Work Text:
[1]
"Quando eu era muito jovem, eu era tolo o suficiente para acreditar que nosso Credo poria fim a todos esses conflitos. Se eu tivesse tido a humildade de dizer a mim mesmo, eu já vi o suficiente para uma vida, eu fiz a minha parte. Então, novamente, não há glória maior do que lutar para encontrar a verdade.”
Altaïr Ibn-La'Ahad - Assassin's Creed Revelations
Izuku perguntou a si mesmo se estava sonhando acordado enquanto observava Present Mic explicando sobre o vestibular novamente. Ele ouviu uma voz:
“Esse cara fala muito… Quando vamos pra ação?”
Uma voz feminina respondeu:
“Seja paciente, Yuusuke-san.”
-São os vestígios do One For All? Mas as vozes são diferentes dos portadores.- Izuku pensou confuso.
“O Nono consegue nos ouvir.”
Outra voz feminina disse gentilmente. E uma nova voz masculina disse num tom pensativo:
“O One for All deve ter chegado à Singularidade mais cedo do que o esperado.”
A primeira voz feminina comentou:
“Você não parece tão surpreso Nono.”
-Eu explico mais tarde.- Izuku respondeu em pensamento.
Dessa vez Iida não gritou com ele e Katsuki também não comentou sobre esmaga-lo. Ele notou Homura acenando enquanto iam para locais diferentes e retribuiu o gesto. Hikari deu uma rápida olhada mas não disse nada.
[.]
Correndo pela cidade falsa onde o Exame de Admissão aconteceu, Izuku tentou encontrar alguns robôs para esmagar. Todo mundo estava correndo por aí com todos os tipos de Quirks incríveis, como uma garota convocando armaduras e armas. Ou um garoto com características de dragão, que estava esmagando robôs.
Um robô avançou em sua direção e quando ele ativou o OFA por puro instinto bateu as palmas das mãos antes de as colocar no chão. Imediatamente espinhos de concreto saíram do chão e perfuraram o robô destruindo o mesmo. Uma voz dos vestígios comentou:
“Parece que você consegue usar minha Quirk.”
-Isso nunca aconteceu antes…- Izuku murmurou de cenho franzido.
-Nono pense nisso mais tarde. Você tem um vestibular pra passar.- Outra voz feminina disse gentilmente.
-Vocês têm razão.- Izuku concordou em pensamento antes de correr.
Enquanto corria, Izuku começou a notar que seus movimentos estavam mais leves. Cada vez que usava pequenas doses do One For All, uma aura dourada se misturava com pequenos traços azulados, como circuitos de energia.
"Isso é diferente... Mas é incrível!"
O rapaz pensou, desviando de um pedaço de concreto que voou quando outro candidato destruiu um robô. De repente, mais dois robôs surgiram na esquina. Sem pensar, Izuku fez novamente o movimento das palmas, batendo no chão.
As placas de asfalto se ergueram formando lanças, e mais uma vez os robôs foram destruídos com perfeição. Uma risada satisfeita ecoou em sua mente.
“Tá começando a pegar o jeito, Nono.”
Comentou Yusuke. E então ele continuou enquanto na mente de Izuku as instruções para uma técnica surgiam. Yusuke disse:
“Tente um Leigan naqueles robôs ali. Estão perfeitamente alinhados!”
Ele ergueu sua mão esquerda numa forma de “revólver” e uma pequena esfera azul se formou antes de Izuku disparar. Uma rajada azul obliterou a parte superior dos três robôs deixando Izuku, e alguns candidatos, de queixo caído. Yusuke gargalhava em sua mente.
Candidatos próximos ficaram boquiabertos.
“QUE FOI ISSO?!”
“Isso nem parece mais um simples soco superforte…”
“Foi tipo… Um Kamehameha de dedo!!”
Mas não havia tempo nem para comemorar direito. Um estalo alto ecoou, seguido do som de concreto se partindo. Izuku olhou e percebeu que um prédio estava desabando, exatamente em cima de dois candidatos distraídos, que lutavam com um grupo de robôs menores.
“NÃO VAI DAR TEMPO!”
Ele pensou, erguendo o braço, tentando gritar para eles saírem. Nesse momento, algo despertou. Uma aura dourada, mesclada com branco e toques de azul cintilante, tomou conta de seu corpo.
Atrás dele, nove caudas de energia tomaram forma, balançando como se tivessem vida. Quando estendeu o braço, um enorme braço de energia em forma de raposa disparou na direção dos destroços, esmagando completamente os pedaços de concreto no ar, salvando os dois candidatos. Um dos candidatos caiu de costas, arregalando os olhos.
“O… O QUE FOI ISSO?!”
No espaço mental, uma voz feminina e tranquila comentou com um sorriso:
“É a sua Quirk, Serena. Kitsune, certo?”
“Isso mesmo. O Manto da Raposa permite criar braços de energia, reforçar seu corpo e se regenerar de ferimentos.”
Izuku olhou para suas próprias mãos, que ainda brilhavam com aquela aura.
“Isso… Isso é incrível…!”
Ele murmurou, mas logo balançou a cabeça.
“Depois eu penso nisso! Tem mais robôs para destruir!!”
Ele então disparou novamente pelas ruas, a energia misturando-se cada vez mais de forma natural.
[.]
Naquela noite Izuku se viu na frente dos usuários anteriores do One For All. Os únicos que ele reconheceu foram o Yoichi, Nana e o espectro de Toshinori. Os outros cinco eram desconhecidos. O Segundo portador era um homem de cabelos loiros num rabo de cavalo trançado, olhos dourados, roupas pretas e sobretudo vermelho.
