com um sorriso leve no rosto. Ele afastou-se do chefe, que permaneceu imóvel, observando-o, e foi em sentido à porta do escritório, até que ouviu o metal que vinha dos altos falantes mudar para uma guitarra suave e sedutora, o som das primeiras notas de Let’s Get It On. PRECISAVA FUGIR DALI. A música tocada em seus sonhos era um indício de grande perigo, entretanto, não era mais perigosa do que a própria voz rouca de Bakugou o chamando.
- Kirishima!
O outro virou-se na direção da sala do chefe, encarando-o, agora de pé, encostado em sua mesa.
“NÃO, KIRISHIMA! NÃO FAZ ISSO COM VOCÊ. ISSO É UM CAMINHO SEM VOLTA”
- Sim?
Respondeu em voz suave, não confiando completamente em como ela iria sair.
- É… É só isso que você quer me dar, cabelo de merda? Ou vai fugir como naquele dia?
Eijiro encarava o editor de forma quase dolorosa. Os olhos castanho-avermelhados do outro pareciam convidá-lo silenciosamente. Sentia tanta vontade de…
Mal percebeu quando seus pés levaram-no até Bakugou. Seus lábios colidiram, finalmente acabando com todo o espaço entre eles. O loiro parecia afoito em aprofundar o beijo. Brincou com a língua em sua boca, quase como uma carícia rude. Ali estava. A sensação que ambos não conseguiam esquecer desde a última vez. As mãos do ruivo apressaram-se em passear pelas costas do outro, apertando, sentindo cada um de seus músculos abençoados pelas horas diárias na academia.
Sentiu a bunda ser agarrada sobre o tecido leve do vestido e o corpo ser jogado sobre a mesa de vidro, derrubando algumas revistas de pesquisa no percurso, e, além disso, amassando a torta que o outro havia deixado ali. Pouco importava. O editor puxou o corpo de Kirishima, fazendo com que mais torta fosse espalhada por sua bunda e costas, mas levando-o até sua pélvis, fazendo-o sentir seu membro duro contra a calça cara.
- Não é justo que só eu perca o controle aqui, cabelo de merda… Eu só penso nisso. Só penso em você, até quando não quero! PORRA! E essa merda pode me trazer tantos problemas… Mas eu sequer me importo.
O ruivo não deixou a provocação sair de graça.
- Quer dizer então que o senhor admite que pensa em mim voluntariamente?
- Não me chama de senhor, caralho. Para você, eu sou só Bakugou. Vê se acostuma.
Não houve muito mais tempo para conversar. O loiro puxou Eijiro da mesa e o jogou sentado em sua cadeira confortável, colocando-se por cima dele e rebolando sensualmente, em uma provocação clara. Dessa vez, foi o secretário quem o puxou pela gravata e o beijou intrepidamente. Ambos estavam mais duros que pedra, mas havia roupa demais no caminho. Bakugou tentou suspender o vestido longo de Kirishima, para que o encontrasse mais facilmente.
Foi então que Kirishima teve a ideia. Iria presenteá-lo de forma que jamais esqueceria.
Trocou de posição com o chefe, que tinha o rosto vermelho, os lábios brilhosos e inchados e um olhar confuso e excitado. Saiu de seu colo e abaixou-se entre suas pernas, abrindo o botão e o zíper do outro com destreza e expondo sua virilidade. Era grande, bonito, rosado. Perfeito.
- Kirishima...
- Não se preocupa, eu sou muito bom em tudo o que eu faço.
Sua língua foi a primeira a entrar em contato com o membro de Katsuki, dando pequenas lambidas pela ponta já gotejante do outro. Logo em seguida, engoliu praticamente todo o comprimento, tomando cuidado para não machucá-lo com seus dentes pontiagudos. Sugou com toda a vontade. Ele era gostoso em todos os sentidos. Cheiroso. Depilado. Olhou para cima enquanto ouvia os gemidos roucos vindos da garganta do loiro.
- PORRA, KIRISHIMA!
Bakugou arfava enquanto Eijiro o observava mergulhado em prazer. Não havia afrodisíaco maior do que aquele. Acelerou os movimentos de sucção, fazendo com que o loiro segurasse em seus cabelos, ajustando o ritmo, quase perdendo o controle.
- Se você… Não… Parar… Ah!
Mas era o que o ruivo desejava. Ir até o final com aquilo. Continuou até que suas bochechas ardessem e, ao sentir que Bakugou estava perto, rodeou a língua apenas na glande, o que fez com que, finalmente, pudesse extrair todo o prazer do outro. Fez questão de olhar para seu rosto e gravar todas as expressões que o loiro fazia. ERA TUDO DE MAIS MÁSCULO QUE JÁ TINHA EXPERIENCIADO NA VIDA.
O assistente passou a mão pela boca e levantou-se, ainda provocativo.
- Feliz aniversário, Seu Kacchan.
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DIARIO DO MIDORIYA
Querido diário,
Saí tão apressado do escritório ontem que deixei você lá. Tive que buscar uma encomenda para o Kacchan na USS, mas não encontrei o Todoroki, já que ele está viajando junto com o All Might.
Ontem foi aniversário do Kacchan e pensei que ficaria tudo bem desde que não tocássemos no assunto. Mas acho que o Kirishima não seguiu meu conselho e o Kacchan o assassinou.
Eu não faço ideia do que aconteceu na sala dele, mas parece cena de um crime. Pensei que talvez tivéssemos sido assaltados, mas nenhum assaltante deixaria uma caixa enorme contendo um par de crocs vermelho dentro e bolo espalhado por tudo quanto é canto.
Vejo perfeitamente a cena. Kirishima chegou com o presente de aniversário e Bakugou explodiu, jogou tudo o que pôde no chão e no pobre coitado do ruivo e ainda esfregou a cara dele no bolo. Espero que não tenha que fazer novas entrevistas e que o meu colega esteja bem. Não posso perder o meu projeto pessoal assim tão fácil.
Desenhei umas peças com exclusividade para a Ariel. Estou passando a madrugada acordado tentando costurar as peças. E com o alcance que ele está tendo, logo serei notado. Endeavor ligou para cá 7 vezes ontem procurando por ele e na vez que Kacchan atendeu, senti que as coisas não ficaram muito boas. Mas fé no pai, que o emprego de designer de moda sai.
Chapter 8: As Crocs vermelhas e o Aniversário do Bakugou - Parte 2
Summary:
Gente, sinceramente, não sabemos o que dizer. Muito obrigada por todo apoio que vocês nos dão e desculpem a demora para responder aos comentários (as aulas voltaram e estamos atoladinhas). SÉRIO. CROCS É NOSSO XODÓ E VOCÊS FIZERAM ASSIM.
Chega de papo e boa leitura! Esperamos que gostem!
Chapter Text
Bakugou ainda encarava o teto, sem sentir os dedos dos pés e muito menos os das mãos. A sensação do gozo ainda o entorpecia.
- Você… Gostou?
Ajeitou-se na cadeira tentando entender o que Kirishima estava dizendo. Não estava óbvio? Colocou as duas mãos no rosto do ruivo e puxou-o para um beijo profundo. O subordinado não sabia muito bem como corresponder, e Katsuki suspirava de forma impaciente, como se tentasse transmitir seu caos interior naquele beijo. Caos? Talvez fosse algo a mais também. O secretário se deixou levar pela sensação e entregou-se.
A sensação das línguas, a respiração ofegante, a necessidade de se tocarem além das roupas que ainda vestiam. Ambos já sabiam o que precisavam no momento. Bakugou estava determinado a fazer Eijiro sentir o mesmo que há pouco sentira, porém, no caminho de suas mãos às partes baixas do ruivo, ele foi impedido.
- Ei… Bakugou… Não… Não vamos fazer isso aqui.
O loiro pareceu voltar a si com as palavras do outro. Estavam na porra do escritório. Quase nunca perdia a cabeça, mas dessa vez, fora inevitável. Com Kirishima era inevitável.
Soltou-se do assistente, passando as mãos nos cabelos, tentando se reencontrar. Já estava duro de novo. Odiava estar assim.
Eijiro colocou as mãos nos bolsos do vestido, tentando disfarçar a própria ereção.
- Enquanto a gente se recompõe, porque você não… Abre o seu presente? O bolo já era. Mas eu pensei muito para comprar isso para você.
O editor abriu o pacote e algo em seu interior gritou silenciosamente. Crocs? Eijirou definitivamente havia enlouquecido. Inspirou. Expirou. Contou até 10.
- Você me deu um par de Crocs vermelho?
- É…
- Iguais aos seus ?
- É!
O chefe estava prestes a explodir quando o ruivo começou a se explicar.
- Eu pensei em comprar muitas coisas para você, mas não era nada a qual não tivesse acesso. Você poderia comprar qualquer coisa que quisesse! E eu comecei a pensar no que precisa. A gente passou um dobrado com a história dos jornalistas, estamos tentando fechar vários contratos. E você é competente, mas com sorte… As minhas Crocs vermelhas me deram sorte o suficiente para conseguir esse emprego e... bem, conhecer você. Eu quero que você tenha sortes como essas também.
Após aquela explicação, Bakugou já não sentia a raiva borbulhando. Pelo contrário, tinha certeza de que corava, e quis esconder, mas ao mesmo tempo, sabia que não precisava mais. Era necessário apenas agradecer.
- Obrigado…
- Mas… Você vai usar, né?
“COMO ELE ESPERA QUE EU USE ESSA PORCARIA HORRENDA?!”
- Você faz perguntas demais! Não me pressione tanto…
Kirishima sorria de orelha a orelha. Ele sabia que Bakugou havia ficado feliz com o presente. Só era… Difícil de traduzir o sentimento.
- Bom… Sei que já está tarde para isso, mas… Eu queria… Se você quiser ir para minha casa esta noite…
- É arriscado, cabelo de merda. Da última vez, os fotógrafos me pegaram saindo de lá. Por sorte não fizeram nenhuma conexão entre nós, mas não é algo impossível.
- É, você tem razão, foi um pedido bobo.
O secretário abaixou a cabeça e o sorriso desapareceu. Bakugou se odiou por aquilo. Precisava corrigir o mal entendido. Pegou o outro pela mão.
- Não foi a merda de um pedido bobo, está bom? E se entrássemos juntos na minha casa, de carro? Não tenho vidro fumê a toa. É o suficiente para nos proteger de olhos indesejados.
- Você… Está… Me convidando para sua casa?
- Se não quiser ir…
- CLARO QUE EU VOU! Há muitas coisas… Muitas coisas que quero fazer com você, “Seu Kacchan”.
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Kirishima percebeu o quanto a sua situação era incomum. Estava no carro de Bakugou. Com Bakugou. Literalmente e figurativamente. Sua mente divagava entre todas as possibilidades de coisas que poderiam acontecer. O olhar se perdeu, até que a aproximação súbita do loiro o surpreendeu.
- Você...
Ele inclinou-se sobre o secretário em apenas um segundo, que parecia correr em câmera lenta. Eijiro podia sentir o calor do corpo alheio, tamanha a aproximação. Rostos colados, respirações incertas. A mão de Katsuki deslizou por algum lugar. As pupilas de Kirishima dilataram e podia jurar que entraria em combustão espontânea até que ouviu a voz rouca falar baixo em seu ouvido:
- Precisa colocar o cinto de segurança, cabelo de merda.
Sentiu a faixa sendo puxada ao redor de si e ouviu o clique da trava, enquanto olhava para o pequeno sorriso no rosto de Bakugou. Não era um sorriso normal. Era um sorriso sacana.
Observou enquanto o loiro se aprumava no banco, colocando o cinto de segurança e dando a partida no carro. Ele era belo. Seus braços tinham veias grossas em contraste com os pelos finos e loiros que os cobriam. Os dedos seguravam o volante com firmeza, mas o ar era um tanto desleixado. Másculo. Tão másculo que mal podia respirar.
O ruivo se limitou a observar cada mínimo detalhe sobre o outro, enquanto Katsuki apenas olhava para frente, concentrado no caminho. O silêncio já começava a incomodar o motorista, que olhou de relance para o passageiro, viu seu rosto vermelho, seguindo seus olhos que pareciam quase perfurá-lo, e sua boca estava levemente aberta. Se o editor pudesse admitir que se sentia constrangido por aquele olhar, ele admitiria. Mas ainda era Bakugou Katsuki e não diria tão facilmente.
- Você… Está bem?
Perguntou o chefe.
- Ah! Claro! Er… Por que não?
Respondeu o ruivo, que pareceu acordar de um transe.
- Nada… Seu olhar pareceu um pouco perdido.
“Em mim” sua mente completou, mas as palavras não saíram da boca de Katsuki.
- N-Não é nada! Hehe. Podemos ouvir alguma música?
- Quer ouvir algo específico?
- Não… O que você quiser ouvir para mim está bom.
Bakugou tocou em algum botão no volante do carro, fazendo com que as luzes do rádio se acendessem. Kirishima podia ler no display que o bluetooth estava conectado ao celular do outro. Esperava ouvir qualquer música das playlists de heavy metal que sabia que Katsuki gostava tanto. Ledo engano.
“Come on, Vogue. Let your body move to the music”
Reparou no nervosismo e no desespero do chefe, que pressionou o botão no volante com mais firmeza do que seria considerado normal. A música mudou e o secretário de imediato reconheceu a voz de Lady Gaga. A expressão de Katsuki parecia se contorcer a cada palavra dita na música.
“We are the crowd, we're co-coming out,
Got my flash on, it's true
Need that picture of you
It's so magical, we'd be so…”
Apertou mais uma vez o botão com tanta força que o passageiro achou que ele seria capaz de quebrá-lo.
Na concepção de Eijiro, a música seguinte era ainda melhor. Aquelas músicas eram completamente másculas!
“I’m a barbie girl, in a barbie world. Life in plastic, it’s fantastic”
O rosto de Bakugou se tornou tão rubro que o secretário achou que ele fosse explodir. Não estava completamente errado. O chefe socou o volante tantas vezes que o rádio desligou-se por pura brutalidade. Já a buzina foi acionada de maneira atordoadora, fazendo com que ambos cobrissem os ouvidos.
Após alguns segundos pressionando todos os botões possíveis e batendo no volante, o som foi interrompido. O silêncio constrangedor se instaurou entre os dois novamente. O que usava Crocs tentou sair daquela situação com a primeira coisa que lhe veio à cabeça.
- Hm… E a sua mãe?
Kirishima viu o nariz do chefe torcer-se com a pergunta.
- O que tem ela?
- Er… Você tem falado com ela?
- Que porra de pergunta é essa? Porque eu ficaria falando com ela? Estou ocupado e ela também. Sempre foi assim.
- É que… Hoje é seu aniversário e…
- Aniversários não significam nada. Não há nada de especial.
- Mas… Não… Deixa para lá.
Kirishima pensou em todo o esforço que fizera por Bakugou e sentiu que talvez tivesse ido longe demais, afinal, o loiro nem sequer se importava com aniversários.
- Ela ligou para você, não foi?
- Não exatamente… Ela só…
- Não era para ela te envolver nessa porra… Olha, vou tentar falar com ela, está bem? Mas você tem que parar de fazer essa cara. E…
- E…
- Eu gostei do que fez por mim hoje. Não é porque eu não gosto de aniversário que eu não tenho apreço por toda essa merda que você fez. Obrigado.
O ruivo sorriu, exibindo os dentes, quase desconcentrando o motorista. Não conseguia resistir. Virou-se para a frente, evitando aquele olhar, corado. Como amava aquele sorriso.
Quando mal perceberam, estavam de frente para os portões. Bakugou apertou algum botão em um pequeno controle e os portões se abriram. Entraram na garagem e o loiro recomendou que Kirishima não saísse do carro até o fechamento total dos portões. O ruivo entendia que era uma questão de privacidade, mas se perguntava como era viver tendo que se preocupar com sua imagem.
Saíram do carro e, inesperadamente, Eijiro puxou Bakugou e pressionou-o de costas contra a capota ainda quente do carro, beijando seu pescoço e logo em seguida, virando-o para percorrer suas mãos camisa adentro, tocando os mamilos do loiro e massageando-os com certa pressa. Katsuki fechou seus olhos sentindo seu corpo esquentar com a fricção de sua bunda com o membro de Kirishima. Ele gostava da sensação, mas...
Aquilo tudo era… Um pouco demais?
Sentiu um tremor estranho e afastou-se do secretário, que fez cara de confuso. Achou que era o que o outro queria, mas, aparentemente, avançou algum limite que desconhecia.
- Bakugou? Está tudo bem?
- Olha… Eu… Só… Acho que nunca fiz isso, está bem? Ao menos, sei lá, sóbrio, eu espero…
O editor chefe também não podia dizer que não lembrava se os dois haviam ou não transado. Até porque, se houvesse ocorrido, ainda mais com Kirishima, gostaria de lembrar.
- Isso… O quê?
- Tudo isso. Eu nunca… Arg, não faz essas perguntas de merda.
- Mas… Deixa para lá.
- Eu já disse que não gosto de pessoas. No geral…
- Mas… Você… Posso assumir então que você gosta… De mim?
- VOCÊ AINDA PRECISA PERGUNTAR?
Dessa vez, o ruivo apenas deu um beijo suave em seus lábios. Sem segundas intenções. O editor sentiu-se derreter sob seu beijo.
“PORRA! QUE CARALHO EU ACABEI DE FAZER? NÃO ACREDITO QUE ME DECLAREI PARA O MEU SECRETÁRIO!”
Sua cabeça ainda estava confusa, mas seus sentimentos eram claros, e queria que, de alguma forma, Kirishima soubesse disso. Mas ao mesmo tempo, era embaraçoso falar sobre aquilo.
Os latidos de Brutus vindos de longe desfizeram a bolha onde estavam. Soltaram-se lentamente, voltando à realidade. Entraram na casa recebidos pelos pequenos pulos e grunhidos de ódio e tremedeira do cão. Bakugou apreciou como Kirishima agarrou o cachorro e abraçou-o sem se importar com a possibilidade de um ataque nervoso por parte do bicho.
- Você quer tomar um banho? Eu posso te emprestar alguma roupa ou…
- Por que você não vem comigo? Eu prometo, sem segundas intenções. A gente só, sei lá, se acostuma um com o outro. E, ah! Gasta menos água.
Katsuki sentiu que poderia lidar com aquilo. Seria apenas um banho e nada demais. Apesar de tudo o que aconteceu no escritório, estivera agindo apenas por instinto. Nem sequer estava preparado para o boquete que recebera. Não queria que as coisas avançassem em um ritmo o qual não tivesse como controlar.
Subiram as escadas, entreolhando-se.
- Você sabe onde a merda do banheiro fica. Eu vou pegar as toalhas e umas roupas.
As borboletas no estômago de Bakugou agitavam-se. Ele estaria pelado e Kirishima também. Mas talvez eles já tivessem se visto assim. Pensou em desistir, mas queria continuar. Pegou as roupas. Ir ou não ir? Bem… O que era um peido para quem estava todo cagado? E era só um banho! Pegou as roupas e saiu do quarto na cara e na coragem.
Quando finalmente chegou ao banheiro enorme, o vapor já cobria o ambiente. Foi em direção à banheira e teve uma visão que quase o derrubou no chão.
Kirishima estava de costas, levantando o vestido e tirando a cueca de forma lenta. Já sabia que ele era magro e musculoso, percebera nas fotos da U.A., mas aquilo… Vê-lo ao vivo, despindo-se em seu banheiro, entrando em sua banheira para tomar banho com ele… E AQUELA BUNDA! Bakugou não sabia se olhava para aquele monte de músculos, com aquelas covinhas laterais e tão… MASCULINAS.
Virou de costas e ouviu a voz do ruivo o chamando:
- Você… Não vem?
O loiro fechou os olhos. Inspirou. Expirou. Contou até 10. Ele era Bakugou Katsuki! e já tinha lidado com muitas situações piores que aquela!
Também retirou sua roupa, deixando-a no chão, e foi em direção à banheira. O sorriso que antes contaminava o rosto de Kirishima, desaparecera. Os olhos do ruivo não falharam em admirar o espécime de masculinidade que era Bakugou, porém, tentou ser o mais discreto possível para não constranger o editor. Tomou sua mão, entrando primeiro na banheira e convidando o outro para também o fazer.
O secretário sentou e Katsuki fez o mesmo, só que de costas, ainda visivelmente constrangido.
- Isso é estranho.
Disse Bakugou.
Eijiro não respondeu, sabia que o outro estava tenso, então levou às mãos aos ombros dele e iniciou uma massagem leve. Aos poucos, o editor se deixou relaxar e, sob as mãos habilidosas de Kirishima, acabou por acomodar-se em seu torso, segurando nas coxas definidas do ruivo.