-Sou Edward Elric. Mas me chame só de “Ed”. Você usou minha Quirk que eu chamava de “Alquimia”.- Ed disse calmamente.
A Terceira portadora era uma mulher de longos cabelos loiros como mel, olhos azuis, camisa preta, saia vermelha, meias pretas longas e chapéu rosa. Ela se apresentou gentilmente:
“Sou Serena Yvonne.”
A Quarta portadora era uma mulher de longos cabelos azuis, olhos castanhos chocolate, usando um vestido verde e um laço no peito. Ela se apresentou:
“Sou Wendy Marvell.”
O Quinto portador era um jovem de cabelos negros espetados, olhos de mesma cor e roupas verdes. Ele se apresentou desinteressado:
“Yusuke Urameshi, garoto.”
A Sexta portadora era a mais jovem tinha longos cabelos negros, olhos roxos e usava um uniforme escolar. Ela se apresentou um pouco tímida:
“Sou Kotonoha Katsura.”
-Você já parece conhecer nós dois.- Yoichi disse pensativo indicando a si mesmo e Nana.
Izuku então deixou que todos eles olhassem suas memórias da antiga vida. As coisas ruins junto com as boas. Yusuke então disse:
“Cara… Se isso fosse um final de shounen seria o mais patético que já vi.”
-Yusuke!- Serena gritou escandalizada.
-Tudo bem… Aquilo foi patético mesmo.- Izuku admitiu envergonhada.
-Você não tá planejando "salvar” aquele psicopata de novo, está?- Wendy perguntou também não satisfeita.
Nana ficou em silêncio triste por seu neto ser um monstro cruel. O que ela poderia dizer sobre Tenko, ou talvez o nome que ele havia aceitado de Shigaraki? Qual nome carregava mais dor?
Um jovem cuja descida à vilania foi praticamente arquitetada por All For One e seu pai abusivo, o filho dela? Um garoto condicionado a odiar All Might, heróis e tudo o que eles representavam? Quanta agência ele tinha?
Era verdade; em seus últimos momentos, havia uma criança chorando pedindo ajuda de dentro de Shigaraki. Parte de Nana esperava que a criança recebesse misericórdia. Por outro lado, ao redor da criança havia um homem odioso e sádico que havia assassinado dezenas de pessoas simplesmente porque tinham esperança, e teria assassinado alegremente muitas outras se não tivesse sido impedido.
Ele fez suas escolhas. Talvez se soubesse que a queda de um herói teria sido causada por suas ações, ele teria sentido prazer. No entanto, Nana sabia que não havia prazer, nem mesmo a esperança de uma memória de prazer aguardando Shigaraki.
-Se estiver, espero que não planeje sacrificar o One For All a troco de nada. E saiba que não terá meu apoio nisso.- Ed se adiantou.
-De nenhum de nós. Lamento Nana… Tal como você, eu fui forçada a deixar minha família e amigos para trás… E como bem sabemos All For One ainda os matou por puro despeito. E o seu neto até o fim mostrou que não desistiria daqueles ideais destrutivos.- Serena disse com tristeza.
-Fui morta junto com meu namorado. Nunca pudemos sonhar em ter uma família graças aquele monstro.- Wendy disse com tristeza.
-Olha garoto o meu doador de esperma era Yakuza e eu escolhi ser herói puramente para poder prendê-lo e revelar isso por despeito. Eu tive amigos e colegas que me traíram por dinheiro ou coisas assim… Mesmo quando tentei dar segundas chances era uma aposta de 50/50. E na minha época tinha menos corrupção que na sua. Passei o OFA para Kotonoha por puro acidente.- Yusuke disse deixando suas razões.
-E eu fiquei meses fugindo de All For One até conhecer a Nana-san. Aquilo não era vida.- Kotonoha disse com tristeza.
-Eu não planejo tentar salvá-lo de novo. Se eu puder jogá-lo numa cela, caso ele tente me atacar no shopping se repetir será a salvação dele. Sinto muito, Nana.- Izuku os acalmou.
Ele nunca pensou direito em como a vida dos antigos portadores haviam sido arruinadas por All For One. Da última vez Nana havia sido a única mulher entre os portadores do One For All mas dessa vez haviam Serena, Wendy e Kotonoha substituindo alguns deles. Os Ed e Yusuke substituíram dois outros portadores também.
O que mais poderia ter mudado? Izuku fechava a mão, sentindo o peso do One For All pulsar dentro de si, mas também algo mais.
Memórias.
Possibilidades.
E vozes.
-Se você quiser fazer diferente desta vez… vamos te apoiar.- Disse Wendy, gentil.
-Mas se vacilar de novo com essa coisa de 'salvar todo mundo', a gente vai dar um puxão de orelha mental, entendeu?- Completou Serena, com um risinho brincalhão.
-Ei, deixa o garoto. Ele vai aprender com os erros. Só espero que não faça burrada demais nesse processo.- Acrescentou Yusuke com diversão.
Yoichi, observando tudo em silêncio, finalmente cruzou os braços e falou com serenidade:
"O One For All nunca foi apenas uma chama para passar adiante... Ele sempre foi, também, uma sepultura de vontades não realizadas. E agora, Midoriya... É com você decidir se este ciclo de sofrimento termina aqui."
-Perdoe-me... Por te passar um legado tão pesado.- Nana disse abaixando a cabeça, suas mãos apertando a capa do próprio uniforme.
Izuku, sentindo o peito apertar, respondeu com firmeza:
"Não, Nana... não tem do que se desculpar. Isso não é um fardo... É um presente. Um presente pesado, sim, mas cheio de significado. Eu carrego todos vocês comigo. Suas dores, seus sonhos... e vou transformar tudo isso em força para proteger os outros. Não... para proteger um futuro que vocês nunca puderam alcançar."
-Hm. Isso aí. Desde que não vá trocar seu braço pela alma de um maluco genocida, estamos bem.- Ed disse com os braços cruzados e com um sorriso no rosto.
-Verdade! E lembre-se... Não deixe que sua empatia te mate. Ser gentil não significa se sacrificar por quem não quer ser salvo.- Serena levantou o dedo, sorrindo.
-Nós acreditamos em você. Só não esqueça de acreditar em você também, tá?- Wendy se aproximou, segurando a mão de Izuku com um sorriso meigo.
Kotonoha, tímida, assentiu em silêncio, mas seus olhos transmitiam confiança. Yusuke, colocando as mãos nos bolsos, soltou um suspiro.
"Bom... Agora é contigo, pivete. Mete porrada quando precisar, dá carinho quando for merecido. E, se tudo mais falhar... mete mais porrada."
Todos riram um pouco, quebrando a tensão. Yoichi sorriu, olhando para os demais.
"O futuro é seu, Izuku Midoriya. Mas, lembre-se... Você nunca estará sozinho.”
Izuku não sabia o que o futuro guardava, mas sabia de uma coisa: desta vez, ele não estava sozinho. E mais ainda… Aquele mundo, com suas diferenças sutis e suas novas oportunidades, talvez fosse a chance de não apenas salvar os outros…
Mas também de se salvar.
[2]
“Pelo efeito borboleta um ato modifica toda uma sequência histórica de um indivíduo, pois a linha do tempo que poderia ter inúmeras variáveis vai por um determinado caminho. Por isso é fundamental se pensar em atos e consequências.”
No primeiro dia, Izuku, Homura e Hikari, animados, foram para a classe designada, 1-A. Hikari comentou pensativa:
“Você parece saber o caminho. Como se já tivesse estado aqui antes.”
Izuku perguntou se deveria contar a verdade? Ele não queria esconder segredos. O isolamento de guardar segredos foi um dos seus problemas na primeira vez.
-A questão é como você iria provar a viagem no tempo e que algumas coisas são diferentes.- Yusuke apontou.
Depois de pensar um pouco, ele chegou a um acordo. E então ele provocou suas novas amigas:
“É um segredo!”
-Tudo bem, guarde seus segredos.- Hikari disse com um bufo.
-Seja legal, mana. Todo mundo tem direito aos seus segredos, e o ar misterioso acrescenta charme a ele.- Homura disse com um sorriso.
Izuku sorriu para ela, e Homura sorriu de volta. Hikari apenas bufou e desviou o olhar, mas Izuku percebeu um pequeno rubor e corou também. Ao entrar na sala 1-A, Izuku sentiu o coração acelerar.
Aquela era a mesma sala onde viveu tantos momentos marcantes… Mas algo estava diferente. O cheiro no ar, o clima, até mesmo a aura dos colegas.
Ele deu alguns passos hesitantes até perceber algo que o deixou boquiaberto. A figura que estava de pé na frente da sala não era Aizawa Shouta.
-Isso não pode ser…- Ele murmurou baixinho, arregalando os olhos.
A mulher que os observava era alta, de postura firme, com longos cabelos roxos presos em um coque simples e um olhar afiado que, mesmo em silêncio, dizia: “Não me subestime”. Era Kaina Tsutsumi, conhecida anteriormente como Lady Nagant. Mas havia algo diferente nela: seu semblante estava mais sereno, mais leve. Não carregava o peso sombrio que ele conheceu em seu mundo.
Ela sorriu de leve, como quem reconhece uma presença interessante.
-Espero que estejam prontos. Essa é a Classe 1-A, e eu sou a professora Kaina Tsutsumi. Trabalhamos duro aqui, então se vieram esperando moleza… Recomendo voltarem pra casa agora mesmo.- Ela disse com um tom firme, mas sem o amargor que Izuku lembrava.
Izuku piscou confuso. Lady Nagant? Professora?
E… Tão diferente da que ele conheceu… O que mais será diferente aqui?
Antes que pudesse pensar muito, Yusuke murmurou em sua mente:
“Uau… Até que ela é gata. Quer dizer, para uma professora e tudo.”
-Você não tem filtro nenhum, né?- Izuku respondeu mentalmente, reprimindo a vontade de suspirar alto.
-Ele tá corando… Fofo.- Serena disse, rindo suavemente entre os vestígios.
-Concentração, Nono. Lembre-se que cada detalhe pode ser diferente nesta linha temporal.- Ed comentou com firmeza, mas com um leve toque de compreensão.
Enquanto processava isso, ele começou a observar os colegas ao redor e logo percebeu outra diferença gritante: Ochako, Sato e Ojiro não estavam ali.
“Eles não passaram? Mudaram de classe?”
Izuku pensou, até ser surpreendido pela presença de três alunos completamente novos. Um rapaz de cabelos castanhos bagunçados, olhos ferozes como os de um dragão, exalava uma aura intensa e confiante. Ele estava recostado na parede com os braços cruzados, observando tudo como um predador em repouso.
Izuku o reconheceu imediatamente apesar de nunca o ter conhecido.
Issei Hyoudou.
Perto dele, uma garota de cabelos brancos lisos, olhos azuis brilhantes e um olhar felino e analítico estava sentada sobre a carteira como se fosse um trono. Ela tinha a presença de uma rainha da batalha.
Kiana Kaslana.
E ao lado deles, uma garota de longos cabelos roxos e olhos alaranjados com um sorriso sereno, quase melancólico olhava pela janela como se estivesse em outro mundo. Sua aura era calma, mas poderosa, como uma maré prestes a rugir.