- Bakugou… O que somos agora?
O silêncio que se seguiu era prova do quanto ainda havia para ser discutido. Eles nem sequer sabiam definir. Mas Eijiro entendia que para Bakugou ter deixado a barreira profissional de lado, não havia brincadeiras.
Eram namorados? Amantes? Patrão e empregado? Nada disso parecia definir bem aquela relação.
- Sinceramente… Eu não sei. Não acho que eu seja capaz de dizer com certeza mas… Eu gosto de você, tá legal? Acho que por si só, já é algo “especial”. É que, bem, você é espontâneo, autêntico e não tem medo de falar as coisas mesmo sabendo quem eu sou e a minha posição. E fica com esse sorriso idiota no rosto o tempo todo. Por hora, eu quero estar com você. Saber mais de você. Podemos, sei lá, estabelecer alguns limites e ver o que acontece.
- Era o que eu queria ouvir. Eu também gosto de você. Acho que nem preciso dizer muita coisa, já que sempre estou em posição de te admirar, Seu Kacchan.
Bakugou virou-se e encarou Kirishima. Seu olhar era intenso, mas não exibia nenhuma raiva.
- Me chama de Bakugou, porra…
O loiro avançou para os lábios de Eijiro. Aquele homem o tirava do sério de todos os jeitos possíveis. Passou os braços por seus ombros e o abraçou apertado. Sentia o coração bater enlouquecidamente e em resposta, o ruivo também o abraçou de volta. Não muito tempo depois o editor sentiu a ereção de Kirishima e cessou o beijo. Aparentemente, era difícil controlar.
- Er… Desculpa. Eu não queria te assustar.
- Tudo bem. Aconteceu comigo algumas vezes em situações e lugares inconvenientes para caralho. E foi tudo culpa sua, cabelo de merda.
Respondeu Bakugou esboçando um sorriso.
- Até minha honra está dura agora… Vem, vamos sair. Estou ficando enrugado e nem um pouco másculo.
Ambos saíram da banheira, secaram-se e vestiram-se rapidamente, já que o frio começara a incomodar. Foram até o quarto e Eijiro percebeu a diferença entre a decoração do banheiro e do quarto de Bakugou. Tudo era muito antisséptico. Nada de linhas chamativas ou móveis extravagantes. Paredes em tom gelo, lençóis escuros. Nem mesmo havia uma televisão. Apenas alto-falantes embutidos no teto e cortinas translúcidas na porta de vidro. No chão, uma caminha aconchegante onde Brutus já dormia.
- Eu sei o que você está pensando. É que eu… Tenho dificuldade para dormir, entende? Quanto menos coisas à minha vista, menos preocupações desnecessárias.
Kirishima imaginou o quão estressante era ser o responsável pela maior e mais consagrada revista de moda. Tantas pessoas dependiam do trabalho de seu chefe e ele nunca falhou em lhes dar o melhor conteúdo. Era realmente um homem digno de sua admiração.
- E quanto ao alto falante?
- Eu gosto de metal, você sabe.
- É… Sei bem...
Bakugou foi o primeiro a se deitar. Cobriu-se com o edredom grosso e deixou o outro lado vazio. Estava nervoso. Jamais havia dividido a cama com qualquer pessoa, então, resignou-se a virar de costas e esperar pelo desenrolar das coisas. Sentiu o peso do ruivo ao deitar na cama, mas a aproximação não aconteceu.
Ficaram em silêncio por minutos, sem saber muito o que dizer, até que o loiro resolveu quebrar o silêncio e sanar a dúvida em sua mente.
- Kirishima, nós já transamos?
- Como assim, você mesmo disse que nunca…
- É que naquele dia no seu apartamento, eu, bem… eu acordei pelado e você estava só com aquela merda daquela toalha, eu achei que…
- Não… Não! Você estava bêbado… E muito másculo, cá para nós. E bem, nós estivemos em algumas situações bem desconfortáveis. Você meio que dançou tirando a roupa e…
A única memória sobre o ocorrido retomou a cabeça do editor-chefe, que foi consumido pelo monstro da vergonha.
- Tá, tá, tá bom, tá bom. Já pode parar. Não quero lembrar dessa merda.
- ...E você tomou banho sozinho, eu nem tirei suas roupas nem nada… Eu deixei uma muda de roupas para você, mas… Bem, você saiu do banheiro pelado. E eu cobri você. Não aconteceu nada. A gente só se beijou naquele dia, aqui. Eu tenho evitado ouvir Bee Gees para falar a verdade. E olha que eu gosto muito de Bee Gees. Depois daquilo, todas as vezes que ouvia, eu só conseguia pensar em você. Mas eu estava com um pouco de medo das coisas que eu estava sentindo, acho.
- Eu também estava, mas fiquei com raiva de você simplesmente ter me deixado aqui, assim. Foi só a merda de um beijo. E estava chovendo e escuro.... Se nós tivéssemos conversado naquele dia, sei lá, teria me evitado muito stress.
- Desculpe por isso.
Os dois encararam o teto, tímidos, silenciosos. Katsuki não conseguia pregar os olhos com o assistente tão próximo.
- Bakugou?
- Hum.
- Você já dormiu?
- Ainda não. O que foi?
- Posso colocar uma música? Eu realmente sinto falta de ouvir Bee Gees…
- É Bluetooth, só conectar.
Kirishima pegou o celular e em pouco tempo “How Deep Is Your Love” começou a sair dos auto-falantes.
“I know your eyes in the morning sun
I feel you touch me in the pouring rain
And the moment that you wander far from me
I want to feel you in my arms again”
(Conheço seus olhos num sol da manhã
Sinto seu toque numa pesada chuva
E no momento que você vai pra longe de mim
Eu quero sentir você em meus braços novamente)
Bakugou percebeu a movimentação de Eijiro na cama e sentiu seu dedo mínimo colar de leve no seu. Seu rosto aqueceu-se pelo fluxo de sangue. Não resistiu e colocou a mão do outro sob a sua, entrelaçando os dedos.
“And you come to me on a summer breeze
Keep me warm in your love, then you softly leave
And it's me you need to show
How deep is your love”
(E você vem a mim numa brisa de verão
Mantém-me aquecido no seu amor, depois suavemente parte
E é pra mim que você precisa mostrar quão profundo é seu amor)
O editor fechou os olhos, mas sentiu que precisava de mais.
- Kirishima?
- Sim…
- Quero abraçar você.
“Is your love, how deep is your love?
I really mean to learn
'Cause we're living in a world of fools
Breaking us down when they all should let us be
We belong to you and me”
(É seu amor, quão profundo é seu amor?
Eu realmente preciso aprender
Porque nós vivemos num mundo de idiotas
Nos jogando para baixo
Quando deveriam nos deixar ser
Nós pertencemos a você e eu)
Um sorriso espontâneo tomou os lábios do ruivo, que virou de lado, puxando a mão de Bakugou, apoiando o braço do outro sobre a sua cintura.
- Assim está melhor?
Sentiu o chefe passar o nariz por seu pescoço e apoiar a cabeça ali. As pernas misturaram-se de maneira espontânea e Bakugou adormeceu, como em muitos anos não conseguia fazer.
*******************
Chapter 9: Os chinelos Crocs, o avental de cupcakes e o cheiro de molho de tomate
Notes:
Oi gente, desculpa a demora. Nós estamos nos dedicando ao fim da graduação e com isso nosso cronograma está mais devagar. Esse capítulo acabou sendo uma pré do que a gente realmente pretendia e esperamos que vocês gostem!
Chapter Text
Bakugou estava puto. PUTO. E não eram nem 8 da noite. Havia se vestido como um meliante e deixado o carro bem longe da casa de Eijiro para passar despercebido. Ao passar a pé pela rua, olhou para o poste que socara e xingou internamente até a sua última geração.
O boné incomodava, o casaco preto era largo demais e os óculos escuros, à noite, o impediam de enxergar um palmo à sua frente. Embora estivesse de colete cinza e camisa social por baixo, era necessário o disfarce. Não podia deixar a mínima suspeita sobre seu relacionamento extra-empregatício com o secretário. E bem… Kirishima havia praticamente implorado que fosse até seu apartamento, alegando que precisava de sua presença ali, em um sábado à noite. Esgueirou-se pela portaria, tentando não ser notado pela porteira.
- Boa noite, Seu Bakugou! Pode subir, Seu Kirishima já está te esperando.
O loiro rosnou alguma resposta, ao menos, educada. Tomou o elevador para o quinto andar e finalmente apertou a campainha, liberando um som estridente. Retirou o boné e tentou ajustar o cabelo como pôde, olhando-se no espelho comprido no hall. Virou-se rapidamente quando ouviu a porta sendo aberta, e foi surpreendido pelo ruivo sorridente, usando um avental repleto de desenhos de cupcakes, usando chinelos Crocs, e exalava um cheiro adocicado de molho de tomate.
Kirishima o puxou para dentro do apartamento de maneira tão rápida quanto o coração do editor batia. Ele sentiu-se pressionar contra a porta e a respiração do outro se aproximar. Queria beijá-lo. Muito. Mas o secretário parecia apenas querer provocá-lo. Avançou sobre os lábios do ruivo ferozmente, agarrando-o pela cintura, roçando as bocas e usando a língua como sua maior arma. Se Eijiro o deixava daquela maneira, faria o mesmo com ele. Aproveitou-se do sabor enquanto pôde.
- Bakugou… Eu…
O loiro entreabriu os olhos e exibiu um sorriso orgulhoso durante o beijo, pelo outro não conseguir concluir a frase.
- Você…
Kirishima agarrou suas mãos, tentando se soltar, enquanto o outro começava a saborear a pele do seu pescoço.
- Eu… Eu… Preciso voltar para a cozinha.
O chefe libertou o subordinado de seu abraço, um pouco irritado, contudo, curioso.
- Você cozinhou para mim? Não precisava dessa merda toda...
- Eu pensei que talvez você sentisse falta de uma boa comida caseira, já que praticamente todos os dias você come fora. Surpresa!
- Eu… Hm… O que você fez aí?
- Eu sei que você não come carne vermelha e que sua dieta tem algumas restrições, então eu fiz uma lasanha de berinjela.
Bakugou virou o rosto e sorriu, tentando esconder a satisfação.
“É… Você é perfeito mesmo.”, pensou.
- Fica à vontade. A casa é sua. Estarei na cozinha terminando as coisas e já estarei de volta. Se quiser, pode dar uma volta e olhar a decoração muito bem pensada que fiz para meu apartamento.
Bakugou ainda se recordava de alguma coisa ali. O rádio antigo na estante presente em seus flashbacks, o sofá desconfortável, a mesa pequena e… A poltrona com estampa do Romero Britto?!?!?!
Ou estava muito insano quando deixou o apartamento ou aquilo era novidade. A poltrona destacava-se completamente na sala que era até charmosa (se não fosse por aquilo). Acomodou-se ali, para evitar olhar. Ao fundo “Careless Whisper” tocava baixinho, mas era agradável. A sala estava à meia-luz e na mesa de jantar tinham algumas velas.
Isso tudo era para criar um clima? Katsuki definitivamente não estava pronto para lidar com aquele empenho todo. Levantou-se, apagou as vela e procurou pelo interruptor. Assustou-se quando o outro apareceu na porta da cozinha.
- Está tudo bem aí? O que houve com as velas?
O editor, apesar de nervoso, tentou demonstrar naturalidade.
- Essa porra desse vento que apagou.
- Mas… As janelas estão fechadas...
- É melhor evitar acidentes. Vai que o vento alastra o fogo?
Eijiro considerou a resposta aceitável.
- Eu posso mudar de música? Acho que consigo mexer nessa velharia.
- Er… Claro!
Mas o editor não sabia fazê-lo. E quando percebeu, havia piorado ainda mais a situação, pois a música que tocava agora claramente fazia parte da coletânea de músicas românticas da Sade. Começou a esbravejar todos os palavrões que conhecia.
- Aconteceu alguma coisa?
O chefe sentiu a espinha gelar. Não queria demonstrar o pavor que estava. Aquilo era um encontro. Romântico. Não que não se sentisse à vontade com Kirishima, mas…
- Bakugou?
- Não… É… Não! Você… Ainda vai demorar muito aí?
- Prometo que já vou te fazer companhia. Eu tenho um vinho, se quiser…
Considerando toda a situação atípica, talvez o álcool o ajudasse a se comportar propriamente.
- Enche uma taça para mim.
- Faz um favor, então? Eu comprei um saca-rolhas, mas deixei em uma sacola em cima da minha cama. Você pode buscar? Estou só terminando de arrumar umas coisas aqui.
- Posso.
- É a primeira porta à esquerda, no corredor.
O loiro andou pelo conhecido corredor, no qual lembrou-se de Kirishima vestido de unicórnio e…
“PUTA QUE PARIU!”
Havia caído por cima do outro e sequer lembrava disso. Cada passo naquele apartamento só lhe trazia péssimas memórias de seu descontrole. Adentrou o quarto à esquerda e procurou pelo interruptor perto da porta, acendendo a luz do aposento. Para sua surpresa, não era tão espalhafatoso quanto imaginara. A cama estava coberta por um cobertor e lençol pretos, com estampa de rosas vermelhas. Era brega, mas sempre poderia ser pior, como uma estampa de Crocs, por exemplo. Combinava com Kirishima e o estilo do quarto.
As paredes tinham tons em gelo e nem sequer estavam decoradas com papéis de parede do Romero Britto. Os móveis eram sóbrios e reconfortantes. Mas, como nada é perfeito, assim que virou-se, deu de cara com o maior quadro que já vira em uma casa. Tinha quase o tamanho da parede inteira.
ERA UMA ÚNICA E SOLITÁRIA CROCS VERMELHA.
GIGANTE.
O editor levou alguns minutos para absorver a informação. Em um fundo preto e branco, como filmes antigos, apenas o vermelho sobressaia.
ERA UM PESADELO. E, ao mesmo tempo, era a cara do Kirishima.
Não sabia se ria, se chorava ou se jogava aquela coisa pela janela. Inspirou, expirou, contou até 10. Tentou ao máximo ignorar aquele “troço”. Era o quarto de Kirishima, e não o escritório. Naquele lugar, ele dava as cartas e era o chefe.
Bakugou voltou à cama e iniciou a busca pelo item dentro das sacolas de compras. Após retirar uma camisa xadrez com cara dos anos 90 e mais dois pares de Crocs horrendos, achou o saca-rolhas, que, era óbvio, tinha formato de tubarão. Era arrojado. De bom gosto, até.
Voltou para a sala/sala de jantar e viu Kirishima colocando a lasanha no centro da pequena mesa. Os pratos estavam cuidadosamente posicionados e tudo parecia perfeito. As velas foram reacendidas, aumentando seu nervosismo.
Nunca tivera um encontro como aquele. Romântico… Pessoas sempre foram uma chateação, mas ali estava ele. Disposto a compartilhar de si, com outra pessoa. Com seu secretário. Não. Com Kirishima. O homem que colocou seu mundo de cabeça para baixo.
- Ei… Você está bem? Seu rosto está vermelho… Nem começamos a beber ainda.
- N-Não é nada. Estou bem. Vamos comer, cabelo de merda.
Respondeu, esboçando um sorriso quase imperceptível.
O secretário serviu as porções e o vinho, e sentou-se ao lado de Bakugou.
- Eu não sei se você vai gostar… Pode parecer bobagem, mas é a primeira vez que eu faço um jantar desses para alguém especial. Eu não sei exatamente como agir ou…
- Está perfeito, Kirishima. Tudo perfeito.
Perfeito era o sorriso que o outro mostrou perante a resposta. Ou ao menos assim, pensou Bakugou. Não tinha como dar errado. A comida estava saborosa, o vinho não era dos melhores, mas dava para o gasto. O ruivo fazia questão de falar amenidades para distraí-lo. Era gostoso sentir-se tão confortável com alguém.
E assim beberam uma, duas, três taças de vinho. O assistente contou-lhe sobre o estudo no exterior, sobre sua avó, sobre seus amigos… E o editor estava ávido por tudo o que envolvia o homem que estava à sua frente. Deu-lhe um estalinho envergonhado. Não imaginou que vez alguma na vida podia sentir-se assim.
- Vem, Bakugou. Vamos para o sofá.
Se o nervosismo do loiro havia passado durante o jantar, ele voltou com tudo ao ouvir aquela proposta. Kirishima tomou sua mão, levando na outra o vinho e as taças, e ambos sentaram-se no sofá apertado. O ruivo serviu as taças, e o conteúdo foi sorvido com relativa rapidez. Evitaram o olhar por um tempo, mas, não por muito. Eijiro não se permitiria perder aqueles momentos preciosos com a pessoa que gostava. Tirou a taça vazia das mãos de Katsuki, colocando-a sobre a mesa de centro, entrelaçando seus dedos com os do outro, que parecia envergonhado com aquela manifestação de afeto.
- Está tudo bem? Não quero que se sinta obrigado a nada. Se não gostar de alguma coisa, pode me…
Antes que pudesse terminar a frase, Bakugou uniu seus lábios de forma lenta, colocando sua outra mão nos cabelos vermelhos e macios, como uma carícia. O ruivo suspirou ao sentir o toque. Era claramente uma tentativa do chefe de demonstrar seus sentimentos, já que não era muito bom com as palavras. Usaram apenas os lábios, fazendo sons estalados e molhados. Estavam totalmente entregues às sensações daqueles beijos. O loiro foi o primeiro a ficar sem fôlego. Separaram as bocas, mas as testas mantiveram-se unidas e as respirações sincronizadas. Pareciam em algum tipo de feitiço.
Kirishima desejava mais, mas queria que a iniciativa partisse do parceiro. E ela veio. O chefe colocou-se sobre ele, comprimindo os corpos e misturando as respirações.
Foi quando a campainha tocou, transformando todo o tesão acumulado em Bakugou em ódio.
- PUTA QUE…
- Shiiii. Se a gente ficar quieto, pode ser que vá embora. Não deve ser ninguém importante...
Os dois aguardaram em silêncio, mantendo a expectativa. Quando o secretário deu sinal de retomar o beijo, o barulho voltou a ser ouvido.
- A gente… Pode… Só… Ignorar.
Disse pausadamente entre o contato dos lábios.
- EU SEI QUE VOCÊ TÁ EM CASA, KIRISHIMA. A Uraraka me disse que você estava. E se você não lembra, eu sei onde fica a sua chave reserva…
O ruivo levantou-se apressando, derrubando o chefe no processo.
- JÁ VAI.
- Não vai não, Kirishima. Era para ser a merda da nossa noite e...
- Ele vai entrar. E não vai ser nada legal se ele pegar a gente assim. Leva o vinho lá para dentro enquanto eu tento despistar ele.
Bakugou grunhiu raivosamente e Eijiro correu até a porta, surpreendendo Kaminari que já estava com a chave estendida.
- Kirishima!!! Eu vim te buscar para gente ir naquela boate nova, lá no centro, a Sound Check. E não quero desculpa! Você tem me enrolado desde que voltou. Aquele seu chefe cretino que te escraviza não vai poder nos atrapalhar hoje! Nem no aniversário da Mina você me acompanhou! Seremos como nos velhos tempos! Calma… O que você está fazendo aí, e… Está passando brilho labial?
- Ah! É! Manteiga de cacau, sabe?
O agente de empregos tentou bisbilhotar por cima do ombro do morador.
- Aquilo são… Velas?
- Para espantar os mosquitos!
Kaminari passou por Kirishima na porta, de maneira rápida, apavorando o outro.
- E tem duas taças de vinho na sua mesa… Eu sabia que você estava me escondendo alguma coisa! Você está com alguém?
Foi quando foi surpreendido pela voz do editor chefe da UA.
- Está comigo. O chefe cretino que escraviza ele.
O amigo de Eijiro paralisou diante da expressão raivosa de Katsuki, virando na direção dele e rezando para que sua reputação não fosse totalmente arruinada por aquele “desentendimento”.
- Érrrr. Foi no bom sentido! Todo mundo sabe como você é um cara dedicado, não é? E é só um sábado à noite… Com vinho e música lenta.
- Eu gosto de trabalhar assim, algum problema? Você acha mesmo que eu perderia meu sábado aqui se não fosse algo importante?
Denki estranhou por alguns momentos, mas logo recordou-se de que Katsuki era famoso por ser o chefe-diabo e fazer seus funcionários trabalharem além do horário normal. Também não desafiaria nada dito por Bakugiu.
- Ah! Claro! Faz sentido. Que bom que o trabalho hoje em dia é super informatizado e dá para fazer pelo celular, não é? Nem mesmo papéis vocês trouxeram… Incrível.