Ingvild Leviathan.
Os três pareciam estar sempre próximos, como se fossem inseparáveis. Havia uma conexão entre eles que ia além de amizade, talvez um passado compartilhado, talvez batalhas enfrentadas juntos. Izuku sentiu a pressão de seus olhares quando eles notaram sua presença.
Izuku sabia seus nomes por causa do ranking do exame de entrada e alguma pesquisa. Diferente da vez anterior, dessa vez a Classe 1-A foi a primeira a se dirigir ao auditório principal, onde as turmas do primeiro ano se reuniriam para a orientação coletiva. Izuku lembrava claramente que, na sua linha do tempo original, o professor Aizawa havia dispensado a turma dessa reunião, chamando-a de "perda de tempo".
Isso, mais tarde, gerou ressentimento entre as outras turmas que passaram a ver a 1-A como arrogante e cheia de si. Mas desta vez…
-Todos, em fila. Vamos dar um bom exemplo.- Disse Kaina com a voz calma e firme, guiando o grupo pelos corredores como se escoltasse uma equipe de operações especiais.
Izuku notou que, mesmo com o tom severo, os alunos a seguiam com respeito e atenção. Ela não exigia autoridade, ela inspirava. No auditório, outras turmas já estavam chegando. Murmúrios começaram assim que a 1-A entrou, mas desta vez o tom era diferente.
Os alunos do segundo e terceiro ano murmuravam:
“Olha só, eles vieram dessa vez…”
“Será que foi porque trocaram de professor?”
“Aquela mulher na frente… Ela é a Lady Nagant?!”
Apesar da atenção voltada para eles, os alunos da 1-A mantinham a postura. Issei vinha logo atrás de Izuku, bocejando como se aquilo fosse qualquer coisa. Kiana, com as mãos nos bolsos, encarava os outros alunos com um ar curioso e confiante, como se avaliasse predadores e presas.
Ingvild andava com passos elegantes, sua presença parecia mudar o ambiente ao seu redor. Izuku observava tudo. As reações dos outros estudantes, o clima diferente.
Não havia a mesma tensão hostil que lembrava. Havia respeito... E certa cautela.
Do lado da 1-B, um aluno comentou em voz baixa:
“É impressão minha ou a 1-A tá com três novatos que parecem vilões de filme?”
“Aquela de cabelo branco me olhou como se pudesse me fritar com os olhos…”
Sussurrou outro, suando frio. A orientação começou, com discursos formais do diretor Nezu e de outros professores. Izuku prestava atenção, mas sua mente fervilhava com perguntas.
Olhava para os lados tentando reconhecer mais diferenças: estudantes que não conhecia, professores com falas alteradas, e aquele trio, Issei, Kiana e Ingvild, definitivamente não pertenciam ao mundo que ele conhecia. Então novamente… Ed, Serena, Wendy, Yusuke e Kotonoha também não pertenciam.
Mas então as luzes do auditório se apagaram levemente, e o telão central brilhou, iniciando a apresentação com o símbolo da U.A. em grande destaque.
A voz do diretor ressoou pelo auditório.
“Bem-vindos, jovens heróis, ao começo da jornada que os levará além dos limites do impossível…”
Izuku olhou para os lados, vendo todos os rostos atentos, confiantes, cheios de potencial.
“Esse mundo… essa turma… são mesmo diferentes. Mas talvez…”
Ele fechou os punhos suavemente.
“Eu possa crescer com eles também.”
[3]
“Há mais em você do que os olhos podem ver.”
Transformers
Campo de Treinamento da U.A. — Área de Testes
Os olhos de todos os alunos voltaram-se para o trio que se aproximava. Kaina cruzou os braços, observando atentamente enquanto Izuku, Homura e Hikari tomavam seus lugares nos marcadores de início. A ex-sniper, agora mentora, girava lentamente uma caneta entre os dedos, anotando dados em seu tablet. Ao fundo, os alunos assistiam com interesse.
-Teste de Mobilidade, Reação e Controle de Potência em ambiente dinâmico. Três minutos. Alvo: superar obstáculos, salvar os bonecos civis e neutralizar os inimigos simulados.- Anunciou Kaina, com firmeza.
“Izuku, pronto.”
“Homura, pronta.”
“Hikari, vamos nessa.”
O cronômetro começou.
[.]
Izuku Midoriya foi o primeiro a avançar. Seu estilo era mais preciso e refinado que o habitual, misturando seu novo controle de One For All com uma leitura de campo impressionante. Ele usava a Quirk de Serena, Kitsune, deixando seu corpo com fluidez para se balançar pelos obstáculos, usando os rabos de energia para lançar de plataforma em plataforma.
“20%… Preciso manter estável.”
Em uma parte onde um "civil" estava preso sob escombros, Izuku usou os rabos para erguer os destroços suavemente enquanto criava uma estrutura de sustentação com detritos ao redor, evitando colapsos. Seus olhos brilhavam com foco.
“Resgate limpo. Dois alvos simulados restantes…”
Ao final, ele deslizou para o ponto final, com os "civis" seguros e todos os alvos nocauteados com precisão.
[.]
Homura foi a próxima. Suas chamas não eram descontroladas, mas dançavam com elegância. Com uma combinação de chutes acrobáticos e manipulação de fogo, ela destruiu as barreiras ao redor de um civil e criou uma ponte flamejante para atravessar um abismo estreito. Seus movimentos lembravam uma guerreira de RPG clássico — graciosos e devastadores.
“Não preciso usar tudo… não por enquanto. Mas eles merecem ver um pouco da minha alma.”
Quando uma das torres de simulação disparou projéteis, ela girou com sua espada manifestada, cortando todos no ar como se fossem folhas. Ela terminou com um movimento fluido, pousando com leveza.
“Teste concluído.”
[.]
Hikari, por outro lado, era velocidade pura. Mal o teste começou e ela já havia passado o primeiro obstáculo. Com sua luz prismática, ela cegava temporariamente os sensores dos inimigos simulados e cortava como um raio, deixando rastros de energia brilhante no ar.
“Sem tempo pra enrolação. Já vi o caminho. Vamos acabar com isso.”
Ela salvou os civis antes mesmo do cronômetro chegar à metade e terminou o teste no menor tempo até agora, fazendo um gesto arrogante ao final com uma piscadela para Izuku fazendo-o corar. Issei deu uma cotovelada nele e brincou:
“Cara ela tá tão na sua.”
-Calado.- Izuku respondeu com as bochechas coradas.
Issei riu e de repente Izuku teve visões de versões de ambos.
"Kuoh! Olhe para o seu herói agora!”
Izuku gritou enquanto balançava Ascalon cortando o braço esquerdo do Sekiryuutei. O Pawn gritou de dor quando foi arrancado do capuz, que foi arrancado revelando sua identidade para o mundo.
“Issei Hyoudou falhou com todos vocês! E agora ele pode morrer.”
Issei piscou ao ver Izuku ofegante e perguntou preocupado:
“O que houve? Te machuquei?”
Novamente Izuku teve visões mas dessa vez mais positivas.
“Esperem, esperem aí…”
Diz Ddraig fazendo um gesto para que o trio cale a boca. Os jornalistas próximos olham para ele com interesse.
“Vocês três estão elogiando o garoto que foi pego pelo vilão, ao mesmo tempo em que repreendem o garoto que fez seu trabalho para vocês, já que aparentemente vocês quatro são tão incompetentes que um garoto que nem começou na Shiketsu ou na UA teve que fazer isso?!”
-Nenhum de nós conseguiu controlar o vilão. Estávamos esperando que alguém ajudasse!- Disse Death Arms tentando defendê-los.
-E você conseguiu isso na forma das ações de Midoriya. Sério. Ele fez o quê? Jogou um caderno nele e mirou nos olhos? E algo assim não ocorreu a nenhum de vocês? Um de vocês acerta o olho dele e, quando ele está distraído, outro de vocês arranca o garoto?- Ddraig perguntou irritado.
Nenhum deles encontra seus olhos.
“Se Midoriya não tivesse intervindo, e se eu não tivesse chegado Bakugou provavelmente estaria morto agora, já que vocês estavam sendo incompetentes.”
Ddraig disse sem rodeios. Vendo os idiotas tremendo ele continuou:
“Vocês são heróis profissionais. Vocês não podem simplesmente esperar que alguém com poderes mais convenientes faça o trabalho. Midoriya fez mais sem uma individualidade do que qualquer um de vocês fez com suas individualidades.”
Ddraig ignorou o fato de que tudo isso está sendo registrado pelo repórter de aparência quase alegre; ele tem certeza de que tudo o que está dizendo é TV ao vivo agora. Kamui Woods suspirou antes de se aproximar de Izuku e se curvar.
"Garoto, me desculpe por ter sido irracional com você. Embora eu esteja chateado com o quão imprudente você foi, isso não desculpa minha atitude."
Enquanto Izuku se agitava surpreso, Ddraig deu um breve aceno de aprovação antes de olhar de repente para Izuku.
“Falando nisso, por que você correu até lá? Por que você se jogou em perigo assim?”
A poucos metros de distância e tendo ouvido a pergunta, Toshinori Yagi interrompeu sua abordagem, querendo ouvir a resposta como os outros heróis. O próprio Izuku abriu a boca para responder com várias respostas diferentes, mas o que saiu foi:
"Kacchan só... Ele parecia precisar de ajuda e... Minhas pernas estavam se movendo antes que eu pudesse pensar mais..."
Todos ao alcance da voz piscaram com essa resposta antes de Ddraig de repente começar a rir.
"Parecia que ele precisava de ajuda? Suas pernas se moveram antes que você pudesse pensar mais?! Eu estava me perguntando o que você teria a dizer!"
Ddraig parou de rir e colocou as duas mãos nos ombros de Izuku.
“Você será um grande herói no futuro!”
[.]
Após se afastarem da confusão Bakugou olhou para Izuku por alguns segundos antes de se afastar irritado. O rapaz de cabelos verdes apenas suspirou e murmurou pensando para si mesmo:
“Hyoudou-san estava certo… Por mais que eu queira imitar All Might, o Heroísmo da Luz do Dia não funcionará para uma pessoa sem Quirk. Underground é a melhor opção para mim, embora eu realmente queira tentar o trabalho de resgate também. esquerda. Talvez eu devesse…”
"Aí está você."
Izuku saiu do Midoriya Mutter quando a figura blindada de Ddraig caiu do céu, quebrando um pouco o chão.
"D-Ddraig?!"
"Ei! Midoriya, eu realmente… Espere, você provavelmente não me reconhece."
A armadura de Ddraig desapareceu instantaneamente em uma explosão de chamas vermelhas, deixando para trás...
“Hyoudou-san?!”
Issei Hyoudou sorriu para ele.
-Estou bem.- Izuku o tranquilizou.
-Tem certeza?- Issei perguntou duvidoso.
Izuku acenou, mas Issei se manteve por perto apenas no caso. Izuku voltou a pensar na primeira interação de contrapartes. Ele pensou desanimado:
“Fiquei tanto tempo enchendo o saco do Rex quando tinham contrapartes como aquela por aí?”