Kirishima percebeu o tom sincero do amigo e aliviou-se. Ele havia acreditado sem questionar. E ao mesmo tempo que notou que o chefe ainda estava irritado (apesar de não ser nenhuma novidade), havia algo diferente em sua expressão.
- E nossa, Kirishima, você fez a tal da lasanha de berinjela! Vou pegar um pedaço aqui, 'tá com uma cara ótima! Eu trouxe uma garrafa de vodka para a gente fazer um esquenta, mas já que você não tem tempo eu...
- Ele tem sim.
Eijiro assustou-se com a resposta imediata do editor. Bakugou queria que ele fosse?
- Tenho?
- Tem sim. Nós já estamos acabando aqui de qualquer forma…
- Nós estamos?
- Estamos! E acho que não seria uma das piores ideias. Conheço a dona dessa boate, e eu talvez possa conseguir algumas entradas vip para vocês.
Kaminari sentiu-se eletrizado pela resposta.
- Sério?! Que irado! Vou ligar para a galera agora mesmo! Com licença…
Respondeu o amigo do secretário, animado.
Assim que o agente de empregos virou-se para ligar, Kirishima aproximou-se do editor. Admirava o gesto do outro, mas desejava passar mais tempo em sua companhia.
- Eu pensei que você quisesse ficar aqui comigo.
- E quero. Mas esse idiota aí tem que acertar alguma vez. Eu te faço trabalhar um pouco demais.
- Mas eu preferia me divertir aqui com você e…
Bakugou suspirou pesadamente. Queria passar tempo com o ruivo, mas não era o tipo de pessoa que tentaria privar o parceiro da companhia dos amigos. E também, ainda estava nervoso com tudo aquilo. Mas se…
- Bom… Nada me impede de ir também nessa porra de boate…
Os olhos de Eijiro se iluminaram ao ouvir aquilo. Se o editor fosse também, poderia raptá-lo no meio da noite e desfrutar de sua companhia propriamente.
- É uma ótima ideia! Eu só preciso me arrumar primeiro e…
- Ei, cabelo de merda… Teremos que manter as aparências. Não podemos transparecer nada para os seus amigos ou qualquer pessoa da boate.
- É claro! Muito obrigado, Bakugou!
O ruivo apressou-se para abraçar o outro, mas recebeu um alerta silencioso do loiro para que não fizesse aquilo na frente de Kaminari.
O amigo do secretário retornou, sorrindo de lado a lado.
- Os dois toparam! Agora, Kirishima, vá se trocar. Ou você acha que vai conseguir pegar alguém de regata e moletom?
O assistente desesperou-se. Viu a veia na testa de Katsuki saltar. Já era, ele ia destruir seu apartamento. Rezou pela alma do amigo e respondeu o mais rápido que pôde.
- Acho que não é muito a minha no momento… Mas eu tenho que estar bem arrumado ainda mais acompanhado do meu… Chefe!
Frisou a palavra chefe e o outro entendeu a mensagem, virando-se de costas e surtando mentalmente.
- É sério que o Bakugou vai com a gente? Somos quase subcelebridades! Vamos lá para dentro. Eu te ajudo a escolher o que vestir.
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Uma coisa era lidar com Kirishima, outra coisa eram aqueles dois. Não se dava muito bem com pessoas e não era à toa. A garota de cabelo rosa falava demais e o outro cara estranho parecia bem atrapalhado.
Os dois estranhos desafiavam-se a beber a vodka que Kaminari trouxera, de maneira irritante. Ou Kirishima saia daquele quarto ou precisaria beber para passar por aquilo. Pegou a garrafa e despejou parte do conteúdo na boca, sentindo o líquido queimar a garganta quando desceu, impressionando os dois à sua frente. Sorriu ladino. Era a pior vodka que havia tomado na vida. Aquele realmente era um clube de idiotas. Já começava a entreter-se quando ouviu:
- Já podemos ir?
“Qual era o problema desse cara com tule?”, perguntou-se Bakugou.
A camisa preta tinha alguns detalhes em flores vermelhas, deixando o tronco totalmente à mostra. Os braços fortes se destacavam, assim como os pequenos mamilos amarronzados. Pelo menos fazia sentido com a calça jeans preta e com as Crocs vermelho brilhantes horrendas. O cabelo estava para cima como de costume e bem… Eijiro estava lindo. LINDO. Mas quando não estava?
- KIRI! Você está tão… Másculo!
A única mulher no recinto correu para abraçar o amigo, beijando o rosto de maneira amorosa.
- Não seja modesta, Mina. Ele está muito pintoso. E eu nem precisei intervir. Vai conseguir o homem que ele quiser.
Kaminari respondeu.
Eijiro viu o chefe rosnar. Se as coisas ficassem assim, logo os outros suspeitariam. Tentou despistar.
- Cadê aquela vodka? Não era para a gente beber antes de ir?
Pegou a garrafa das mãos de Sero e bebeu diretamente do gargalo, finalizando-a e fazendo Bakugou balançar a cabeça positivamente de orgulho.
Mal sabiam eles que a noite mais louca de suas vidas estava só começando.
Chapter 10: As Crocs de Pedra vermelha e os camarões gigantes
Notes:
Notas iniciais:
Finalmente voltamos, anjos. Desculpem a demora, pois é muito complicado escrever durante o período. Bom, mas aqui estamos para a noite maluca que prometemos. Esperamos que curtam!
Chapter Text
Assim que desceu do uber, Bakugou sentiu seus dedos dormentes, a cabeça leve e percebeu que a imagem estava fora de foco. Precisava se fixar em alguma coisa e nada melhor que os cabelos vermelhos e altos de Kirishima. Aquele penteado era uma merda. Mas até que não ficava ruim no secretário. O editor até achava bem interessante daquela ótica.
Como possuíam ingressos VIP, entraram rapidamente na boate. Eijiro estava sóbrio suficiente para notar que Kaminari também já não estava muito bem, e abraçava Sero e Mina, jogando-os para qualquer direção. O editor célebre estava logo atrás de si, mantendo uma distância saudável para as aparências.
A dona do lugar, Kyoka Jirou, foi de encontro aos convidados de Bakugou, estranhando a quantidade de pessoas ao redor do loiro, porém, ficava feliz em ver que ele tinha outras interações sociais que não ela ou Midoriya.
- Sejam bem-vindos ao Sound Check! Eu sou Jirou, a dona e manager daqui. Espero que curtam a noite!
No mesmo momento, os olhos de Kaminari arregalaram-se. Não tinha ideia do motivo, mas estava na frente da mulher mais estilosa e foda que já havia conhecido. Ashido percebeu a perturbação nas ondas cerebrais do amigo e deu-lhe um beliscão em alerta, que quase o fez pular.
- O-Obriiiigado… Porrr shabe? Nosh recheberrr…
Disse Denki, de forma enrolada. Em consequência de seu hálito alcoólico, Kyoka virou um pouco seu rosto para não receber as rajadas diretamente.
- Shóó posso istar cum um anxu na frentii.
Kirishima segurou a manga de Bakugou ao percebê-lo irritado com a atitude inocente de Kaminari. Sabia que o elogio era sincero e não fazia por mal. Encarou o chefe na tentativa de tranquilizá-lo, mas não esperava pela reação do outro. O estado era quase crítico. O editor arreganhou a boca mostrando todos os dentes em algo que sequer poderia ser chamado de sorriso. Era assustador. O ruivo soube na hora que precisava sentá-lo em algum lugar e fazê-lo beber água.
- Oi, dona Jirou! Tudo bem? Tem algum lugar um pouco mais reservado no qual a gente possa sentar um pouco?
- Ah! Claro! Reservamos uma área VIP para vocês. Já que é a primeira vez do Bakugou aqui, a primeira impressão é a que fica, não é? Venham por aqui!
O grupo seguiu a mulher de cabelos preto-azulados, Cheap Thrills tocava alto enquanto as pessoas já se aglomeravam. A decoração envolvia luzes multicoloridas e discos antigos, pairando entre o moderno e o contemporâneo. Não era à toa que a boate havia recebido avaliações positivas. Subiram ao andar da cabine do DJ, porém, indo na direção de uma sala de portas fechadas e vidros pretos.
Ao entrarem no local, todos, com exceção a Bakugou e Kyoka, se viram em um daqueles filmes de gente rica. Garrafas de champanhe Chandon e Vodka em baldes de gelo, espalhadas por todo o lugar, camarões maiores que o braço de um bebê, profiteroles, presunto ibérico, damasco e brie. Além da comida inacreditável, sofás de couro e poltronas para receber muitas pessoas. Era mais luxo do que os Kirimigos já haviam experimentado na vida inteira.
A dona da boate se aproximou do amigo enquanto os outros distraíam-se com o luxo.
- Bakugou, sinta-se à vontade. Não é todo dia que você decide deixar de ser antissocial e ficar trancado naquele escritório.
Ela se abaixou e sussurrou.
- Só me promete que nunca mais traz aquele esquisitão.
Ela apontou para Denki, que ainda parecia embasbacado ao olhá-la, com um pedaço de camarão na boca.
- Eu só quis fazer a vontade do Kirishima. Não sabia que ele andava com tantos idiotas. Mas ele também é um idiota. Um idiota com um sorriso lindo e um cabelo de merda. E que porra, gosta de tule. TULE!
- Quem é você e o que fez com Katsuki? Desde quando você quer fazer a vontade de alguém?
- Você está falando demais. Eu… Não!
- Eu não acredito! Você gosta dele!
- Cala a boca, gótica falsificada.
- Falou o cara que ouve Avenged Sevenfold mas que a música favorita é Barbie Girl. Eu acho ótimo você finalmente estar gostando de alguém. Você realmente precisa se soltar um pouco!
Era irritante como Jirou o conhecia. Sem conseguir negar, em sua sinceridade bebum, o loiro sacou uma das garrafas de champanhe, já aberta pelos acompanhantes completamente enlouquecidos, e começou a beber diretamente da garrafa, como havia feito com a vodca. Mas era claro que o caminho de um bêbado era torto. Derramou o líquido claro por toda sua roupa.
Em um outro canto, Kaminari estava com um dos braços apoiado no sofá, enquanto tentava mastigar o maior camarão que havia visto na vida.
- Kirishhhhima, preista ateinção. Ela ainda num shabe… SHHHHHHHH, NAUM ISHPALHAA!
Esticou o braço e colocou o dedo indicador, provavelmente não muito limpo, selando os lábios do amigo, e continuou:
- Eu ainda vo casaaaarrrr cum esha mulé. She esshes camaraum viere junto, caso até duash vezish.
Ele disse dois, mas mostrava quatro dedos. Percebeu que não conseguia sequer contá-los e desistiu. O de cabelos vermelhos se arrependeu amargamente de ter permitido que Bakugou o desafiasse a beber a garrafa de conhaque velha que estava na estante de sua casa fazia muitos anos. Suspirou.
Foi quando teve sua atenção voltada ao chefe, que ria de forma ensandecida, enquanto banhava-se em champanhe. Correu até ele, retirando a garrafa de suas mãos e trocando-a por uma das de água mais próxima. Não que Katsuki houvesse percebido. Agora precisava cuidar de dois. Odiava ser o sóbrio do rolê.
- Com licença, no momento, VOU ME JOGAR NA PISTA DE DANÇA! Vem comigo Sero, É HOJE QUE TU PERDE ESSE BV!
Gritou Ashido, enquanto abraçava-se com a garrafa de Chandon e puxava Sero pelo pulso.
- Mas eu não…
Ambos saíram e logo Denki também sumiu de vista. Kirishima se sentiu encurralado. Estavam em local público e sabia o quanto Katsuki poderia ser intimidador (e másculo) quando ingeria álcool.
- Eu tinha odiado a sua camisa até perceber que você é o tipo de infeliz que pode vestir qualquer coisa e continuar impecável. Ela é até sexy… E máscula.
O secretário se afastou quando percebeu que o editor inclinava-se sobre si. Sentiu um arrepio ao ouvir a palavra "máscula". O editor a havia dito apenas para provocá-lo.
- O-Obrigado… E combinava com essas Crocs…
- Claramente tinha que ter uma Crocs por trás disso. Sabe o que me irrita mais?
O ruivo engoliu seco. Bakugou não desistira de se aproximar, chegando próximo ao seu ouvido, dizendo de forma sussurrada:
- Você não perde a compostura não é? Como a gente vai brincar desse jeito, hein?
Kirishima sentiu o calor subir até suas bochechas. O coração descompassar. Queria gritar internamente. Bakugou havia dito apenas meia dúzia de palavras e só isso era suficiente para desestabilizá-lo. Mais exatamente, deixando-o duro.
O chefe inclinou-se, tomando os lábios do outro com ferocidade, fazendo o ruivo perder um pouco a órbita. A agressividade do beijo era deliciosa. Os dedos de Katsuki apertavam fortemente seus músculos, incentivando-o a avançar. Arrependeu-se do momento que concordou em sair de casa. Em pensar que os dois poderiam estar tendo um momento mais "íntimo". As pernas do bêbado já ameaçavam se sobrepor às suas. Respirou fundo.
- Bakugou… Nós estamos em público.
- Não estou vendo ninguém além de nós dois aqui.
Para a surpresa de ambos, uma cabeleira loira e bagunçada começou a aparecer lentamente atrás do sofá. Kaminari levantou-se com 2 camarões na boca e mais 1 em cada mão, sem proferir uma palavra sobre a cena protagonizada pelos dois do sofá e saiu da sala cambaleando.
Kirishima e Bakugou olharam-se apreensivos. No fundo, torciam para que o outro esquecesse de tudo na manhã seguinte.
- Você acha que ele… Ouviu?
Kirishima perguntou.
- É… Parece que teremos que dar um sumiço nele…
- Bakugou!
- O que é?
- Você não está falando sério, não é?
- Você nunca vai saber.
O loiro deu de ombros e tentou voltar a beijá-lo, mas foi interrompido.
- Acho melhor a gente descer.
Sugeriu o secretário.
A frase deixou o outro amuado, mas logo esqueceu o sentimento quando a mão do ruivo pegou a sua com firmeza, fazendo com que seus dedos se entrelaçassem.
Deixaram a sala rapidamente, tropeçando em um casal que se agarrava fervorosamente na escada e pareceu não se incomodar. Bakugou reconheceria aqueles cabelos verdes em qualquer lugar.
- Deku de merda, Deku maldito!
Izuku ainda beijava Todoroki quando ouviu os esbravejos. Pensou ser coisa da sua cabeça, afinal conhecia Katsuki anos demais para saber que ele não frequentaria aquele tipo de boate. Abriu os olhos sem interromper o beijo, apenas por uma garantia.
Parecia um pesadelo. O diabo estava na sua frente e, para sua surpresa, acompanhado da pequena sereia.
- Kacchan? E… Kirishima?!?!
- Você me chamou de que ?
O chefe respondeu.
- Er… Calma, Bakugou.
Disse Eijiro, na tentativa de acalmar os ânimos.
- Só estou surpreso! Por isso que a Jirou estava toda feliz quando recebeu a gente… Mas… Por que…
Midoriya tentou responder, sem soltar Todoroki, que observava o encontro sem compreender nada.
- Foi meio que uma coincidência termos vindo aqui juntos. O Bakugou passou lá em casa para me entregar uns documentos do escritório e… Bom… Ele descolou uns convites para os meus amigos e acabou por vir conhecer o lugar. Basicamente isso.
- Hm… Que bom que o Kach… Bakugou resolveu se divertir um pouco. Vejo que estão se tornando bons amigos…
Disse Izuku de forma quase acusatória, olhando para os dedos entrelaçados dos dois.
- O QUE DISSE NERD DE MERDA?!
- Er… É só para ele não cair na escada.
Midoriya chegou perto de Kirishima e falou em seu ouvido:
- Ele está bêbado não é?
E obteve um aceno positivo e silencioso do colega de trabalho.
- Boa sorte, Ariel. Você vai precisar…
Distanciaram-se, e o casal voltou a se agarrar, sem muitos pudores. Kirishima observou uma roda se abrir para que Mina dançasse a música brasileira, balançando bastante o bumbum e descendo os quadris num ritmo contagiante.
"VAI REBOLA PRO PAI, VAI NOVINHA VAI"
Kaminari tropeçava sobre o bar carregando a garrafa de espumante trazida da área vip.
- UM BEEEEISHO POR UM SHIIIIOT!!! MEU AMIIIIGU TA SOULTINHO. NÉ SERO?
Uma fila começava a se formar repleta de todos os tipos de pessoas.
- SE VOCÊS PREFERIREM, AQUELE CARA DE CABELO VERMELHO ALI TAMBÉM TÁ SOLTEIRO.
Hanta sugeriu querendo escapar da situação criada por Kaminari. Ao menos Kirishima já estava acostumado com aquele tipo de loucura.
Katsuki sentiu cada litro de seu sangue ferver. Não podia aceitar oferecerem seu… O que quer que Eijiro fosse seu. Mas, ao sentir melhor controle sobre si, guardou a explosão para outro momento.
O ruivo correu até Denki e Sero, que, há alguns segundos atrás, era BV.
- Seu maluco! Você quer que o Sero pegue alguma doença?!
- NAUMM SHE PROCUPAAA! O AAÁLCOOL ISHTERILIZA!
- Mas você está dando depois do beijo!
O loiro pareceu refletir por alguns segundos, levantando-se alguns segundos depois e gritando.
- QUEM QUÉ PEGAAAÁ O SERO?
A boate inteira ergueu os braços e gritou. O de cabelos pretos comemorou a reação da galera. Eijiro percebeu que seria inútil. Pediu uma água ao barman e a entregou a Bakugou. Esbarrou com Uraraka ao tentar sair dali.
- Dona Uraraka?
- Oi Seu Kirishima! Eu já tinha te visto na escada, mas você estava muito longe.
- Que bom encontrá-la aqui. Pensei que hoje era seu turno!
- E era, saí pouco depois de vocês.
- Você está na fila para beijar o Sero?
- Eu é que não vou recusar álcool. Ainda mais de graça! Meus amigos também estão na fila. Acabou a bebida, acabou a amizade.
O secretário percebeu que o editor não estava próximo. Sentiu um leve pânico e deixou a porteira falando sozinha. Correu dentre a multidão de pessoas ensandecidas com a pseudo-barraca do beijo criada por Kaminari. Buscou o loiro por todos os cantos, sem sucesso.
Foi quando em um pequeno espaço no canto, viu seu chefe sob luzes vermelhas, girando em um pole dance. Torceu para que ninguém tivesse visto aquela cena. Correu puxando-o dali.
- O que você pensa que está fazendo, cabelo de merda? Eu estou só me divertindo!
Kirishima precisava inverter aquele cenário sem provocar a ira do bebum.
- Deixa eu dançar pra você.
Bakugou arqueou a sobrancelha e mordeu o lábio, afastando-se para apreciar o show, enquanto o subordinado começava a enroscar a perna no metal gelado. O ruivo improvisou na dança, balançando os quadris sensualmente. Toxic, da Britney Spears começava a tocar, inspirando alguns movimentos mais abruptos. Ele não sabia de onde tinha tirado a coragem para fazer aquilo, mas se manteria Bakugou bem, o faria. Evitava tirar os olhos dele e pela expressão que o outro mostrava, nem conseguiria.
Baby, can't you see
I'm calling
A guy like you should wear a warning
It's dangerous
I'm falling
(Baby, você não vê?
Estou chamando
Um cara como você deveria vestir um aviso
É perigoso
Estou me apaixonando)
There's no escape
I can't wait
I need a hit
Baby, give me it
You're dangerous
I'm loving it
(Não tem escapatória
Não posso esperar
Preciso de uma dose
Baby, me dê
Você é perigoso
E eu estou amando isso)
O loiro olhava atentamente, mesmerizado por cada volta e cada choque do corpo de Eijiro sobre a barra de metal. Pensou naqueles instantes que gostaria de ser o próprio pole e sentir o corpo quente do outro sobre si. Sentia-se enfeitiçado, desafiado, duro. Quando percebeu, havia mais pessoas do que gostaria ao redor de seu… Enfim…
The taste of your lips
I'm on a ride
You're toxic I'm slippin' under
With a taste of a poison paradise
I'm addicted to you
Don't you know that you're toxic?
(O gosto dos seus lábios
Estou viajando
Você é tóxico, estou derretendo
Com o gosto do veneno do paraíso
Estou viciado em você
Você não sabe que é tóxico?)
No refrão, parte da multidão que antes fazia fila para beijar Sero, agora se aglomeravam para assistir o show de pole dance, protagonizado por Kirishima. Várias pessoas gritavam, e algumas notas de dólar eram jogadas sobre o rapaz. Os gritos de "Tira, tira" eram bem nítidos e já começavam a irritar.