Aquelas primeiras contrapartes claramente eram inimigas, e a sua claramente era um vilão, pelo que viu. Mas às outras contrapartes… Pareciam que iam desenvolver um relacionamento de mestre e discípulo como ele tinha com All Might.
Kaina fechou o tablet.
“Boa análise de campo, foco, uso controlado de poder… Midoriya, nota alta. Homura, excelente controle elemental e apoio. Hikari mais controle e você será uma ameaça real.”
-Então estou no caminho certo.- Hikari bufou com um sorriso.
[4]
“Lute com determinação, abrace a vida com paixão, perca com classe e vença com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante.”
Augusto Branco
De repente, a porta da sala foi arrombada com dramaticidade exagerada.
“EU ESTOU AQUI… TAMBÉM COMO PROFESSOR!”
All Might surgiu, brilhando como o sol ao meio-dia. Os alunos aplaudiram em animação.
“Hoje vocês farão uma simulação de combate real! Um time de heróis precisa recuperar um artefato perigoso das mãos de dois vilões em um prédio fechado!”
All Might explicou.
“Vocês serão sorteados em duplas!”
O holograma começou a girar. A primeira equipe de heróis apareceu na tela:
→ Izuku Midoriya e Homura Seihai
E os vilões:
→ Issei Hyoudou e Kiana Kaslana
Em sua mente, o espaço espectral dos portadores surgiu. Eles estavam mais ativos do que nunca discutindo como ele poderia usar suas Quirks. Yusuke cruzou os braços, rindo.
“Mandou bem, moleque. Mas você pode ter usar minha energia para acelerar seu fluxo espiritual, dar aquele soco de impacto na hora certa.”
Kotonoha ajeitou o cabelo e falou com calma:
“Você hesitou em liberar as chamas na hora do contra-ataque. Um círculo simples com alquimia do Ed e meu fogo teriam sido perfeitos juntos.”
Serena, com orelhas de Kitsune e um manto branco (como o manto da Kyuubi de Naruto), comentou:
“Sua aura estava instável. Use mais o manto de Kitsune e nunca esqueça dos truques de raposa!”
Wendy Marvell, meiga, mas centrada:
“Você esqueceu que pode usar minha habilidade de suporte para se auto-bufar. Respiração do Céu, Izuku. Aumente sua força antes da troca de golpes!”
Ed Elric, com o clássico casaco vermelho, bufou:
“Você pode transmutar o chão e desequilibrar o oponente ou criar armas.”
Nana Shimura apareceu flutuando com curiosidade. Yoichi, o primeiro, apenas observava com um leve sorriso. De volta ao mundo real Homura perguntou:
“Como faremos isso?”
-Ainda não vi muito dos dois, mas vamos descobrir.- Izuku respondeu com confiança.
[.]
No centro da arena simulada, o ambiente imitava um prédio abandonado com múltiplos andares, corredores apertados, salas cheias de entulho e um brilho vermelho pulsando em uma sala no topo, o "artefato perigoso". A câmera girou com dramaticidade e um holofote se acendeu no andar superior.
“HAHAHAHAA!”
A risada ecoou, profunda e caricata. Das sombras surgiu Issei Hyoudou, com uma capa preta jogada por cima de seu uniforme de treino. Ele havia explicado mais cedo que seu uniforme de herói ainda não estava pronto.
“Vocês acham que podem simplesmente invadir meu santuário e sair vivos?!”
Ele apontou dramaticamente, olhos brilhando de energia e fogo dracônico em mãos. Em seguida disse:
“Kiana, querida… Apresente-se.”
Das escadas, girando com um salto acrobático perfeito, Kiana Kaslana surgiu de braços cruzados e um sorriso debochado, trajando um manto negro por cima do traje de combate. Seus olhos brilharam dourado com arrogância teatral.
“Heróis… Vocês estão atrasados para a destruição.”
Ela estendeu a mão e fez surgir uma pequena esfera que levitou ao seu redor, gerando um zumbido ameaçador. No ponto de entrada, Izuku e Homura observavam com expressão mista de confusão e fascínio. A ruiva sussurrou:
“Eles estão atuando?”
-Sim. Mas eles são mesmo fortes.- Respondeu Izuku.
Ele não pode deixar de comparar com a “atuação” de Tenya na primeira linha de tempo. Logo ele ativa o modo Kitsune, o manto branco com reflexos dourados cobrindo seu corpo, olhos se tornando ferais antes de avançar contra Issei. Ele usou o manto para tentar agarrar o acastanhado que esquivou com um sorriso.
Kiana estava no topo com as pernas cruzadas enquanto Homura subia pelas escadas com os olhos determinados.
“Você… Parece divertida. Vamos ver se aguenta o calor real.”
Com um estalo de dedos, Homura fez cristais de energia rubra surgirem ao redor dela, moldando uma espada flamejante. Ela disparou em linha reta, deixando um rastro de fogo atrás. Kiana sorriu antes de ambas se golpearem.
Issei acertou Izuku na face e o lançando para dentro de uma sala. Izuku ergueu a mão em posição de arma para a surpresa de Issei e disparou um “Leigan” fazendo-o arregalar os olhos, antes de esquivar. Três imagens Izuku surgiram ao redor de Issei, todos falando ao mesmo tempo:
“Quem sou eu?”
“Quem é você?”
“Você já pagou o aluguel, Hyoudou?!”
Dois pilares de rocha atingiram Issei por trás o desequilibrando e então Izuku o atingiu com um chute ascendente, coberto de fogo e vento. Issei quebrou o teto e gritou:
“Venha aqui e lute como um homem!”