Kirishima percebeu que a atenção de Bakugou não recaia mais sobre si, fazendo-o interromper a dança. Ficou um pouco chateado, mas talvez não fosse mais tão interessante assim. O público se dissipou frustrado e os dois ficaram praticamente isolados naquele canto da boate.
- Gostou?
- O que você acha?
- Que… Não?
- Você precisa ser mais confiante, cabelo de merda. Eu gosto de tudo o que você faz porque é tudo fodidamente perfeito.
Os olhos de Kirishima se encheram d'água.
- Bakugooou...
Disse, abraçando o chefe, que retribuiu. Aquela aproximação era perigosa para os dois. Ouviram um estrondo vindo do outro lado da boate e as pessoas começavam a se afastar. A música parou e as luzes se acenderam.
Um homem enorme discutia com Kaminari enquanto Sero pegava o barman sem parecer se importar. Frases bem agressivas se tornaram audíveis: "viadinho de merda", "bichinha", "tem tudo que morrer". O agente de empregos, subitamente mais sóbrio devido à confusão, tentava afastar o homem do amigo da maneira que podia e Mina dava suporte, logo ao lado. Jirou apareceu tentando amenizar a confusão.
- Posso saber o que ta acontecendo aqui?
O troglodita virou na direção dela tentando explicar como se fosse algo justificável.
- AQUELE CARA ALI PEGOU A BOATE INTEIRA. UM VIADO PROMÍSCUO DO CARALHO. Essa palhaçada tem que acabar, taokei?!
- Calma, grandão! Não precisa ficar com inveja! Se você quiser, pode pegar a boate inteira também. Se bem que… Não acho que ninguém aqui iria querer ficar com escroto que nem você…
Terminou Denki em uma risada, porém, sem tempo para aproveitá-la, já que o troglodita socou-lhe tão forte que o loiro desmaiou na hora.
Para a surpresa de todos, Kyoka Jirou aproximou-se do que havia nocauteado Kaminari e deu-lhe um gancho tão técnico e forte, que ele caiu como uma bola de demolição.
- LGBTfóbico na minha boate não! Não gostou, processa.
Todos ao redor aplaudiram a dona do lugar.
Kirishima correu para falar com Mina e Bakugou estava em seu encalço.
- Como isso terminou assim?
- Nunca estive tão orgulhosa do Sero. Ele passou por cima da timidez dele. Era um beijo triplo e esse cara foi chegando perto. Mas o Kaminari percebeu, começou a questionar e afastar o cara. O resto vocês viram.
Jirou se aproximou deles.
- Ligaram para a polícia. Provavelmente teremos que depor… Bakugou, eu aconselho que você vá embora, a gente sabe o que aconteceu da última vez que pegaram você entrando numa delegacia. De resto, quem puder ir comigo...
O loiro ponderou. Não queria deixar Kirishima sozinho, mas o ruivo pareceu concordar com Kyoka sobre sua presença no meio daquela confusão.
Foi quando todos ouviram o grito:
- UHUUUUULLL! EU DERRUBEI ESSE BABACA HOMOFÓBICO SOZINHO! EU SOU DO CARALHO!!!
Todos os envolvidos na confusão realizaram um facepalm conjunto. Mas se aquela versão da história deixava Kaminari feliz, é aquela que contariam, afinal, ele havia sido a única pessoa a enfrentar o criminoso.
Jirou puxou Katsuki para um canto e disse:
- Sabe o que eu falei sobre não trazer mais aquele cara para cá? Esquece. Pode trazer.
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DIÁRIO DO KAMINARI
Da noite passada, eu só tenho 3 certezas:
A primeira, é que bati num homofóbico babaca;
A segunda, que conheci a mulher da minha vida;
E a terceira é que a lasanha de berinjela do Kirishima estava boa pra caralho, mas eu ainda prefiro camarão.
E que camarão, meus amigos!
Não sei como terminei aqui, para ser sincero. Aliás, não lembro de muita coisa. Mas aquela deusa disse que era só durante o tempo dos depoimentos.
E honestamente, que mulher! Tudo na medida certa. Dona, chefe, roqueira. É um anjo, estou certo. Se eu puder mostrar de alguma forma que sou um cara legal e que não sou um bobão, garanto que em nosso casamento comprarei camarões que nem aqueles. Já sei, posso tomar dicas com o Kirishima. Ele parece ser adorado por todos, até mesmo pelo Rei Demônio da UA.
Bom, outra coisa da qual eu tenho que me lembrar é de não aceitar desafios de bebidas, porque caralho… Quase morri e não lembro de nada.
Se eu quiser conquistar o amor da minha vida, preciso me manter um homem sóbrio e sério. Tudo o que eu não sou.
Chapter 11: As mentiras nos jornais e a queda das crocs
Notes:
Felizmente de volta!
Esse capítulo marca uma nova etapa nessa fic e pedimos desculpas de antemão.
Gostaríamos de lembrar que temos uma playlist no spotify com todas as músicas dessa fic.
Amamos vocês!
Chapter Text
O dia nunca fora tão brilhante. Tudo parecia convergir para algo incrível. Kirishima havia escolhido suas Crocs de patinho que casavam perfeitamente com a camisa de botão de pato. Presente de sua avó, é claro…
Mais uma vez ele chegaria no escritório e encontraria Bakugou, em sua alta masculinidade e beleza, provavelmente de cara feia sobre qualquer assunto da revista. Mas tinha que admitir, achava até fofa a sua feição emburrada.
"Sou um homem de sorte!"
Pensou, ao cruzar a rua e entrar no prédio. Estava nas nuvens. Não vira o loiro durante todo domingo, mas agora era inevitável não ficar ansioso só para estar com ele. Infelizmente, era horário de trabalho e tinham que agir como patrão e empregado, mas Kirishima sabia separar a parte profissional da pessoal. Ou ao menos ele imaginava que sim.
Chegou no andar e pelo menos umas 5 pessoas o olharam estranho. Não era o olhar habitual de admiração por seus looks. Era algo diferente. Seguiu pelo corredor até chegar na recepção, na qual Midoriya já se encontrava.
- Bom dia, Midoriya! Excelente dia, não é mesmo?!
O primeiro secretário pareceu tenso demais para uma manhã de segunda. Mesmo quando o mundo acabava e Bakugou virava o escritório de cabeça para baixo, sua expressão nunca fora tão séria.
“Estranho”
Pensou Kirishima.
- B-Bom dia… Er…
- Você está bem? Está passando mal? Quer ajuda em alguma coisa? Já sei, posso adiantar seu trabalho aqui do meu terminal! Assim você tem tempo de se recuperar.
O ruivo ameaçou sentar em sua mesa, mas foi impedido rapidamente pelo outro.
- NÃO! Quero dizer… Não, melhor não… Olha… Acho que um copo de água já ajuda…
Izuku sentou-se e suspirou. Eijiro tentou auxiliá-lo.
- Nosso galão está vazio, eu vou pegar lá no setor das…
O secretário de cabelos verdes levantou de supetão, parecendo ainda mais nervoso.
- Não, ééé… Já estou bem melhor! E você parece tenso, cansado… Descansa um pouco enquanto eu organizo as coisas até o Kacchan chegar...
- Ok?
Respondeu o ruivo, sem entender muita coisa.
- Sabe a que horas o Bakugou vai chegar?
“Se Deus quiser, nunca…”
Pensou Midoriya, ponderando sobre tudo o que estava para acontecer.
- Daqui a pouco, imagino…
- Tudo bem, então. Vou catalogar umas peças que ficaram da última coleção e mandar para o estoque, está bem? Quando ele chegar, me avisa e eu subo.
Izuku apenas assentiu. Nem sabia como iria evitar a tempestade, mas sentiu que ela viria. E viria com força.
Bakugou entrou no escritório pisando duro. Puto, para variar um pouquinho. Mas não tanto quanto Midoriya imaginava.
- Bom dia, Bakugou. É…
Disse ao outro, colocando-se em sua frente para adiar o máximo possível que se sentasse em sua mesa e ligasse o computador.
- Tem alguma coisa importante ou você só vai ficar na merda no meu caminho?
- Está tudo ótimo! Incrível! Acho que você deveria ir ao spa lá embaixo testar um tratamento novo que as meninas desenvolveram para aliviar, sabe, as tensões...
- E eu lá tenho cara de quem vai ser cobaia de esteticista?! O que deu em você hoje, Deku? Fritou a porra dos miolos? Está mais estranho do que o usual. Por que está tentando me impedir de entrar no escritório?
- Midoriya! Você viu o…
O rosto de Kirishima se iluminou brevemente.
- Oi…
Katsuki mordeu de leve o lábio inferior e respondeu.
- Oi.
O primeiro secretário olhava de um para o outro, tentando captar o que havia ali.
- É verdade! Ai meu santo All Might, é verdade! Eu pensei que fosse sensacionalismo e...
- DO QUE PORRA VOCÊ ESTÁ FALANDO, DEKU?!
Eijiro também não tinha ideia do que estava acontecendo, mas sentia que de alguma forma, o caldo de Bakugou iria entornar em segundos.
- Ei, calma… Espera o Midoriya falar.
Disse, tentando acalmar os nervos do loiro.
- Conta, Midoriya. O que houve? Do que você está falando?
- Bom… Eu não queria que isso chegasse em vocês, mas sinceramente, sabia que seria impossível. Eu tentei o meu melhor para impedir as ligações que chegaram hoje cedo e também disse que não nos pronunciaríamos sobre o assunto por enquanto. Enfim, é melhor que vejam por vocês mesmos…
O jovem de cabelos verdes sacou o celular do bolso e mostrou a matéria exibida no “Vida Alheia” em letras garrafais e nem um pouco amigáveis:
“O affair proibido de Katsuki Bakugou: O Secretário.
O polêmico editor da UA foi flagrado em clima de romance na boate Sound Check. Informantes afirmaram que o clima estava bem quente na sala privada do local, a qual, os dois deixaram de mãos dadas. O rapaz, identificado como Eijiro Kirishima por um informante, trabalha na revista há aproximadamente seis meses e acredita-se sua relação começou antes mesmo de sua entrada na U.A, fato bastante controverso, devido à sua ligeira contratação e até uma aparição em um ensaio na revista.
Mitsuki Bakugou preferiu não se pronunciar e após ser agressiva com os repórteres (provando que tal mãe, tal filho), afirmou estar ansiosa para conhecer o genro.
Outras fontes próximas aos dois, relatam que o editor-chefe da U.A tem temperamento explosivo e que costuma tratar mal aos seus subordinados, o que traz a pergunta: O quão competente é Eijiro Kirishima e qual o limite entre trabalho e prazer?”
A foto trazia os dois descendo as escadas, de mãos dadas, com alguma proximidade.
- Mas todo mundo anda de mãos dadas em uma boate! As pessoas se perdem…
Kirishima tentou defender-se enquanto Bakugou caminhava fervorosamente, gastando todo o elenco de palavrões que conhecia.
- INFEEEEEEEEEEEEEEERNO. EU VOU MATAR ESSES FILHOS DA PUTA.
O ruivo não sabia se corria até o chefe, tentando acalmá-lo, ou se caía no chão de tão chocado. Não conseguia fazer nenhum dos dois.
- Esperem só… Eu vou destruir aquele lugar. Vou acabar com a carreira mentirosa de cada um daqueles merdas. Eles vão se arrepender de cada palavra escrita naquele papel higiênico sujo que eles chamam de jornal.
Surpreendentemente, a voz de Bakugou, enquanto falava tudo isso, aparentava estar calma. E isso era ainda mais assustador do que quando ele gritava.
- Olha, Bakugou…
Izuku tentou intervir.
- Olha porra nenhuma. Já não basta eles falarem o que falam de mim, ainda querem colocar o Kirishima nisso? A gente não fez porra nenhuma!
- Na verdade…
Eijiro tentou corrigir.
- É real então! Como eu não vi isso, bem aqui! E vocês… Kiribaku, o shipp da nação!
- Não, não é exatamente assim..
Kirishima tentou defender.
- E se for? Ninguém tem nada a ver com isso. Só nós dois.
Katsuki reclamou.
- Mas é para mim que vão ligar. Eu preciso saber o que dizer...
O secretário de cabelos verdes argumentou.
- Por hora, diga apenas que não tenho declarações a dar, e se for a diretoria, diga-lhes para marcar uma reunião no almoço. Tenho provas mais do que suficientes para mostrar porque contratei o Kirishima e o porquê dele ainda estar aqui. No mais, preciso que busque aquelas amostras. Minha vida pode estar a merda do caos que for, mas essa revista não pode parar.
Midoriya acenou com a cabeça. Queria a confirmação, mas percebeu que nada sairia dali. Mas sabia que provavelmente naquela reportagem havia um fundinho de verdade. Deixou os aposentos logo.
- Ei, cabelo de merda, você… Está bem?
Aproximou-se o loiro.
- Estou, eu acho. Todo mundo sabe que esses tablóides dizem mil mentiras só para vender. E você?
- Sempre termina tudo bem. É só que… AAARG.
- Eu sei...
- E a única pessoa que viu a gente foi aquele idiota do seu amigo.
- Kaminari nunca faria isso comigo. E ele passou o domingo quase todo retido por causa da confusão, depois a sua amiga sequestrou ele. Eu confio nele.
- A Jirou também não faria essa merda comigo. Ela mesma sugeriu que eu fosse embora antes da imprensa chegar… Que maldito pode nos ter visto juntos?
- Isso pode ser uma daquelas mentiras que se conta para extrair a verdade, sabe? Tipo, eles dizem que nos viram em um clima quente na sala, quando na verdade só nos viram saindo juntos e eu te ajudando a descer porque você estava bêbado. Não existem provas reais de que estivemos de fato juntos. Mas ao mesmo tempo…
- O que?
- É difícil provar que minha contratação não tem a ver com nosso “affair”... Quero dizer… Você expulsou as últimas 5 pessoas que se candidataram e logo depois, me contrata, eu apareço na revista como modelo e você é visto comigo em uma festa que não tem nada a ver com trabalho? No mínimo suspeito e mais palha seca para a fogueira. Temos que ser racionais sobre isso, Bakugou. Sua imagem não pode sair manchada nessa história.
- E a sua, Kirishima? Você acha que eu vou ficar quieto vendo a porra da imprensa manchar a sua reputação e profissionalismo por minha causa? Com a minha imagem eu posso lidar como sempre lidei, porque eu não dou a mínima para esses putos. Eu não ligo se disserem que estamos juntos, mas não posso aceitar que usem isso para te prejudicar.
- O que você sugere?
- Assumimos que estamos juntos. De resto, justificar é fácil. Você nem estava na porra do país antes de vir pra cá e o Aizawa no seu currículo justifica a sua competência.
- Isso fala sobre mim. Mas você continua saindo como assediador e chefe ruim. Isso pode prejudicar você e até tirá-lo da revista. Eu não permitiria que fizessem algo assim. Isso aqui é o seu trabalho e o seu sonho.
- O que sugere então, cabelo de merda?
- A gente se afasta. Uma semana ou duas. Aqui na revista também, para não levantar maiores burburios. E eu vou trabalhar pro Endeavor.
- O que? Não mesmo! Aquele cara é um babaca egocêntrico que só sabe pisar nos funcionários dele.
- É exatamente o que dizem de você e nesse tempo que eu estive aqui percebi que não é bem assim… É melhor assim e nós dois saímos bem. E podemos ficar juntos depois.
Katsuki pareceu ponderar.
- Nos afastamos. E eu vou te ajudar a achar outro emprego que não seja com o Endeavor.
- Eu agradeço, Bakugou. De verdade. Mas acho que seria melhor que eu arranjasse algo que não estivesse associado à você. Eu preciso provar para todos que sou capaz de ser bem sucedido por mim mesmo.
- Você não tem que provar porra nenhuma, Kiri. Porra! Só… Ugh! Eu não sei!
O ruivo sentiu seu coração estremecer ao ouvir o loiro chamando-o por um apelido. Mesmo que fosse naquela situação horrível. Só queria que ficasse tudo bem. Foi até sua direção e o abraçou apertado. Bakugou nem se deu ao trabalho de tentar resistir, simplesmente agarrou ao secretário de volta e se deixou aproveitar o momento juntos. Teriam dias difíceis pela frente.
- Vai ficar tudo bem, Bakugou. Eu sei disso.
Por fim, decidiram que era melhor que o secretário permanecesse na U.A.. Contudo, os dias que se seguiram foram vazios. O editor agia de maneira fria e evitava falar diretamente com Kirishima, que fazia o mesmo. Com isso, o segundo secretário sentia-se cada vez menos necessário e cada vez mais descartável. O clima não era dos melhores, mas entendia. Precisava lidar.
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Os Looks de Eijiro Kirishima: a moda sem noção
Quem diria que o secretário favorito de Katsuki Bakugou teria um estilo tão “único”? As fotos enviadas por um informante anônimo podem causar cegueira imediata, por isso, pedimos precaução ao olhá-las. Ninguém sabe o que levou Katsuki a namorar com um homem de tão péssimo gosto por moda, já que nenhuma de suas escolhas parece ter qualquer sentido lógico ou mesmo criativo. Um desastre? Quase. O pior, acreditem, ainda está por vir: ao chegar em seus pés, pode-se notar a presença constante das sandálias mais controversas da história da moda. As Crocs. Certamente esse jovem não tem amigos, pois amigos avisariam… Pobre Bakugou, deve compensar essa falta de estilo nas situações que não requerem roupa, não é mesmo? Você leria uma revista de moda editada por alguém que sequer sabe escolher um namorado de bom gosto para a moda? Ou será que esse é o novo estilo da U.A? Veremos nas próximas edições.
O ruivo encarava o computador paralisado. Relia cada uma das linhas, tentando processar. Roupas sem sentido lógico? Que poderiam causar cegueira? E… Bakugou namorando alguém de gosto tão duvidoso? Estava em choque. Perguntou-se quantas vezes haviam rido dele e se realmente as roupas naquele dia estavam impróprias.
Era duro lidar com aquilo e sentiu-se envergonhado, pois existiam pelo menos 20 fotos dos seus looks na matéria.
“Midoriya não estava sendo gentil com as roupas novas…”
Se sentia até mesmo um pouco traído. Nunca havia sido aceito como era. Exceto talvez por Bakugou e seus amigos mais próximos, os quais realmente não se importavam com suas vestimentas.
- Então… Quer dizer que vocês nunca gostaram do meu estilo?
- Espera, do que você está falando, Kirishima?
Perguntou o outro secretário na mesa à frente.
- Se era horrível assim, por que não me falaram ao invés de tentarem mudar sutilmente quem eu sou para parecer mais “na moda”? Essa atitude passou longe de máscula, Izuku. Eu… Eu preciso de um tempo.
O ruivo pegou sua bolsa embaixo da mesa e partiu, sem dizer para onde ia, ou o que iria fazer. O de cabelos verdes apenas observou chocado, enquanto refletia sobre o que de fato havia feito.
O resto do dia se passou e Eijiro não fez mais nenhum contato com o escritório, apesar das incessantes ligações de Midoriya e Bakugou, tentando alcançá-lo após verem a notícia sobre o ruivo. Sabiam que ele deveria estar chateado, mas não seria irresponsável a ponto de largar o trabalho pela metade, se não estivesse muito irritado. Talvez, “irritado” nem fosse a melhor palavra. Só esperavam que ele não estivesse triste, pois o Kirishima triste era algo que nunca haviam presenciado.
Do alto de algum arranha-céu da cidade, o ruivo tentava manter os pensamentos sãos. Além da mágoa, ainda existia a questão do chefe. Eles estarem em alguma espécie de relacionamento realmente descredibilizava Bakugou tanto assim? O ruivo odiou-se. Odiou-se por trazer tantos problemas, por ser egoísta e não pensar o quanto seu estilo próprio não poderia interferir na revista e nos sonhos do homem que amava. Sabia que seu visual era diferenciado, mas… Quis chorar. E nem as suas Crocs passaram em branco. A pior parte eram elas, de acordo com o jornaleco. Sentiu-se constrangido por ter dado um par de Crocs para o editor de moda mais influente dessa geração.
Ele era um lixo. E ninguém nunca teve coragem de dizer isso para ele. Pensou em ligar para Mina, mas desistiu. Voltou para casa e deitou-se no sofá. Em uma mente, dois pensamentos: que não era merecedor de um trabalho na U.A. e que não estava à altura de Katsuki Bakugou.
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No dia seguinte, Eijiro levantou-se com os pensamentos no lugar. Sabia o que deveria fazer e quanta coragem seria requerida. Foi até o QG da U.A, passou por todos e os cumprimentou devidamente e de forma séria, até mesmo Midoriya, com quem não gostaria de falar depois do dia anterior. Deu duas batidas na porta do chefe e suspirou, esperando pela permissão de entrada, até que ouviu um “entra logo”.
- Bakugou, você tem um segundo?
Ao perceber que se tratava do ruivo, o loiro pensou em ser gentil e perguntar com detalhes sobre o estado de Kirishima, especialmente por causa da última reportagem, mas estavam trabalhando, não podia se dar ao luxo de tratá-lo de forma diferente, embora estivesse genuinamente preocupado. E estava tentando cuidar da situação. Esperava que o ruivo, mais do que ninguém, soubesse disso.
- Seja rápido. Estamos em horário de trabalho e já tivemos muito o que fazer para cobrir sua falta de ontem.
- Eu me demito.
Chapter 12: Kirizão 3.0 e as Crocs vermelhas do Bakugou
Notes:
Voltamos mais rápido do que esperávamos. Nos colocamos a meta de terminar essa fic até o fim do mês, para engrenar em um novo projeto.
Com isso, uma boa e uma má notícia. A má é que crocs ta acabando e a boa é que teremos mais atualizações nos próximos dias.
Amamos vocês e até logo.
Chapter Text
- Como assim você se demite?
O chefe parou tudo o que fazia e o encarou.
- É isso. Eu estou pedindo demissão. Ou melhor, comunicando.
- Baseado em que? A gente…
- Eu tirei o dia de ontem para pensar. Depois de tudo o que aconteceu, cheguei à conclusão de que seria o melhor.
- Você decidiu? E nós dois? Não havíamos decidido que você ficaria e que encararíamos a imprensa?
- Depois da matéria de ontem eu… Nós somos de mundos muito diferentes, Bakugou. Eu não combino com você.
- Mas… Que porra, Kirishima! Do que você está falando?
- O editor-chefe da maior revista de moda do mundo e o seu secretário brega?
- E você acha que eu me importo com isso? Se isso fosse importante, eu não teria sequer te contratado. Nem você acredita nessa merda que está falando.
- Não só acredito como acho que é o melhor pra nós dois. Cortar antes que isso nos machuque. E depois, com as coisas se acalmando a gente pode tentar ser amigos.
- E eu lá tenho cara de quem quer ser só seu amigo? Eu colocaria a minha carreira em risco para ficar com você. Estou disposto a fazer isso. Eu não ligo.
- Mas eu ligo. E acaba aqui.
O loiro estava tão chocado com a atitude do seu agora ex-secretário que nenhuma palavra seria suficiente.
- Kirishima… Por favor…
- Adeus, Bakugou.
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Eijiro havia separado quase todas suas roupas para caridade. Pensou em queimá-las, mas sabia que outras pessoas poderiam precisar. Não teve a coragem para fazer isso com suas Crocs e apenas trancou o quarto em sua casa reservado para elas.
Precisava procurar por um emprego, precisava limpar sua casa, precisava repensar tudo, mas, no momento, não sentia vontade de fazer nada. Deitou no sofá, agarrou uma almofada e ligou o celular na caixa de som portátil.
"What has happened to it all?
Crazy, some'd say
Where is the life that I recognize?
Gone away
But I won't cry for yesterday
There's an ordinary world
Somehow I have to find
And as I try to make my way
To the ordinary world
I will learn to survive"
"O que aconteceu com isso tudo?
Loucura, alguns diriam
Onde está a vida que eu reconheço?
Foi embora
Mas eu não vou chorar pelo ontem
Há um mundo normal
De algum modo eu tenho de encontrar
E enquanto eu tento trilhar o meu caminho
Para este mundo normal
Eu aprenderei a sobreviver"
Parte de Kirishima queria chorar e a outra pensava se deveria. Queria saber como Bakugou estava, se precisava dele, se o perdoaria pelo que teve que fazer. Porém, só podia seguir em frente.
A campainha tocou. Amaldiçoou mentalmente Uraraka por nunca interfonar, depois amaldiçoou-se por estar parecido demais com o ex-chefe.
- Já vai.
Respondeu desanimado. Obrigou-se a levantar. Poderia, sei lá, ser importante
- Amigo! Eu… Eu fiquei tão preocupada! Só vi a notícia ontem de noite e você não atendia o telefone…
Eijiro a abraçou e finalmente deixou as lágrimas caírem. Por uma última vez, se permitiu ser másculo de verdade.
- Eu estou um caco, Minaaaaaaa!
- Vem, vamos sentar.
Os dois foram até o sofá e logo Kirishima estava deitado no colo da amiga.
- Eu acabei com tudo, Mina. Por que você nunca me disse que eu era cafona?
- Porque você sempre se sentiu bem do jeito que você se vestia. E isso pra mim é moda. Isso é ser bonito e ter estilo. Essas pessoas só querem ser ruins. Você é um anjo e não merece nada disso.
- Eu não mereço o Bakugou.
- Ninguém merece o Bakugou… Todos sabem da fama dele!
- Não, Mina... É que… A gente… Nós...
- Não me diga que… Céus, a gente passou aquela noite toda juntos. Como eu não…
Eijiro abraçou o travesseiro afundando a cabeça ali, e começou a falar.
- Eu ajslaidurshimdo diwuebfoaudkd e djandhdu
- Kiri, não dá pra entender… Tira esse travesseiro da cara, pelo amor de Deus.
O de cabelos vermelhos fungou e enxugou as lágrimas.
- A gente tinha decidido esperar, sei lá. Ir devagar. Eu já estava gostando demais dele. Mas estar com ele… Seria acabar com as coisas que ele lutou tanto para construir. E eu odeio isso.
- Mas… O que ELE disse sobre isso?
- Ele é muito másculo, Mina… Mais másculo do que eu. Ele disse que poderíamos ficar juntos independente disso, mas eu não quis prejudicá-lo ainda mais. Sinceramente, eu não sou o tipo de pessoa que esperam que esteja com o Bakugou.
- E qual é o tipo, então?
- Sei lá! Um super modelo, alguém que tenha estilo e esteja à altura.
- Mas você já esteve na revista, não é mesmo?
- Ashido, nada vai me fazer mudar de ideia! Eu preciso ser um homem novo, um cara com menos masculinidade, já que até isso parece estar "fora de moda". Preciso ser mais. E quem sabe um dia…
- Você tem certeza, Kiri? Não precisa mudar quem você é para agradar quem quer que seja.
- Estou fazendo isso por mim. Pelo meu futuro. E vou precisar da sua ajuda.
- Minha ajuda?! Para que?
- Uma reforma total e completa.
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GIVE ME A SIIIIIIIIIIIIGN
HIT ME BABY ONE MORE TIME!!!!
A voz de Bakugou ecoava pela sala, ao alcance do escritório inteiro. Era a trigésima vez que o chefe ouvia aquela música aos berros naquela semana, desde que Kirishima deixara o escritório.
Izuku e pelo menos todos os funcionários que trabalhavam pelo menos três andares acima e abaixo estavam fartos daquilo. Nem mesmo a Britney Spears iria aguentar ouvir a própria voz tantas vezes.
MY LONELINESS IS KILLING MEEEEEEE
I MUST CONFESS, I STILL BELIEEEEEEEEEVE
- DEKUUUUUUUUUUUUU!!!!!
Midoriya levantou-se e foi correndo até a sala do chefe, desejando sair vivo de lá. Bakugou estava sentado na sua cadeira, com a cabeça jogada para trás, os botões do colete abotoados errado e olheiras evidentes.
- Chamou, Bakugou?
- Faz a porra do Backing Vocal!
- Mas Bakugou… Você nem gosta de Britney Spears…
- E o que raios isso importa?! Você é meu secretário, não é? Faz o que eu mando, porra!
- Eu vou marcar uma sessão com a sua terapeuta. Imaginava que você gostava dele, mas isso já está ficando fora de controle.
Bakugou apoiou a cabeça na mesa. Batendo-a algumas vezes. Tudo parecia fora de lugar. Os advogados não respondiam, não conseguia fechar com os anunciantes da próxima edição, achava todo editorial ultrapassado, sua mãe não parava de ligar e para piorar, aquela maldita música da Britney Spears não saia de sua cabeça.
- Vai procurar ele.
- O que?! Não? Ficou louco, porra? O cabelo de merda decidiu tudo sozinho. Não vou correr atrás de alguém que não me quer por perto. Que conselho de merda, Deku!
- Se não vai procurá-lo, então levanta a cabeça e volta a ser o Bakugou que eu conheço. Temos muito a fazer, a Paris Fashion Week está a 3 semanas e com você desse jeito e sem o Kirishima, isso pode ser um desastre organizacional. Nesse caso, acho que sou o mais indicado para ir com você. Talvez haja outras oportunidades com o All Might.
- Não! Você vai com o All Might e a United States of Smash. Não vou voltar atrás na porra da minha decisão. E não vai ser uma semana sem secretário que vai acabar comigo.
- Eu discordo plenamente, mas vou me resignar, porque sei que não vai mudar de ideia. E porra, é óbvio que eu sou mais do que qualificado para fazer essa merda. Não preciso de você ou Kirishima algum.
Izuku conhecia bem o chefe. Sabia que ele se dedicaria ao máximo pelo trabalho, mas sentia o quanto seu jeito mudou desde que conhecera o ruivo e esperava que os dois se acertassem em algum momento. Ele mesmo precisava pedir desculpas a Eijiro por seu comportamento.
- Está olhando o que, Deku? Sai logo daqui. Eu tenho trabalho a fazer.
- Só, por favor, Bakugou… Abaixa um pouco o volume da caixa de som.
- Tá! Tá! Não me enche porra! Ouvir Britney é muito másculo.
Midoriya já tinha ouvido dizer que casais ficavam cada vez mais parecidos um com o outro. Aquela frase do chefe era a maior prova disso.
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- KIRIZÃO 3.0! Aí vamos nós!
Kirishima afirmou enquanto lia as instruções na caixa de tinta.
- Tem certeza, Kiri? Depois, se você quiser voltar pro vermelho, vai ser uma droga tirar esse preto.
- Faz muito tempo que eu não me vejo com o meu cabelo da cor original. E vai ser bom, Mina. Isso me deixa mais próximo de quem eu preciso ser.
- Se isso vai te fazer feliz… Mas precisar é diferente de querer. E eu acho que você já era exatamente quem você queria.
- Você prometeu que me ajudaria independente…
- Eu sei, eu sei. Eu vou pintar seu cabelo.
O ex-funcionário da U.A. deixou a de cabelos rosa passar a tintura por todos os fios. Era difícil, mas necessário. O processo fora demorado e a cada mecha pintada, Kirishima sentia mais e mais dúvidas sobre o que estava fazendo. Tudo o que desejava era ter a confiança que exalava. Após lavar o cabelo e hidratá-lo, Ashido secou e modelou os fios, deixando o agora moreno praticamente irreconhecível.
- Pronto! Kirizão 3.0, ou seja lá o que for.
O jovem olhou-se no espelho e se permitiu observar por um longo tempo. Estava bonito. Não da forma usual, nem tão másculo quanto gostaria, mas era alguém que parecia muito mais com o que Bakugou merecia do que seu antigo eu. Ainda precisava investir em novas roupas e em um novo emprego. Vida nova. Seguiria em frente. E talvez, um dia, fosse suficiente para que os jornais postassem fotos dele e de Katsuki juntos sem ser motivo de piada.
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Duas semanas de busca e nada. Até mesmo a proposta que tinha de Endeavor fora retirada depois das notícias. Kirishima estava exausto e solitário. Sentia saudades das mensagens "agressivas" do ex-chefe pela manhã, muitas vezes não conseguia dormir. E quando o fazia, era certeza que o outro estaria em seus sonhos. Mas aguentaria com firmeza. Queria ligar, ir até a U.A., mas se controlava e pensava nos motivos pelos quais tinha se afastado.
Olhou o relógio e eram quase duas da manhã. Decidiu preparar um chá. Talvez isso o preparasse para dormir. Por um breve momento, sentiu saudade de seu pijama de unicórnio.
Foi quando ouviu a campainha tocar.
Torceu mentalmente para que fosse Katsuki. Mas chegou à conclusão que não poderia ser, afinal, sabia que ele era orgulhoso demais para ir atrás dele, ainda mais depois de uma rejeição. Talvez fosse Mina ou Kaminari, e tivessem ido lá, preocupados. Ou até Uraraka atrás de uma lata de sardinha.
Esfregou os olhos e abriu a porta. Olhos vermelhos, sorriso irônico, cabelos loiros. Aquele cheiro de morango. Céus. Sentia tanto a falta daquilo. As olheiras estavam um pouco mais fundas que o normal e a aparência sempre bem cuidada, estava desleixada.
- Kiri… Shima. O que houve com o seu cabelo de merda?
O desempregado encarou o chão. Tinha medo de ceder caso o outro se aproximasse demais.
- Olha, Bakugou, não é uma boa hora...
- Eu sei, eu sei! E você não deve querer me ver também. Mas…
Eijiro estava ansioso. Ainda não podia ceder, mas o editor estava ali na sua frente, visivelmente abalado. Não podia deixá-lo assim.
- Mas…
- Me deixa entrar, por favor. Faz dias que eu não sei o que é fechar a porra dos olhos. Toda merda do mundo parece estar caindo na minha cabeça e…
O editor calou-se por não saber como reagir.
- E?
- Me deixa dormir no seu sofá. Só por hoje… Eu...
- Só por hoje.
O loiro entrou e nem teve tempo de perceber a falta de decoração na sala. Apenas em estar ali, sentindo o cheiro de Kirishima, podendo estar perto dele, sabendo que ele estava ao alcance, era mais do que suficiente no momento.
Eijiro sentou-se no sofá e, logo após, Katsuki estava com a cabeça em seu colo, aninhando-se para o sono. Foi nesse momento, que percebeu que Bakugou calçava as Crocs vermelhas que havia dado a ele.
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O Diário do Midoriya
Querido diário,
Eu sei que não tenho escrito, mas muitas coisas têm acontecido. Muitas. A primeira de todas é que o Kacchan me indicou para trabalhar com o All Might logo depois que a PFW acabar. É mais do que um sonho para mim. Trabalharei com a mente mais privilegiada da moda e poderei estar perto de meu, agora, namorado (era óbvio que depois da noite na Sound Check eu iria aceitar o pedido do meu Todorouco).
A segunda coisa é que o Kacchan está maluco. Não que ele não fosse antes, mas dessa vez, ele realmente está caído pelo Kirishima. Quem diria? Mas a pequena sereia decidiu se afastar, claramente em uma tentativa de proteger a imagem do chefe. Sinto falta da sua animação e competência. Ele era meu projeto pessoal, mas nunca pensei nele como sendo apenas isso. Imagina o Kacchan… Até Britney ele está ouvindo…
Bom, acho que terei de implorar pela ajuda do ex-secretário, pelo menos durante a viagem em Paris. Bakugou não vai dar conta sozinho. Não vai.
Enfim, espero que as coisas se resolvam logo, pois estou mais do que animado para trabalhar no emprego dos meus sonhos!
Chapter 13: A verdade e as crocs vermelhas de Kirishima
Chapter Text
Os raios solares da manhã se infiltravam pelas janelas da sala. Ambos estavam acordados há algum tempo, mas não tinham coragem para iniciar a conversa que pairava. Kirishima, por um breve momento, quis correr seus dedos pela face do outro, sentindo a penugem e os rastros da barba por nascer. Precisava se conter. Levou seus impulsos até onde conseguia, fazendo-os se concretizarem na seguinte frase:
- Bakugou… Por que você está aqui?
- Eu já disse, precisava dormir direito. Não estava conseguindo fazer a porra do meu trabalho.
- Desde quando você precisa de mim para dormir?
- Desde que você fudeu com minha sanidade mental, indo embora sem me dar um caralho de uma explicação plausível.
Eijiro não tinha com o que rebater. Sabia que seus argumentos não tinham sido lá muito fortes. Arrependeu-se de começar aquela conversa e não imaginava que havia afetado o outro tanto assim. Mas era melhor. Bakugou logo superaria, afinal, não passava de um secretário cafona que só prejudicaria ele.
- E você… Não vai me explicar o motivo da sua decisão repentina?
- Não tenho nada a explicar. Eu… Só precisava disso.
O loiro, que ainda estava deitado no colo de Kirishima, sentou-se no sofá e encarou-o.
- De que? Se afastar de mim? Porque você parece muito bem com isso, enquanto eu estou aqui, fodido da cara, tentando simplesmente dormir.
- Não fala o que você não sabe.
- E tem como saber? Você se fechou completamente depois daquela reportagem babaca.
- Não quero mais ter essa conversa.
- E agora você está aqui, com esse cabelo de merda pintado de preto e uma roupa sem personalidade alguma. Isso não é você. Não falar o que pensa e o que acha, esse caralho não é você!
- E esse não era o meu problema o tempo todo?
Bakugou sentiu-se farto daquela tentativa de conversa sem sentido. Kirishima estava entendendo tudo errado, e recusava-se a ver a realidade como ela era. Levantou-se indo até a porta, deixando Eijiro com uma cara confusa. Antes de fechar a porta, porém, deixou seu último recado ao ex-subordinado.
- Se era um problema para você, não era um problema para mim.
Kirishima acreditou que aquele estrondo permaneceria para sempre em seus ouvidos. Como um pesadelo. Afundou o rosto em uma das almofadas e gritou. Ainda não era o suficiente para ele.
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Katsuki Bakugou é visto saindo da casa do suposto namorado
Temos problemas no paraíso! Os dois pombinhos que sabemos que em nada combinam parecem não estar tão bem assim. O filho de Mitsuki Bakugou foi visto saindo do prédio do namorado (acreditamos que possivelmente ex) pela manhã, irritadíssimo e sozinho. Apesar dos comunicados oficiais da U.A sobre o caso, a negação do relacionamento entre os dois é quase impossível, especialmente quando se é flagrado saindo do apartamento do secretário nas primeiras horas da manhã. Quais serão os próximos capítulos dessa novela fashion? Ou devo dizer, nada fashion?
Uraraka sentia um peso terrível em seu coração. Já não vendia informações desde que a coisa toda estourara. Pensou que a notícia sairia em um jornaleco de quinta categoria e que não prejudicaria tanto a vida do residente do prédio e de seu chefe estourado. Aparentemente, estava errada sobre tudo. Kirishima perdeu o emprego e parecia infeliz o tempo todo, e apostava que Bakugou também tinha lá seus problemas. Tudo porque ela não conseguia se controlar.
Na primeira foto, acreditou que não seria nada demais e os dois lidariam com o problema com as mãos nas costas. Quando surgiu a oportunidade de vender as fotos dos looks de Kirishima não imaginou uma reportagem tão cruel. Dinheiro nenhum valia aquilo. Mas não sabia o que fazer ou como se desculpar.
Só havia um meio, na verdade. E ela sabia disso.
A mulher respirou fundo, deixou a portaria nas mãos de outro funcionário do prédio e subiu até o andar conhecido, tentando reunir toda a coragem possível e impossível. Quando tocou a campainha, foi atendida pelo agora moreno que residia ali.
Ele estava em cacos, ela observou.
- Dona Uraraka? O que faz por aqui? É algum problema?
- N-Não, Seu Kirishima… Quero dizer, é. Posso entrar?
- Claro.
Eijiro parecia confuso sobre a presença da mulher ali, mas indicou que ela se sentasse para que conversassem.
- O que houve, Dona Uraraka?
- É… Esse é um assunto um pouco delicado e… Bem…
- Eu vou ser despejado por não ter renda fixa? Eu juro que...
- Não! Não é isso… É que…
- Fala logo, Dona Uraraka! Eu posso tentar te ajudar…
- Eu fiz algo de errado. Muito errado. E me arrependo tanto, Seu Kirishima… Eu… Não fiz por mal sabe? Eu só precisava de dinheiro e… Eu sei que isso não faz das minhas ações justificáveis, mas eu estava comendo apenas sardinha com miojo e…
- Seja máscula, Dona Uraraka. Você consegue. É só colocar para fora.
- Eu… As fotos… Eu as vendi.
Levou alguns segundos para que Eijiro conseguisse processar aquilo. A que fotos ela estaria se referindo? A conversa não fazia sentido algum, até que uma pequena faísca queimou em seu cérebro, dando início aos flashes que passavam diante de seus olhos.
Uraraka na portaria.
Uraraka no café perto do trabalho.
Uraraka precisando de dinheiro.
Uraraka na festa.
- Dona Uraraka… Não me diga que…
Falou, quase sem voz.