-Por que você não desce aqui e luta como uma raposa?- Izuku brincou antes de ir atrás do artefato.
No andar de cima, Kiana e Homura entraram em colisão direta: as duas caíram pelo teto até o centro do prédio, criando uma cratera. Chamas e fragmentos colapsaram ao redor. Homura, arfando, com a lâmina fumegante em mãos:
“Você é durona…”
Kiana, sorrindo com sangue nos lábios, levantando com elegância:
“Você também. Que tal a gente terminar isso no estilo mais destrutivo possível?”
Izuku surgiu entre elas, ofegante, com a aura Kitsune se desativando. Ele ainda não havia se acostumado com todo o poder das novas quirks. Issei vinha logo atrás dele.
Izuku finalmente prestou atenção nos trajes de heroínas de Homura e Kiana. O traje de Homura era bem parecido com o traje de sua contraparte Pyra. Já Kiana usava um bodysuit branco e preto com detalhes laranjas, desenhos de estrelas e duas pistolas.
Issei pareceu notar seu olhar para a albina e rosnou enquanto se punha ao lado dela. A albina deu uma risadinha e acariciou o acastanhado. Izuku então disse tímido:
“Desculpas, sou um Nerd por Quirks e gosto de analisar as mesmas e trajes de heróis.”
-Tudo bem. Desculpas, somos meio possessivos uns com os outros.- Issei disse antes de se acalmar.
-A pior é a Mei-chan.- Kiana disse com uma risada.
O prédio tremia com os impactos enquanto a luta parecia ter dado uma pausa forçada. Kiana estalou os dedos, fazendo girar as duas pistolas em suas mãos antes de colocá-las nos coldres cruzados nas costas.
-Então, qual é o plano, heróis?- Kiana perguntou, sorrindo, ajeitando o manto negro sobre os ombros.
-Vão desistir de tentar pegar o artefato, ou preferem mais porrada?- Issei perguntou com diversão.
Homura ajeitou sua lâmina flamejante no ombro, olhando para Izuku.
“Se formos direto, eles derrubam o prédio com a gente dentro. Isso é um campo de destruição controlada por eles.”
-Então... Separar e conquistar? Você segura a Kiana e eu distraio o Issei?- Izuku perguntou após pensar um pouco.
— “Feito.” — respondeu Homura com um sorriso afiado.
-Awn... Tão fofos e tão ingênuos. Vocês acham mesmo que isso vai funcionar?- Kiana perguntou divertida.
No segundo seguinte, ela saltou com um chute giratório, forçando Homura a erguer a espada em defesa. As duas entraram novamente num duelo de lâminas, fogo e rajadas de energia que faziam os andares do prédio sacudirem. Enquanto isso, Izuku avançou contra Issei, usando espinhos de concreto, rajadas de fogo e pequenos tornados que se formavam nas mãos, tudo isso misturado com o manto Kitsune que ia e vinha, piscando conforme sua energia se exauria.
Issei desviava rindo.
“Sabe, Midoriya...”
Ele saltou, girando e socando uma das rochas que vinha, estilhaçando-a.
“Você tá começando a pegar o jeito, mas...”
Ele desapareceu em um flash de chamas e surgiu nas costas de Izuku, dando-lhe um soco que o lançou através de três paredes.
“Ainda tá muito verde.”
Do meio dos destroços, Izuku levantou tossindo, mas sorrindo.
“Eu nunca... Fui bom em desistir!”
Ativando a Pirocinese, suas mãos se envolveram em chamas azuladas. Ele então fez o gesto de revólver com os dedos e disparou três Leigans seguidos. Issei arregalou os olhos, desviando dos dois primeiros, mas o terceiro explodiu bem na frente dele, lançando o acastanhado contra uma pilastra.
Issei levantou com a fumaça saindo dos ombros, batendo as mãos para limpar.
“...Tá. Eu mereci essa.”
No centro do prédio, Homura e Kiana estavam presas num impasse, as duas ofegantes, com marcas de queimaduras nos trajes e hematomas. De repente, Kiana olhou para o cronômetro no canto da arena.
“Ah... O tempo está quase acabando.”
Ela então apertou um botão no bracelete e um holograma apareceu atrás dela, uma contagem regressiva com “00:05” brilhando em vermelho. Issei arregalou os olhos e gritou:
“Kiana, NÃO ativa o modo autodestruição do prédio!!”
“Relaxa, é só uma simulação!”
Respondeu ela, gargalhando.
-ELA TÁ BRINCANDO, NÉ?!- Izuku exigiu olhando para o acastanhado.
-Eu espero.- Homura respondeu nervosa.
O cronômetro zerou e... BUM! Explosões simuladas sacudiram a arena inteira.
Fumaça, luzes vermelhas e alarmes sonoros dispararam. Quando a poeira abaixou, os quatro estavam deitados, ofegantes, cercados por escombros falsos. Kiana ergueu o punho no ar, sorrindo, deitada no chão:
“Empate?”
Issei, jogado ao lado dela, respondeu com o polegar para cima:
“Empate.”
Izuku e Homura se olharam, cansados, mas sorrindo.
“Empate.”
O quarteto seria obrigado a ouvir um sermão de Iida quando voltaram. Terminou com dois casais dormindo juntos encostados uns nos outros. Ingvild e Hikari os separaram só para ficarem com Issei e Kiana, e Izuku e Homura respectivamente.
[5]
"Qual o seu tipo de mulher? Se eu não gostar da sua resposta, posso te dar uma surra aqui mesmo.”