- Me perdoa, Seu Kirishima! Nunca quis prejudicar ninguém. Achei que essas fotos fossem parar no máximo em uma coluninha pequena no jornal de 50 cents. Eu jamais faria algo que pudesse realmente prejudicar o senhor.
- Sai da minha casa, por favor. A sua atitude passou longe do másculo. Você tem ideia da quantidade de problemas que…
- Desculpas, Seu Kirishima.
- Sai. Da. Minha. Casa. AGORA.
- Eu vou tentar dar um jeito em tudo e tenho um amigo que precisa de um secretário e...
- Dona Uraraka, eu já pedi para você sair.
- O senhor vai me denunciar?
- Não acho que eu tenha essa coragem, mas, certamente, o Bakugou tem.
- Por favor! Não conte a ele! Eu vou fazer de tudo o que eu puder para remediar meu erro! Não queria que nada disso acontecesse! Essa última reportagem… Eu nem tive a ver com ela! Quando eu vi o mal que havia feito, a única coisa na qual eu pensava era em como eu pediria desculpas. Mas… Por favor, Seu Kirishima… Tem que acreditar em mim!
O homem suspirou. Sentiu-se ainda mais traído. Dessa vez, a facada veio de onde menos imaginava. Sabia que se continuasse aquela conversa, apenas se irritaria mais, então resolveu dar um ponto final àquilo, pelo menos momentaneamente.
- Bom… Eu preciso de um tempo a sós. Vou pensar nisso tudo e depois te dou alguma resposta. Agora, por favor, vá embora.
A porteira saiu cabisbaixa do apartamento, enquanto isso, Eijiro sentou-se no sofá, exausto. E quando pensou que ninguém mais o procuraria, o telefone tocou.
- Oi Ariel… Eu sei que a nossa última conversa não foi muito boa, mas eu precisava conversar com você. Pode ser um café ou um jantar.
- Midoriya, melhor não. Hoje o dia não foi dos melhores e...
- Eu vi a reportagem e sinto muito que você esteja envolvido nessa confusão toda. A gente está tentando amenizar. Mas olha… Almoço amanhã? Eu juro que é do seu interesse… Tenho uma oferta de emprego para você.
Kirishima analisou a situação. Não queria ver Izuku, apesar de entender que talvez houvesse exagerado um pouco com o outro secretário.
- Amanhã, 13h. Você escolhe o lugar.
- Perfeito! Até amanhã.
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Mesa redonda, toalha de mesa branquíssima. Arrependeu-se de deixar que o de cabelos verdes escolhesse o lugar, ainda mais em tempos de vacas magras. Quando chegou, o outro já o esperava, acenando animadamente. Sentou-se na cadeira à frente, sem saber exatamente pelo o que esperar.
- Pensei que você não fosse vir!
- Eu pensei em ficar em casa, mas apesar de tudo…
- Eu queria me desculpar, Kirishima. Você sempre foi um colega bacana. Eu quis te ajudar do meu jeito, mas entendo que não fui legal com você…
- Eu precisava mudar mesmo e não me encaixava.
- Você não precisava mudar. O errado fui eu. Aquele jornalista foi um idiota. E algumas das fotos que ele publicou tinham diversos acertos que você fez sozinho e só mostram que ele não entende de nada de moda.
- Acertos dentre tantos erros, né…
- Não é exatamente isso… Eu andei nas duas últimas semanas fazendo uma conexão com a USS, e o próprio All Might disse que eu levo algumas regras muito a sério sobre o que é fashion e o que não é. Bem, nem tudo o que eu digo deve ser levado ao pé da letra. Mas… Não foi para isso que eu te chamei aqui.
- Sou todo ouvidos.
- Bom… Como eu disse antes, tenho feito bastante contato com a USS e… O All Might me deu uma oportunidade de ficar ao seu lado como aprendiz. Acredita nisso?!
- Que ótimo para você, Midoriya!
Respondeu Kirishima de forma sincera. Por mais que Izuku o houvesse decepcionado, somente torcia pelo bem de seus companheiros.
- Mas… O Bakugou…
- O Kacchan me deu seu aval. Ele foi muito generoso, na verdade. Daquele jeito dele, mas pude ver que ele estava feliz por eu ter conseguido o trabalho dos meus sonhos. Minha saída já foi comunicada aos assessores e meu último dia é logo antes da Paris Fashion Week.
- Não está preocupado com o Bakugou? Como ele vai levar a PFW sem um assistente competente? Ele vai acabar se sobrecarregando e…
- Kirishima, não seja ingênuo. O Kacchan está sobrecarregado desde que você pediu demissão. Ele prefere fazer as coisas sozinho do que ter que distribuir tarefas secundárias ao resto da staff, já que eu me encarrego pelos problemas mais urgentes e difíceis. Eu disse para ele te procurar e tentar consertar as coisas e pelo jeito ele foi, mas pelo visto as coisas não foram muito bem...
- Eu… Me desculpa…
Midoriya colocou sua melhor cara de vendedor e começou o seu discurso.
- Não me peça desculpas, Ariel, ou melhor, ex-Ariel. Coloque um sorriso nesse rosto, pois sua redenção começa agora!
- O que?
- Com a minha saída da U.A, obviamente o cargo estará vazio e, ambos sabemos que você é mais do que competente para ser o secretário principal do Kacchan.
- Não… Eu não posso. Isso vai repercutir muito mal e...
- Fala sério, Kirishima! Ninguém de fato liga se você dorme com o Bakugou ou não! As pessoas adoram o burburinho. Os diretores estão adorando que as revistas estão vendendo mais. E o próprio Bakugou fez questão de mostrar suas qualificações. Ele chamou o Aizawa para a reunião da diretoria. Kacchan ligou pessoalmente para ele! Você sabe muito bem que ele não costuma fazer isso…
- É… Eu sei bem. Ele não gosta de "gente".
- Exatamente. Olha… Eu não acho que o Kacchan vai conseguir se virar sozinho lá…
- Ele é muito másculo…
- Mas não faz nada sozinho e você sabe disso. Ele precisa de uma equipe, com os melhores e você é o melhor. Eu não sei o porquê de você decidir se afastar dele ou da revista, apesar de imaginar. Mas não tem outra pessoa e ele precisa de alguém. A remuneração é boa e o trabalho você já conhece. Pode fazer esse favor para nós três?
Eijiro pareceu ponderar sobre o assunto. Não queria mais passar por aquilo e a cada momento, parecia ser arrastado de volta.
- Não sei… Não quero que meu nome seja associado ao do Bakugou, por hora. Isso traria mais problemas do que soluções.
- Pensa, Kirishima… Nem que seja só durante a PFW. Ele realmente precisa de você. Depois você pode voltar a fazer o que está fazendo agora, mas não podemos deixar o Kacchan na mão… O emprego e os sonhos dele dependem dessa semana. Você vai deixar ele colocar tudo a perder?
Tentava fortemente negar ao pedido, porém, ao mesmo tempo, sentia que era sua responsabilidade ajudá-lo. Talvez fosse seu espírito de secretário falando mais alto.
- Está bem! Está bem! Mas não quero ser reconhecido enquanto estiver lá. Isso poderia acabar com a credibilidade dele. O que vou fazer em relação à isso?
- Hm… Eu tenho uma ideia. Bom, você já adiantou as coisas e pintou o cabelo de preto. Poderíamos colocar alguns apliques de alongamento e… Você teria que vestir os modelitos que eu mandar, e não essas roupas cinzas e pretas.
- Nada de masculinidade, como sempre…
- Não reclama! Estamos iniciando a operação "#savekacchan2k19"! Vem comigo!
O de cabelos verdes deixou paga a conta do restaurante, fato que deixou o outro aliviado, e puxou-o até a saída. Antes, porém, Izuku se deu conta de algo para o qual não havia atentado antes.
- Ei! No aniversário do Kacchan, tinha bolo por todo lado na sala dele. Quer dizer que… Não era ele enfiando sua cara no bolo por ter levado presente?
- Midoriya… Sem comentários sobre isso. Adeus.
- Só mais uma coisa… Eu vi que você está sem suas Crocs, e se for por causa do que o jornal disse… O All Might usa Crocs todos os dias no escritório…
O de cabelos pretos sorriu com aquela última frase. Talvez o Kirizão 3.0 estivesse sendo muito duro consigo mesmo.
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Bakugou estava puto. PUTO. E não eram nem três da tarde. Estava sem secretário e tudo parecia fora do lugar. Nem sequer sua permissão de vôo conseguira encontrar. O despertador não tocara, a esteira de corrida parou de funcionar. Fora todas as horas de viagem as quais teria que trabalhar no computador. Um desastre e era apenas o primeiro dia. Mas precisava ser firme. Maldito Deku e maldito Kirishima!
Entrou no aeroporto às pressas, despedindo-se brevemente do motorista. Precisava encontrar onde embarcaria, e agradeceu mentalmente por ter dado tempo do Deku de merda ter reservado o jatinho. Pelo menos chegaria rápido.
Gritou com meia dúzia de pessoas que caminhava despreocupada a sua frente. Odiava aeroporto, odiava as revistas, a quantidade de pessoas. Odiava tudo.
Não havia finger até o avião, é claro, teria que andar exposto ao Sol e encarando os sons ensurdecedores das turbinas do jato. Deu sua mala à um dos comissários de bordo e subiu a escada pisando duro e finalmente entrou na aeronave. Jogou a maleta que carregava em qualquer canto do avião e amaldiçoou cada geração de secretários que já havia passado pela U.A. Quando ia se acomodar em uma das poltronas com mesa, porém, teve a visão que mudaria a viagem inteira.
Nada o prepararia para aquela cena:
Óculos escuros, terno branco arrojado. Cabelos pretos longos e trançados. Pernas cruzadas de maneira sensual. Nos pés, as Crocs vermelhas da sorte que conhecia bem e nas mãos, a agenda cheia de post-it's cuidadosamente organizada pelo outro secretário. Sorriso pontiagudo e brilhante. Como odiava amar aquele sorriso.
- O que caralhos você está fazendo aqui?!
Perguntou o loiro, sem saber se estava puto ou chocado.
- Olá, Bakugou! Eu serei seu secretário nesta semana. Espero que possamos dar nosso melhor juntos.
Chapter 14: PFW e as Crocs azuis do All Might
Notes:
Tá acabando, gente. Pretendemos soltar mais 2 capítulos até amanhã de noite. Esperamos que vocês fiquem conosco até o final.
Boa leitura e bem-vindos à Paris.
(See the end of the chapter for more notes.)
Chapter Text
Sete horas de viagem. Sete horas confinado com Kirishima em um avião que nunca pensou ser tão pequeno. Não sabia se agradecia por aquilo ou se surtava e o distanciava. Ele era tão confuso! Se não queria ficar perto dele, não aceitasse aquela merda de trabalho.
O editor tinha em mente que era tudo culpa do Deku de merda! Ele havia dito que se virava sozinho, mas não! Aquele filho da puta de cabelo verde não tinha a porra da capacidade intelectual para entender uma merda de frase tão simples.
Bakugou sentiu-se ainda pior tendo que encarar o sorriso profissional do atual primeiro secretário. Ele era tão perfeito em seu trabalho que não conseguia sequer encontrar motivos para brigar com ele. E agora estava… Diferente. O loiro não conseguia decidir se para melhor. Mas tinha que encarar aquele desafio. Eijiro estaria ao seu lado durante aquela semana e precisaria de toda a força de vontade do mundo para não se declarar novamente, ou mostrar que precisava dele, e não era como secretário.
Logo ao chegar no aeroporto, flashes de câmeras começaram a disparar. Era óbvio que alguém como Bakugou Katsuki não passaria incólume às lentes. A mídia estava ali. Esperando por um aceno, ou um deslize. Quando o editor-chefe da U.A percebeu, seu secretário andava atrás de si, como uma sombra, usando óculos escuros e uma boina preta da Dior. Estava praticamente irreconhecível. Certamente Deku estava por trás daquilo, e claramente Kirishima não queria ser reconhecido. Daria certo, se ninguém olhasse para seus pés.
Entrou no carro, passando os dedos pelo cabelo e esperando que o secretário ditasse o endereço do hotel, onde chegaram em pouco tempo.
A cidade ficava lotada de fashionistas e celebridades que concorriam para frequentar os desfiles mais disputados e trazer mais cor à às vezes tão cinza Paris. Estava mais que acostumado com aquilo. Era quase como seu habitat natural.
Conhecia o hotel como a palma de sua mão e sempre fora bem recebido ali. Geralmente, o secretário que o acompanhava ficava no quarto à frente. Eles já conheciam o esquema. Então, estranhou quando a recepcionista entregou apenas uma chave nas mãos de Kirishima.
- E o outro quarto?
Perguntou Eijiro à recepcionista.
- Só recebemos a reserva de apenas um quarto, senhor.
O loiro observava de longe a retórica entre ambos o secretário e a mulher. Aquilo já deveria estar mais do que resolvido, já que Midoriya lhe garantira que a reserva estava feita. Decidiu intervir para tentar chegar ao quarto o mais rápido possível, estava cansado e toda aquela reviravolta o deixara com dor de cabeça.
- O que está havendo Kirishima? Por que ainda não estou em meu quarto?
- Bom… Aparentemente houve algum tipo de erro no pedido e há apenas 1 quarto reservado para a U.A.
- Como assim?
Katsuki dirigiu-se dessa vez à recepcionista.
- Nós estranhamos o pedido, senhor Bakugou, mas o senhor Midoriya reservou uma suíte de casal e disse que seria mais apropriado. Eu mesma recebi a reserva e está no nome de ambos os senhores.
- Apropriado?
- Senhor, não fazemos questões quando as suítes são reservadas.
- Então reserve outra para ele!
- Não será tão simples, senhor Bakugou. Por causa da Semana Fashion estamos com lotação completa e conseguir um quarto dependeria do cancelamento de alguma outra reserva, coisa que também é difícil, dada a qualidade de nosso hotel.
- Um cliente fiel que paga uma fortuna todos os anos para se hospedar aqui e vocês não podem fazer NADA? QUER SABER, CANCELA ESSA MERDA. Eu vou para o hotel onde está o restante da minha equipe.
- Senhor, eles estão em um hotel da rede filiada que também está lotado. Todos os hotéis da cidade estão nessa situação. E se cancelar aqui, provavelmente não encontrará outra vaga. Eu garanto que o quarto que preparamos está nos conformes que seu outro secretário exigiu e o senhor e o senhor Kirishima farão bom proveito dele e de nossa hospitalidade.
Eijiro viu o chefe ficando vermelho. Não sabia se de raiva, por causa da situação, ou se de vergonha por ter que dividir o mesmo quarto que ele. O próprio secretário começou a sentir as próprias bochechas esquentarem ao pensar que teria que dividir a cama com Katsuki por uma semana inteira. Ter o cheiro dele perto demais, a presença dele perto demais. Engoliu seco. Seria impossível sobreviver aos próprios desejos e impulsos. Mas se era o jeito, ele resolveria.
- Nós ficamos com o quarto!
O editor olhou incrédulo para o outro.
- Você enlouqueceu de vez, Kirishima?
O secretário colocou a mão sobre o ombro do chefe, fazendo-o arrepiar da cabeça aos pés com a imponência.
- Confia em mim. Vai ficar tudo bem.
Aquele gesto fora o suficiente para convencer o editor. Os dois foram guiados até o elevador, no qual entraram já sem as malas, e, não obstante, sozinhos. Estavam hospedados no último andar e, é claro, o elevador se movia com a velocidade de uma tartaruga. Apesar de terem passado horas juntos no avião, não estavam preparados para compartilharem de um lugar tão confinado. Nenhuma vivalma chamava o elevador. O que parecia coincidência demais, entretanto, dada a situação toda, era bizarramente esperado.
O silêncio que se seguiu fora sepulcral.
Kirishima sentia as ondas de calor vindas do corpo de Katsuki, que estava mais vermelho que pimentão, e Bakugou, por sua vez, sentia em sua língua o gosto de Eijiro, sem sequer tocá-lo. Ambos queriam mais. Ambos sabiam disso. Evitaram os olhares enquanto puderam, e quando a porta finalmente se abriu, sentiram que finalmente podiam respirar. O loiro fora o primeiro a sair, o secretário, porém, continuou na cabine, em uma espécie de transe.
- Ei! Vai ficar aí sonhando acordado? Temos o que fazer.
Eijiro não o respondeu, já que, de fato, estava sonhando acordado. Com o chefe, era claro, mas jamais admitiria na sua frente. Saiu e apressou-se para ultrapassá-lo e abrir a porta com o cartão que havia pego da recepcionista.
Midoriya havia feito um ótimo trabalho ao escolher o quarto. Ficava no último andar do hotel, o que dava a Bakugou uma privacidade extra e era muito espaçoso a julgar apenas pela antessala (na qual havia uma poltrona, duas cadeiras, uma mesa de centro e vários móveis decorativos). Já sobre o quarto em si…
Parecia coisa saída de filme romântico. Brega.
A janela estendida dava vista para a cidade e a iluminadíssima Torre Eiffel. A cama king size estava coberta de pétalas de rosas vermelhas, com dois roupões felpudos esticados. Havia garrafas de champagne em baldes de gelo, as taças de cristal logo ao lado das garrafas, acompanhadas por velas vermelhas e aromatizadas.
Kirishima achou tudo de muita masculinidade e bom gosto.
Bakugou pensou em ligar para o All Might e retirar sua indicação sobre o cargo de Izuku. Gritava por dentro. Aquele pseudo-clima de romance só deixava as coisas piores.
- Se você tem alguma ideia de como vou me livrar dessa porra, agora é a hora de falar.
Rosnou Katsuki em um tom mais ameaçador do que Kirishima jamais ouvira.
- Obviamente o Midoriya se enganou em alguma etapa da reserva, pois isso é inapropriado, por mais que seja totalmente estiloso e másculo. Bom… Já que o resto da staff está em um hotel a duas quadras daqui, posso pedir asilo no quarto de um deles. Não seria difícil e…
- Que merda você está falando? Você NÃO vai ficar com o resto da equipe!
- Mas só tem um quarto e…
- Essa era a sua solução? Honestamente, Kirishima… Eu conheço essa porra de evento como a palma da minha mão e eu preciso que você esteja disponível e atento.
- Mas…
- Não tem "mas", cabelo de merda.
- Tudo bem, então. Eu pego uns cobertores e fico na sala à sua disposição. Assim você pode ter sua privacidade e ficar em paz.
O loiro pensou em retrucar. A situação toda era desconfortável, mas não podia obrigar Eijiro a dividir a cama consigo. Ele estava em seu modo profissional e a sugestão do outro era, de fato, a mais ética. Katsuki odiava aquela merda toda. Odiava gostar tanto daquele ex-ruivo idiota. Odiava estar preso com ele uma semana inteira porque o secretário era imbecil o suficiente para ser sádico a ponto de assinar um contrato temporário com a U.A. sem que ele sequer soubesse. E odiava ainda mais a distância que estava lhe sendo imposta. Tudo isso na semana mais importante da temporada. Se a imprensa sonhasse que os dois estavam no mesmo quarto… Se encontrasse o merda do Deku acabaria com sua raça na mesma hora. Era até bom que não se encontrassem.
Não havia tempo para pensar demais. Precisava das habilidades de Kirishima naquele instante. O secretário recolheu cada item daquele cenário bem montado e sentou-se em uma poltrona, sendo abordado pelo chefe, pouco depois.
- Como está a agenda?
- O primeiro evento é o da OFF-WHITE. Você tem lugar na primeira fila, logo na metade, eu estarei no assento atrás do seu, pronto para o dar o suporte e receber suas anotações. Logo depois vamos ver o desfile da Chanel. Aqui diz que você ainda não havia feito escolha sobre o desfile de 13h. De noite temos o desfile da USS e o coquetel. Eu separei o schedule para você analisar. São muitos desfiles e teremos que nos locomover bastante.
- Certo. Para o almoço, garanta que vou ficar longe do Endeavor, isso arruinaria meu humor para o resto do dia. Tente me colocar perto do Jeanist e da Miranda Priestly, pelo menos ela compartilha do meu gosto pelo trabalho duro.
De trabalho e de dureza, Kirishima também entendia muito bem, afinal, dormir no chão não fora fácil e teria que dormir muito bem para acordar antes de Bakugou e deixar absolutamente tudo pronto para o prosseguimento do dia.
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- Bakugou, o que você está achando do primeiro dia da Paris Fashion Week?
Perguntou um dos repórteres na entrada para o desfile da USS.
- Os highlights da temporada são evoluções naturais do que temos visto desde o ano passado. Um urbano mais colorido, se posso dizer assim. Temos muitos metalizados, néon, tule, cores vibrantes. Acho que teremos mais disso.
- E o que esperar do desfile da USS? A U.A tem feito colaborações muito importantes com eles...
- All Might é um gênio e para mim ainda será designer número um por um bom tempo. É um dos meus maiores heróis e é o desfile que mais espero todas as temporadas. Andamos conversando e creio que ninguém se decepcionará.
- Uma última pergunta… O que tem a nos dizer sobre o ocorrido com o seu ex-secretário?
O loiro quase espumou. Kirishima teve medo de uma explosão ao vivo.
- QUE VOCÊS VERMES DA IMPRENSA VÃO…
- BAKUGOU! Temos que entrar ou nos atrasaremos.
Kirishima, que usava um vestido de meia manga, mid, com botões, ótimo corte e coturnos Crocs, disse empurrando o chefe para dentro, ainda dando oportunidade para o outro responder ao longe.
- Sem comentários.
Eijiro estava encantado com Paris e a Fashion Week. A cidade, os desfiles, as pessoas… Tudo extremamente másculo. E Midoriya claramente estava errado: tule era a última moda em Paris. Entraram no cenário escuro, moldado por desenhos de prédios luminosos e house music construíam o ambiente. Nas cadeiras havia um pequeno guia do desfile e um lenço bordado da USS com assinatura do próprio All Might. Era fascinante como Bakugou parecia estar em seu habitat natural. Nada o abalava. Por um segundo, ou talvez um pouco mais, o admirou, olhando o terno de haute couture, com a sobreposição do corset masculino de couro que o deixava ainda mais másculo, se é que era possível.
O desfile fora mágico e o editor-chefe da U.A não estava errado. A USS sempre se superava e não fora diferente daquela vez. Os presentes puderam ver as peças exibidas nas páginas da revista em primeira mão. Kirishima até mesmo pensou que ficaria bem desfilando com a calça de sua foto.
Ao final, All Might entrou com todos os modelos, seguido por entrega de flores e palmas. Terno amarelo e um par de Crocs azul-escuro. Bakugou passou a mão no rosto. Se All Might estava usando Crocs, aquilo seria tendência ainda hoje. Sua nuca arrepiou-se. Sabia que era o brilho do sorriso de Kirishima.
Após o desfile, ambos dirigiram-se sem muita conversa ao coquetel que ocorreria nos jardins do hotel Ritz, um dos mais luxuosos da cidade. A luminosidade era aconchegante e as pessoas começavam a amontoar-se para celebrar o sucesso da United States of Smash. O jazz possuía o ambiente, tornando tudo mais romântico. E não era à toa que Bakugou estava odiando cada segundo ali, até mesmo por isso, começou a beber o champagne servido.
- Não é melhor você beber um pouco mais devagar? A gente sabe o que pode acontecer quando você bebe...
Sugeriu o secretário.
- Me deixa em paz, cabelo de merda. Eu não preciso que você seja minha babá, sou um maldito adulto.
Eijiro expirou pesadamente. Não queria ter que lidar com as possíveis loucuras do chefe quando bêbado. Dirigiu-se aos garçons e pediu para que evitassem passar perto do loiro em uma tentativa de evitar o pior. Enquanto isso, Katsuki procurava por All Might para parabenizá-lo, quando encontrou Midoriya agarrando-se com o namorado em um dos arbustos escondidos.
- DEEEEEEEEEEEEKU.
- De novo isso, não.
Disse o de cabelos esverdeados, soltando-se do namorado, ambos com as bocas vermelhas e corados.
- É a porra do coquetel da sua grife e você fica aqui parecendo um coelho com o seu namoradinho meio a meio? Você perdeu a noção?
- Você não é nem mais o chefe dele.
Disse Todoroki.
- Posso não ser mais o chefe, mas ainda tenho senso. QUE PORRA DE IDEIA FOI ESSA DE PEDIR A PORRA DE UM QUARTO DE LUA DE MEL.
- Vocês não gostaram? Paris est la ville de l'amour! É o que todos dizem.
- Isso só fodeu mais com tudo! O cabelo de merda, de mim, só quer distância.
- Você acha mesmo? Ele veio por sua causa, porque ficou preocupado. Ele é um cabeça dura!
Bakugou parecia ainda processar a informação quando percebeu que Endeavor atracava-se com Jeanist em outro canto da festa, fazendo com que All Might se intrometer entre os estilistas. Os fotógrafos começavam a se aglomerar para fotografar a catástrofe.
- Mas que merda!
Foi tudo o que o editor conseguiu dizer antes de sentir a mão do secretário em seu braço e o calor da sua respiração em seu ouvido.
- Bakugou, acho melhor a gente ir embora. All Might vai entender. Isso aqui não vai acabar nada bem e é melhor ficar longe das câmeras. Eu mando um presente para ele amanhã.
Não era tão tarde quando saíram da festa. Kirishima tentou chamar um táxi para voltarem, porém, com a grande quantidade de pessoas que também saía do lugar, estava praticamente impossível conseguir um veículo disponível. Vendo que a situação não melhorava, Bakugou sugeriu que fossem andando até hotel que ficava a 4 quadras do Ritz. Não era realmente uma caminhada impossível.
A noite de inverno era fria e úmida. Ambos colocaram seus casacos e puseram-se a andar lado a lado, sem dizer muitas palavras. O secretário observava atentamente o olhar do chefe sobre os edifícios e monumentos pelos quais passavam. Seus olhos pareciam brilhar como os de uma criança ao ver os presentes de natal.
- Sabe… Eu nunca tive a oportunidade de andar pela cidade durante todos esses anos. Acho que é a primeira vez que eu de fato consigo admirar as ruas de Paris. Tudo é bem… Estiloso.
- Também é minha primeira vez aqui e… Apesar de não estar a passeio, fico feliz que seja com você.
Eijiro assustou-se com as próprias palavras. Não devia ter dito aquilo. Não devia. Falara demais.
- Quero dizer, profissionalmente. Nós somos patrão e empregado e…
- Parece que você só fala isso para tentar se convencer dessa merda.
- Não é isso…
Bakugou sentiu que se continuasse aquela conversa se irritaria. Não era momento para aquilo.
- O que você achou dos desfiles? Eu lembro quando minha mãe me trazia. Eu achava um inferno.
- Másculo é a palavra. Eu queria ter dinheiro para ter todas aquelas roupas. Os modelos têm um estilo muito parecido com o meu.
- Você parece feliz.
- E tem como não estar? O All Might estava usando Crocs!
- Eu tinha certeza que você tinha gostado dessa merda.
Bakugou respondeu.
Kirishima segurou-se em um poste, rodeando-o.
- E tem essa essa cidade, essas luzes e...
Quando terminou a volta, os olhos de Bakugou cruzaram-se com os seus. Próximo demais, quente demais.
- Você sabe como eu me sinto, idiota. Por que fica me mandando sinais dúbios? Eu já tenho merda o suficiente na cabeça para lidar e você faz… ISSO. Porra, quero dizer, essas coisas… Fala essas coisas…
O loiro parecia um tanto exasperado e confuso e Eijiro não estava muito melhor. Queria poder beijá-lo de novo, senti-lo de novo, mas os sentimentos conflitantes o refreavam.
- Para de pensar tanto, porra! Pelo menos só dessa vez… Só dessa vez faz o que você quer.
Kirishima sabia em seu íntimo que no momento em que seus pés se moveram na direção do outro, não haveria nada que pudesse contê-lo. Puxou Bakugou contra si e beijou-o com toda a propriedade, não segurando os sentimentos em si, a saudade que sentia. A resposta foi imediata. O outro agarrou-o pela cintura, passando a mão pelos cabelos pretos, impedindo que os lábios desgrudassem. E como sentiam falta daquele contato! As línguas massacravam-se pela saudade, e as respirações misturavam-se a ponto de não saberem de quais pulmões saía o ar. Ambos queriam tanto aquilo… Ter seus dedos entrelaçando-se, suas peles queimando ao ritmo dos toques, sentirem seus corações conectados daquela forma…
- E depois, Bakugou?
- Foda-se o depois. Foda-se essa merda, esses repórteres. Eu nunca me importei tão pouco com isso. Seria uma merda completa se você não estivesse aqui. Assim como têm sido esses dias todos.
- Você tem certeza disso? O inferno nos espera se descobrirem.
- Se for para queimar nessa porra, prefiro que seja com você.
*
Termos usados:
*schedule: agenda
*highlights: coisas notáveis/dignas de atenção
*haute couture: alta costura
*Paris est la ville de l'amour: Paris é a cidade do amor
Notes:
Gente, só vamos conseguir responder aos comentários assim que terminarmos de postar, mas vamos responder todo mundo, taokei? Amamos vocês!
Chapter 15: Barry White e as Crocs Prateadas
Chapter Text
Notas iniciais:
Gente, taí e é isso. Eis o que vocês esperavam tanto. Penúltimo capítulo. Até mais tarde, chega o último. Amamos vocês.
*
- E se virem a gente?
Disse Kirishima após ser beijado na saída do elevador, totalmente sem fôlego.
Não teve resposta. Bakugou o agarrou novamente, chocando-o contra as paredes do corredor do hotel.
A grande verdade era que o chefe estava pouco se fodendo. Queria tanto aquilo. Mais do que quis ser editor, do que quis sair da casa da mãe, do que quis não ser incomodado por gente inconveniente. Mais do que queria trabalhar.
Beijou-lhe a orelha, devorou seu pescoço, ouvindo Eijiro gemer baixinho, totalmente entregue, enquanto agarrava os cabelos do loiro. Tropeçaram algumas vezes até chegarem na porta do apartamento, Kirishima puxou o cartão do bolso, passando-o de forma desajeitada na trava, enquanto o loiro ainda o beijava apaixonadamente.
Os dois entraram apressadamente, retirando os sapatos, e o editor pressionou o secretário contra a mesinha na entrada do quarto, onde ambos deixaram os casacos, sem sequer interromper o beijo.
- Katsuki… Eu…
- Você me chamou do que?
- Kat...Suki
O loiro beijou o de cabelos pretos, sorrindo levemente debochado.
- Que evolução temos aqui. Saímos de Seu Kacchan para Katsuki.
- Você não gosta?
- Eu gosto de qualquer merda que envolva você.
Dessa vez foi Kirishima a tomar a iniciativa. Tomou Bakugou no colo, como recém-casados, levou-o até o quarto e colocou-o na cama macia, admirando-o. Lembrou-se dos pacotinhos que guardara em sua bolsa, por ser precavido, pegou-os e colocou na mesinha de cabeceira da cama. Bakugou apenas observou e sorriu ao perceber o que eram.
- Você sabe de como eu gosto das coisas, cabelo de merda… Pode parar com essas frescuras.
Eijiro riu consigo. Mesmo sendo a primeira vez de Bakugou, sua personalidade não mudava. Era direto e assertivo. Másculo. Tudo o que poderia querer em alguém.
Ele debruçou-se sobre o loiro, chegando tão perto de seu rosto que podia sentir a respiração incerta do outro. Sabia que aquele era o momento de deixar as palavras traduzirem o que já sentia há tanto tempo e não teve a coragem de dizer.
- Bakugou, eu… Gosto de você. Desse jeito másculo que você é. Quero dizer… Eu…
O editor nem sequer permitiu que Kirishima terminasse e o moreno se deixou ser beijado, enquanto o outro deslizava a mão por suas coxas geladas do frio invernal, aquecendo-as e arrepiando sua pele.
- Porra... Adoro quando você usa vestido.
Ambas as mãos começaram a despir as peças de roupa. Não foi exatamente difícil para Bakugou retirar o vestido, mas Eijiro teve suas dificuldades ao tentar desabotoar o corset no escuro. Demorou tanto que decidiu desistir do corset, desabotoando apenas a camisa e puxando-a de maneira nem um pouco polida.
Começou beijando o outro pelas clavículas, agradecendo por todas as horas matinais de malhação do loiro. O torso era completamente másculo e o peitoral torneado. Quis beijá-lo ali e dedicou-se a lamber um dos mamilos, enquanto agarrava a cintura de Bakugou, que apertava os músculos de seu braço.
O loiro estava completamente entregue, mas não daria a Kirishima a satisfação de vê-lo daquela forma. Puxou-o e girou no eixo de seus corpos, invertendo as posições e tomando o controle das ações. Queria que o amante chorasse de satisfação ao senti-lo, mesmo que não tivesse experiência no assunto. Fez com o outro o mesmo que ele fez consigo. Beijou seu pescoço, inalando o perfume de rosas vermelhas (o que não foi surpresa alguma) e mordeu o lóbulo de sua orelha, arrancando um inalar profundo do outro. Desceu por seu torso magro e definido, mordendo cada pedaço de pele exposta e fazendo com que Eijiro arqueasse suas costas pelo prazer sentido.
Kirishima desceu as mãos pelo peitoral do outro, arranhando-o de leve e alcançando o fecho da calça do chefe, que parecia aprisioná-lo. Mas Bakugou segurou as mãos com força, colocando-as acima da cabeça do ex-ruivo, fazendo-o suspirar.
- Isso é maldade.
- Eu nunca disse que seria bonzinho. Agora fica comportado porque eu quero fazer algo por você. Tenho pensado tanto nisso… Às vezes eu estava no meio de uma ligação importante e você aparecia na minha cabeça, me deixando de pau duro. Não se sente culpado por isso, porra?
Sentiu a respiração do secretário pesar quando alcançou o elástico da cueca boxer preta com os lábios, arranhando os dentes de propósito na pele lisa. Fez o que quis. Brincou com a língua na virilha do secretário, enquanto abaixava a peça, mordiscava partes de sua coxa, fazendo o outro se contorcer com a tensão produzida. Se sentia um maestro tocando uma sinfonia com o corpo alheio.
Bakugou chegou ao seu membro. Era esquisito pensar que um dia estaria de frente a alguém, pronto para chupá-lo até acabarem suas forças, mas por Kirishima… Colocou sua boca vagarosamente, começando com os lábios na cabeça, beijando-a e explorando o desconhecido. Gostou da sensação e continuou a distribuir beijos por toda a extensão. Finalmente, abocanhou-o e succionou o mais forte que conseguiu, por diversas vezes. Sentiu que Eijiro mal se aguentava e deixou que o outro fizesse o que queria. Seus olhos encontraram-se, fazendo com que o ruivo exclamasse quase em um sussurro:
- Isso é tão… Másculo.
O secretário jogou a cabeça para trás, movendo a cintura, estocando fundo na boca quente do chefe e se perdendo nas sensações incríveis que sentia. Era tão bom que precisou pedir ao loiro que parasse. Ainda queria mostrar toda a sua própria masculinidade ao outro.
Quando o editor se ergueu, Kirishima abraçou-o por trás, beijando seu pescoço e alcançando o fecho da calça, dessa vez recebendo a aprovação do outro. Agarrou o membro duríssimo com a mão, masturbando-o, enquanto ajudava-o a retirar a calça e a cueca.
- Caralho, Kirishima.
Disse o loiro ao sentir o moreno passar o dedo pela glande.
- Eu quero fazer outra coisa, posso?
Perguntou Eijiro.
Katsuki assentiu, logo tendo as costas beijadas e o peitoral pressionado contra a cama. O ex-ruivo mordeu uma das nádegas malhadas, lambendo-o em seguida, das bolas até o ânus perfeitamente depilados, empenhando-se ali, satisfeito com cada palavrão que Bakugou ameaçava dizer e não conseguia.
Rasgou o pacote do lubrificante, lambuzando sua entrada e massageando, fazendo com que a tensão da surpresa diminuísse. Ameaçou introduzir o indicador, mas antes, queria se certificar de que Bakugou estaria bem.
- Me fala se doer muito, tudo bem?
- Anda logo com isso, Cabelo de Merda.
Colocou seu dedo lentamente, sentindo o aperto das paredes internas e já enlouquecendo sobre como seria quando estivesse dentro dele. Balançou a cabeça em negação. Aquele momento era único para Katsuki e ele queria que fosse o mais prazeroso possível para ambos. Depois de poucos minutos, já inseria e retirava o dedo com facilidade e começou a procurar por seus pontos sensíveis, fazendo-o gemer um tanto mais alto. Sentiu que poderia fazer mais e colocou um segundo dedo. O corpo do loiro retesou-se. Kirishima não queria causar desconforto, então, voltou a beijar suas nádegas e acariciar suas bolas com a outra mão. Quando o sentiu relaxar, voltou com os movimentos de antes, dessa vez, procurando mais fundo no outro, quando finalmente encontrou o que procurava.
- Kiri… Shima!
O loiro arfou pesadamente e o secretário soube que agora o tinha em suas mãos. Reaplicou o lubrificante e tentou introduzir o terceiro dedo, masturbando Katsuki com a mão livre.
- Isso é alguma espécie de… Aaaah… Vingança?
Exclamou o loiro, que não aguentava mais aquilo.
- Por você ser um chefe tão másculo? Ainda não. Da próxima vez, quem sabe.
Kirishima sentiu que não aguentaria mais muito tempo. Fez com que o outro se virasse, enquanto colocava a camisinha e espalhava o lubrificante pelo próprio pau. Introduziu-o sem aviso, fazendo ambos gemerem.
O secretário distribuiu pequenos beijos sobre o rosto do chefe, beijando-o de maneira árdua, tentando amenizar qualquer dor que o outro pudesse sentir. Bakugou arranhava suas costas e murmurava palavrões inteligíveis, mas positivos.
Estar dentro dele era como o paraíso. Moveu-se de maneira leve, sentindo os dentes do editor morderem seu pescoço algumas vezes. Não queria machucá-lo, mas em pouco tempo, mesmo por baixo, Bakugou rebolava em seu pau, incentivando-o, e apertava sua bunda tentando modificar o ritmo.
Eijiro sentiu-o tremer quando começou a masturbá-lo no mesmo ritmo que se colocava dentro dele. Katsuki o empurrou e colocou-se sobre ele, sem interromper a penetração. Beijou o ex-ruivo, que segurou forte em sua bunda, e continuou movendo-se satisfeito ao perceber que os olhos do outro pareciam revirar, sabia que não estava muito diferente.
Agarrou o secretário pelos cabelos pretos alongados, trazendo-o mais para perto, quando sentiu que estava próximo do êxtase. Gemeu dentro da boca de Eijiro, que acelerou o ritmo da mão, fazendo Bakugou despejar-se e colocando-se apenas mais algumas vezes antes que o mesmo ocorresse com ele.
Caíram extasiados sobre a cama. Kirishima ainda estava ofegante e Bakugou ainda processava o gozo. Com a janela aberta, Paris inteira tinha visto os dois se amarem. A vista era quase como um sonho.
- Você… Gostou?
Perguntou o ex-ruivo, retirando a camisinha, dando um pequeno nó e jogando-a na lixeira ao lado da cama.
- Qual a merda da necessidade de sempre perguntar se eu gostei quando eu acho que deixo isso mais que claro?
Kirishima deitou-se sobre o peitoral do outro, ouvindo o coração bater forte e acelerado.
- Você é realmente um idiota, Kirishima.
- Eu sei. E você adora isso...
Disse o secretário sorrindo.
- É claro que não!
Respondeu Bakugou, claramente evitando o olhar do outro.
- Posso colocar uma música?
Perguntou Eijiro.
- Que tal EU escolher uma hoje?
Kirishima surpreendeu-se com a atitude, mas aceitou de bom grado a escolha do loiro, que colocou a música em repetição. Era Barry White, e se havia algo que rivalizava no amor do ex-ruivo por Bee Gees, era Barry White.
"Don't go changing to try and please me
You never let me down before
Don't imagine you're too familiar
And I don't see you anymore"
Ouviram as frases iniciais da música e ficaram em silêncio durante algum tempo, apenas aproveitando a companhia um do outro, como não faziam há bastante tempo. Bakugou alcançou o rosto de Eijiro, acariciando-o. Sentia que havia tanto a ser explicado… Queria poder dizer que desejava que o outro nunca tivesse saído do seu lado. Queria poder dizer que sentia sua falta a todo instante. Queria poder dizer que gostava dele do jeito que era.
"Don't go trying some new fashion
Don't change the color of your hair
You always have my unspoken passion
Although I might not seem to care"
- Por que você saiu da U.A daquele jeito, Kirishima?
- Não foi óbvio?
- Se era para ser óbvio, você fez um péssimo trabalho, porra. Eu fiquei na merda por dias…
- Eu fiz por você. Não queria te prejudicar de nenhuma forma, e ter seu nome associado ao meu só piorava as coisas. Todos nos olhariam diferente e… Quer dizer… Não foi só por você, sabe? Eu descobri que as pessoas sempre me olhavam como alguém sem senso de moda e passei a achar que não era nem bom o suficiente para ficar com você. E quanto mais neutro eu ficasse...
- E quando foi que EU me importei com essa merda de aparência? Eu comecei a me interessar por você com os looks exóticos que você arranjava, com as Crocs que eu detesto e com o cabelo de merda de todo dia. Esse visual de agora, com esse cabelo preto e essas roupas é até ok. Mas não é você. Nunca quis que você mudasse por mim.
"I need to know that you will always be
The same old someone that I knew
What will it take till you believe in me
The way that I believe in you?"
- Não?
O secretário virou-se para olhá-lo.
- Você é surdo? Eu te falei isso tantas e tantas vezes e você só me ignorou e fez o que quis. Acho que por isso eu fiquei tão puto. Mas… Eu não quero que as coisas fiquem assim entre nós. E também, para quem já se arrastou por você por aí, o que é dizer mais uma vez que eu te aceito da porra do jeito que você é?
Kirishima sentiu que podia explodir por dentro. Sentiu-se aceito e amado como nunca antes e os sentimentos eram recíprocos. Alcançou os lábios inchados de Bakugou e beijou-o novamente, selando seus lábios e paixão mútua.
"I said I love you and that's forever
And this I promise from the heart
I could not love you any better
I love you just the way you are"
- Eu tenho algo para você.
Kirishima estranhou quando o editor levantou, ainda nu, e caminhou até o guarda roupas, trazendo uma caixa bem embrulhada.
O secretário rasgou o papel, intrigado. Seus olhos brilharam quando viu o símbolo da Crocs. Abriu ainda confuso.
- Você me deu um par de Crocs prateadas?
- É.
- O que exatamente está acontecendo aqui?
- Eu pensei que, sei lá, você pudesse aceitar essa porra detestável como pedido de namoro. Mas se você não quiser…
- Eu quero. Quero dizer. Eu quero tudo. As Crocs, você… Tudo!
Beijou Bakugou o quanto pôde, abraçando-o com força
- Você está me machucando, cabelo de merda.
- Posso comprar um par de Crocs igual para você?
- Aí você já está querendo demais.
- Mas você parece que gostou do outro par que eu te dei… Até usou.
- Só fica quietinho, seu idiota.
Naquela noite, aproveitaram todo amor que Paris deu para eles.
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- Bakugou! Bakugou! Aqui!
Chamava um dos repórteres na coletiva de imprensa da U.A.
Kirishima apontou e cedeu a palavra para um dos que chamavam.
- Bakugou, quais foram as impressões sobre essa Fashion Week?
- Muita gente talentosa trabalhando duro. Tivemos muita inovação, glamour e creio que ela deixará algumas marcas pelas próximas três temporadas. Queria ressaltar o desfile da Jeanist, que mesmo com o plágio que o Endeavor cometeu, conseguiu se reinventar e trazer material de qualidade para as passarelas.
- A U.A. tem feito um trabalho sólido como líder do segmento de moda. Ao que você deve o sucesso da revista?
Bakugou aprumou-se no púlpito e iniciou sua resposta.
- Nós estamos sempre empenhados em trazer o melhor para os leitores e esse trabalho requer muita dedicação não só minha, mas como de toda a equipe, desde os funcionários da limpeza, às mentes pensantes que montam os layouts e decidem os conteúdos, até as pessoas que gerenciam o trabalho de todos. A U.A é um organismo vivo e eu sou responsável por mantê-lo trabalhando harmoniosamente.
- Falando sobre o trabalho em equipe… Recentemente houveram reportagens sobre seu envolvimento com o secretário da empresa, Eijiro Kirishima… A empresa negou a relação entre a contratação e qualquer ligação entre os dois, e, além disso, você negou que estavam juntos. O que tem a dizer sobre isso?
O secretário gelou. Não podiam ter feito uma pergunta pior, especialmente sabendo que era tudo verdade, mas quando olhou para Katsuki e o viu calmo e composto, sabia que ficaria tudo bem.
- Estamos juntos sim. Era isso que você e a imprensa queriam ouvir?
O burburinho na sala intensificou-se.
- Então você admite que estão namorando?
- Você tem algum problema com isso? Porque se tiver, pode enfiar no seu cu que eu não ligo. Eu me apaixonei pelo Kirishima, não pelo secretário da U.A e independente de qualquer coisa, ele era meu funcionário dentro da empresa. Não vou aceitar que porras que nem vocês maculem a ética profissional dele. E se eu ver mais uma matéria que manche a imagem dele, eu vou fazer questão de processá-los.
O silêncio que se seguiu foi impressionante.
- Mais alguma pergunta?
Chapter 16: O casamento e as crocs vermelhas da sorte
Summary:
Estamos na pressa, amamos vocês e depois nos despedimos propriamente.
Até a próxima, pessoal! <3
Chapter Text
- Como foi com os diretores?
Perguntou Kirishima ansioso, no escritório de Katsuki.
- A mesma merda de sempre. Aqueles filhos da puta só pensam em vender revista. Ficaram de avaliar a situação, mas eu juro que se aqueles imbecis não valorizarem o seu trabalho e decidirem que você vai ser demitido, eu saio dessa porra de revista e fodo com todos eles.
- Na verdade, Bakugou… Eu andei pensando sobre isso e não sei se quero ficar na U.A.
- Como assim você não sabe se quer ?
- Eu sinto que vou ficar muito engessado e preciso estabelecer minhas próprias metas profissionais. Eu não quero ser só o seu secretário para sempre.
- Mas a U.A. tem um plano de carreira. Você pode estudar, conhecer as áreas, sei lá.
- Não é assim tão simples, Bakugou. Por mais que meu trabalho seja impecável, sempre vão questionar minha qualificação aqui, e não é isso que eu quero. Quero poder ficar com você em paz e quero poder fazer meu trabalho e ser reconhecido por isso. Não importa se aqui na U.A ou em qualquer outro lugar. Levo meu orgulho como secretário muito a sério e estou disposto a recomeçar minha carreira em outro lugar.
- Onde, por exemplo
- Não sei… Tenho alguns contatos de empregos anteriores e o Endeavor…
- Olha… Tenta qualquer porra, menos o Endeavor. Aquele cara é um esgoto à céu aberto e já ouvi coisas ruins sobre ele, dos próprios empregados, fora que teve todo aquele problema do plágio com o Jeanist. Você já tentou o Aizawa?
- Já faz muito tempo desde a última vez que falei com ele…
- Porque da vez que ele esteve aqui pareceu bem interessado em te contratar novamente.
- Sério? Mesmo?
- Disse que estava sentindo falta dos uniformes. E do trabalho duro, claro.
Os olhos de Kirishima brilharam. Talvez fosse mesmo a oportunidade certa para voltar a construir sua carreira.
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- Eu realmente precisava ligar para o Eijiro para você decidir aparecer aqui em casa, Katsuki?
- Oi para você também, mãe.
As portas da mansão de Mitsuki Bakugou estavam abertas. O novamente ruivo, Kirishima, suava frio com a possibilidade de conhecer a sogra, com quem tanto falava ao telefone, pessoalmente.
- Oi, meu anjo! Ai! Estou tão feliz de te conhecer pessoalmente!
Mitsuki abraçou Eijiro efusivamente e ele retribuiu.
- Se dependesse desse desnaturado aqui, eu jamais conheceria meu genro! Vamos entrando e fique à vontade, Kirizinho.
Bakugou revirou os olhos ao ouvir o apelido que a mãe dera ao namorado. Pareciam até amigos de longa data. Entrelaçou os dedos nos de Kirishima e entraram na casa, seguindo para a sala de jantar, enquanto a mulher tagarelava sobre o quanto estava feliz.
- Assim que eu soube que vocês viriam encomendei a torta de morango daquela padaria que o Katsuki gosta e…
- Porra, mãe, agora sim!
- Para o Kirishima. Você merece no máximo dois tapas nessa tua cara para aprender a falar com a sua mãe direito.
- ESPERO QUE VOCÊ PEGUE ESSA TORTA E…
Eijiro colocou a mão sobre o ombro do outro, abraçando-o, fazendo com que a frase fosse interrompida. Sussurrou no ouvido do namorado:
- Fica quieto e eu te garanto mais do que um pedaço de torta de morango mais tarde.
O editor corou com aquela resposta. Nunca se decepcionava com as promessas de Kirishima.
No geral, era irritante o que sua mãe estava fazendo. Ela estava longe de ser aquele doce todo que demonstrava. Mas Eijiro parecia feliz. E gostava muito de vê-lo assim.
Talvez não tivesse sido de todo mal aceitar o convite.
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Bakugou estava na porta do apartamento de Kirishima novamente. Após passar por Uraraka, que pedia perdão todas as vezes que o via (Bakugou só não a processou porque Kirishima intervira), já não se importava mais de ser visto entrando ou saindo do prédio. Depois de 1 ano desde que assumiram o relacionamento, ainda era chamado para jantares na casa do ruivo, que adorava cozinhar os mais diferentes tipos de experimentos para o loiro.
Tocou a campainha e foi atendido prontamente pelo namorado que usava o avental de cupcakes, o qual um dia achou ridículo, mas hoje, só conseguia pensar no quanto combinava com a personalidade doce e máscula de Kirishima.
- Oi…
Katsuki percebeu que o outro sorria de forma um tanto nervosa e achou esquisito, porém, não mencionou nada.
- Vai me deixar aqui do lado de fora?
- N-Não! Entra.
Assim que entrou, o loiro percebeu que realmente havia algo de diferente, e, por mais que sempre achasse a poltrona com estampa do Romero Britto algo bem diferente, reparou que o ambiente estava à meia luz, iluminado apenas por velas e a mesa estava perfeita para um jantar à dois. Exatamente igual ao primeiro jantar que tiveram juntos.
- O que é isso? Está tentando me impressionar?
- Sempre quero te impressionar, isso não é novidade. Eu só achei que… Podíamos fazer algo diferente do usual, sabe?
O editor sorriu discretamente, do jeito que apenas Kirishima conseguia fazê-lo sorrir e beijou o ruivo de forma bem leve.
- Vamos comer. Seja lá o que você fez, está cheirando bem para caralho.
- Ótimo! É a lasanha de berinjela. Senta, Bakugou. Eu vou te servir hoje.
- Hm… Gostei disso.
Respondeu o loiro enquanto acomodava-se à mesa.
O atual secretário de Shota Aizawa serviu um pedaço da lasanha ao namorado, assim como seu vinho tinto favorito. Após, serviu-se também, sentou de frente a ele e começaram a comer. Conversaram um pouco sobre suas famílias, como eles insistiam em recebê-los o tempo inteiro e como o closet de Kirishima já não aceitava mais Crocs, devido ao pequeno espaço em seu apartamento. Quase terminavam quando o ruivo mudou de assunto.
- E então? Como vai com a nova secretária? Ela dá conta do recado?
- É… Pode-se dizer que sim. A Andrea se esforça, mas é muito desajeitada. Acho que é mais uma questão de tempo até ela pegar o jeito. Até que não foi uma má indicação, cabelo de merda…
- Eu sou bom em tudo o que eu faço.
Respondeu Eijiro, piscando para o outro.
- E você? Alguma novidade no Aizawa?
- Na verdade… Eu vou ser promovido a chefe do secretariado. Parece que houve uma reunião entre os diretores e meu nome foi citado pela maioria deles. De acordo com o Aizawa, é claro.
Katsuki sorriu de orelha à orelha ao ouvir aquilo. Estava feliz ao saber que Kirishima finalmente estava trilhando seu caminho subindo em sua carreira da forma que ele achava melhor. Se sentia afortunado em tê-lo conhecido e mais ainda por estar em um relacionamento com ele.
- Sempre soube que você era capaz. Parabéns pela promoção. Essa decoração e tudo isso é para comemorarmos sua promoção?
- Er… Bom… Vou te pedir uma coisa e você tem que me prometer que vai fazer, tudo bem?
- Você sabe que detesto prometer algo que eu não sei do que se trata…
- Não é nada sério, por favor, Katsuuukiii…
Bakugou podia lutar contra qualquer coisa no mundo, menos ao rostinho pidão de Eijiro.
- Está bem! Está bem! O que é?
- Fica em pé aqui, fecha os olhos e só abra quando eu disser para abrir.
- O que?!
- Vai! Por favor…
- Urgh! Ok, mas faça o que quer que seja essa merda rápido.
O editor-chefe da U.A fechou os olhos e levantou-se, esperando que algo acontecesse. Apenas ouviu barulhos de passos apressados do outro indo até o interior do apartamento e depois voltando. O aparelho de som fora ligado e How Deep Is Your Love começou a tocar ao fundo. Ouviu o inspirar e expirar profundo do outro que começou a falar:
- Desde que nos conhecemos eu sempre te achei muito másculo. Forte. Inteligente. Trabalhador. Todas essas coisas que eu admiro para caramba. E mesmo com meu jeito diferente e excêntrico, você olhou para mim de um jeito que ninguém havia antes. Viu minhas qualidades, meus defeitos. Tudo. E mesmo assim, achou em mim algo que combinava com você. Tivemos turbulências, enfrentamos criticismo, a imprensa, nossos superiores… Mesmo assim, estamos juntos. Contra todas as expectativas.
O ruivo fez uma pausa e o loiro sentiu suas batidas ficarem irregulares. Se perguntava o que Kirishima estaria querendo com aquilo.
- Eu disse várias vezes que gosto de você e ainda é verdade. Porém, há algo que se tornou mais verdadeiro ainda durante esse ano que estamos namorando. E-Eu te amo, Bakugou.
Katsuki quis abrir os olhos, mas eles revelariam as lágrimas que ameaçavam descer.
- Eu também te amo, cabelo de merda.
Respondeu o loiro, com a voz trêmula.
- Abre os olhos.
Ao abrir, ele viu Eijiro ajoelhado, olhando para si com os olhos brilhantes, segurando um par de Crocs douradas como uma oferenda.
- Bakugou, você… Quer se casar comigo?
Ele caiu em seus próprios joelhos, ficando no nível de seu parceiro, tomando as Crocs em mãos e abraçando o ruivo imediatamente.
- Que… Que porra! É claro que eu aceito!
Kirishima sentiu as costas ficarem quentes das lágrimas de Bakugou que agora caíam, mas não se preocupou com elas. Agora estariam juntos para sempre.
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Kirishima sentiu que nada o faria tão feliz quanto aquele dia. Os cabelos vermelhos compridos estavam meio presos. O terno branco com alguns detalhes pequenos em estampa do Romero Britto, impecável. Design de Midoriya, que fez questão de vesti-lo. Nos pés, as Crocs vermelhas, para dar sorte.
Apesar da popularidade de Katsuki, ambos decidiram optar por uma cerimônia pequena, com família e amigos mais íntimos.
Eijiro quis rosas vermelhas, pois as considerava muito másculas. Elas estavam em arranjos por todo o salão aberto, decorado com tendas, toalhas de mesa brancas também bordadas.
Mina e Sero o ajudavam a terminar de se arrumar.
- Eu nunca te vi tão bonito, Kiri!
Disse a de cabelos rosa, abraçando o amigo.
- Bakugou vai ter um gay panic quando te ver assim! Você está muito estiloso!
Afirmou Sero, colocando a mão no ombro do ruivo.
- Vocês acham mesmo? Não está um pouco brega?
Hanta fez um facepalm e Ashido fez questão de responder
- Se estivesse, ninguém aqui se importaria. Todo mundo ama vocês dois e só querem que vocês sejam felizes. Agora levanta dessa cadeira e vai lá casar com esse partidão que você arrumou!
Eijiro sentia as mãos suarem.
- Acho que essa foi a atitude mais máscula que já tomei em toda minha vida.
Do outro lado, Bakugou caminhava apressadamente, nervoso.
- Essa porra do Buffet está toda errada. Kirishima queria rosas vermelhas. BEM VERMELHAS. Eu não acho que isso possa ser chamado de vermelho.
- Calma, Bakugou. Eu já verifiquei tudo. O problema do Buffet já foi resolvido. E as rosas estão lindas. Kirishima mesmo já olhou.
Respondeu Jirou, calmamente.
- Eu sinto que vou explodir! Essa porra tem tudo para dar errado. E se o Brutus se distrair.
- Ele sempre corre para o Kirishima. Você sabe disso, porque ele parece com você.
Bakugou sentou-se, passando a mão pelo topete arrepiado.
- E a avó do Kirishima?
- Denki foi buscar ela, e olha… Aquele ali é neto de vó mesmo. Ela está usando Crocs, chamou ele de "Seu Kaminari" o trajeto todo e tem um gosto bem peculiar por brechós. Um amor de senhorinha. Ela está na primeira fileira, do lado da sua mãe.
- E…
- Para de se preocupar, Bakugou. Você é perfeccionista demais, às vezes. Hoje é o dia de vocês, a gente está cuidando de tudo. Você está maravilhoso. Vai dar tudo certo. Agora calça essas Crocs, porque senão você vai se atrasar.
As Crocs eram vermelhas, para dar sorte.
Todos estavam bem acomodados. Ansiosos. Uma versão instrumental de Too Much Heaven, do Bee Gees, começou a tocar, anunciando a entrada dos noivos. A música do primeiro beijo deles.
Bakugou e Kirishima entraram de lados opostos do salão. Ainda não haviam se visto. A felicidade dos dois era perceptível, assim como o encanto que um tinha pelo outro. Encontraram-se e deram as mãos.
- Você também está usando Crocs vermelhas, Katsuki.
- Você disse que elas davam sorte.
Foram interrompidos por um pigarrear de All Might, que naquela ocasião, era o juiz de paz.
- Senhoras e senhores, encontro-me aqui hoje em uma posição muito distante da qual me conhecem, realizando um pedido dos meus amigos, Katsuki Bakugou e Eijiro Kirishima. Creio que acompanhei um pouco do relacionamento dos dois e que todos aqui têm ciência que eles se completam. Bakugou não é a pessoa mais calma e sociável do mundo, mas tinha os pés no chão para segurar Kirishima, que por sua vez, é tão amável, entusiasmado e radiante que trouxe um novo brilho para a vida do noivo.
Os dois se entreolharam, ouvindo cada palavra. Mitsuki chorava na plateia, assim como Midoriya, que era confortado pelo noivo, Todoroki.
- Se há alguém dentre os presentes que tenha um motivo para que essa união não ocorra, peço que se manifeste agora. Sem mais manifestações, peço que realizem seus votos. Bakugou, por favor.
- Moda. Era tudo o que eu achei que sabia, até você aparecer com o pior terno que eu já vi, coberto de lama, na porta do meu escritório, mostrando que na verdade eu não sabia era de porra nenhuma. E você me intrigava, me desafiava, como ninguém ousou nunca fazer. E quando dei por mim, eu te odiava te amar. Detestava gostar tanto do seu sorriso pontiagudo, da sua dedicação, do seu cabelo de merda, do seu otimismo. E quando eu já estava totalmente fora de mim, me vi imerso em você. E não vejo o resto dos meus dias sem estar assim.
- Tudo o que vou dizer agora, disse no dia em que te fiz essa proposta maluca. Eu te acho tudo de bom, essa é a verdade. Não sou muito bom com palavras, mas se algo em você despertou minha atenção, foi sua masculinidade. Seu ímpeto. Sua personalidade forte e seu caráter inabalável. Isso é o que compõe um homem perfeito e foi exatamente o que encontrei em você. Muito além disso, achei meu lar, mesmo tão longe de casa. Achei alguém que me faz transbordar. Achei alguém que me ama como eu sou. E que eu o amo como ele é.
- Se todos concordam, peço que entre as alianças.
Brutus entrou desajeitado, com as alianças amarradas do dorso, um pouco desconfortável com a quantidade de gente. Mas assim que ouviu Kirishima dizer "Aqui, garoto!", foi animadamente até os noivos, que seguraram o cãozinho e trocaram as alianças. Kaminari e Jirou assinaram o livro como testemunhas, seguidos pelos noivos
- Pelo poder investido a mim pela Cidade de Nova York, eu os declaro casados. Podem se beijar.
De baixo do aro com rosas vermelhas, com todas as pessoas relevantes em suas vidas, os dois beijaram-se intensamente, selando a união improvável, mas que, contra todo o senso fashion, combinava perfeitamente.
Chapter 17: Aviso - SEASON 2
Chapter Text
Oi Gente!
Vocês pediram e a gente não conseguiu se manter longe dessa história. Postamos o primeiro capítulo da Season 2 aqui no Inkspired hoje. Para os que quiserem acompanhar, basta ir no meu perfil ou acessar o link:
https://ao3-rd-18.onrender.com/works/22019857/chapters/52548199
Agradecemos pelo carinho e esperamos ver vocês também lá.