Aoi Todo - Jujutsu Kaisen
Alguns dias se passaram e Izuku estava contando os mesmos até USJ acontecer. O seu primeiro encontro com Tomura Shigaraki, ou Tenko Shimura, ocorreria em breve e Izuku não tinha intenção de ser gentil. E foi quando lembranças da linha de tempo anterior surgiram em sua mente.
Flash Back On
Diante dele, com expressão que nunca imaginou ver naquele rosto, estava Minoru Mineta. Não o Mineta bobo, cômico, de olhos arregalados. Não. Esse Mineta era diferente, olhar frio, maxilar travado, corpo inteiro tremendo, não de medo…
Mas de raiva.
“Só por curiosidade, Midoriya…”
A voz dele saiu trêmula, mas afiada como navalha.
“Você valorizava a vida do Shigaraki acima das vidas de inocentes?”
Izuku piscou, confuso, nervoso.
“Do que você tá falando…?”
Mineta deu um passo à frente, o olhar perfurando o dele.
“Você arriscou sua vida… Arriscou o mundo inteiro… Arriscou o One For All… Só pra salvar a vida dele!”
Ele gritou, voz embargada.
“E falhou!! SE NÃO TIVÉSSEMOS CHEGADO COM O CHIFRE DA ERI, VOCÊ ESTARIA MORTO!!”
A voz dele ecoou, os punhos tremendo.
“E ISSO SEM NEM MENCIONAR O QUE TERIA ACONTECIDO COM A GENTE… COM O MUNDO!!”
Izuku recuou um passo, o corpo encolhendo como se fosse se enfiar em si mesmo.
“É que… Ele parecia… Precisar de ajuda…”
Ele sussurrou, a voz fraca. Mineta o olhou como se tivesse ouvido a coisa mais absurda do mundo. A raiva nos olhos dele deu lugar a uma frieza cortante.
“Tenho novidades pra você...”
A voz saiu baixa, letal.
“Nem todo mundo aceita ajuda, Midoriya. Nem todo mundo QUER ajuda. E você não pode enfiar redenção na garganta de alguém.”
Houve silêncio. Pesado. Sufocante.
Izuku tentou falar, mas sua voz saiu em um fio.
“Sinceramente, Mineta... naquela época... isso não teria feito diferença pra mim...”
Por um momento, o olhar de Mineta oscilou, surpreso pela franqueza. Mas voltou ao tom duro quase instantaneamente.
“Me responde então, Midoriya...”
Ele apertou os olhos, cerrando os punhos.
“Você brutalizou o Muscular. Quebrou o Overhaul sem piedade. Por que... POR QUE... não deu o mesmo tratamento pro Shigaraki?!”
Silêncio. Izuku não respondeu. Desviou o olhar.
Seus ombros tremeram. O silêncio doía mais que qualquer palavra. O som do presente parecia distante.
Flash Back Off
E que bem tentar oferecer ajuda a Shigaraki fez, não é? Terminou com ele perdendo o OFA, seus amigos se distanciando e ele sendo esquecido por todos. Pelo menos Minoru foi sincero do porquê não o via tanto.
Quantos outros pensavam da mesma forma mas não falaram? Então, uma voz puxou ele de volta à realidade.
“Sabe, Midoriya...”
Começou Yusuke, braços cruzados, expressão séria e direta como um soco.
“Agora me bateu uma dúvida com esse flashback... Por que você não fez com o Shigaraki o que fez com o Muscular e o Overhaul?”
Silêncio. Um silêncio pesado. Até Nana e Serena, que estavam rindo de algo, pararam e olharam, curiosas. Izuku respirou fundo.
“Eu... Eu poderia te dar um monte de respostas bonitas. Poderia falar sobre heróis não matarem, sobre redenção, sobre acreditar que todo mundo merece uma chance...”
Ele apertou os punhos, olhando para o chão.
“Mas... A verdade?”
Levantou o olhar, direto, honesto, até desconfortável.
“Porque ele não tinha prejudicado ninguém que eu conhecia diretamente. Não... Naquela época.”
Yusuke ficou em silêncio, sem expressão por alguns segundos. Então soltou um suspiro, passando a mão na nuca.
“Tsc... Que merda, hein.”
Do lado, Edward Elric, que até então estava quieto, soltou um comentário ácido, mas com aquele tom reflexivo que só alguém calejado tem:
“Isso é hipocrisia, sabe.”
Ele cruzou os braços, olhando de canto para Izuku. Mas era um olhar suave enquanto dizia:
“Mas... Também é só... Ser humano.”
O silêncio que se seguiu foi mais honesto que qualquer discurso. Yusuke, que estava recostado, coçou a cabeça e comentou, meio desconfortável:
“Cara... Isso é pesadamente real.”
Kotonoha, com uma mão no queixo, arqueou uma sobrancelha.
“Sabe... Isso me faz lembrar que, no fim das contas... até os heróis mais certos são só pessoas tentando não quebrar no meio do caminho.”
Wendy cruzou os braços, olhando para Izuku, avaliando. Mas sorriu antes de dizer:
“Sabe, Izuku... Você é mais parecido com a gente do que imagina. E menos com aquele pedestal que colocam em cima dos heróis.”
Izuku abaixou a cabeça, dando um sorriso meio triste.
“É... Eu sei...”
O seu visual tenso se quebrou de repente quando Issei colocou as mãos na cintura, com aquele sorriso travesso que todos que o conheciam temiam, ou amavam.
“Mudando de assunto... Izuku...”
Ele se aproximou, colocando uma mão pesada no ombro do esverdeado.
“Responda-me a algo muito importante... Qual o SEU tipo de mulher? Seja sincero! Corpo e personalidade! Por exemplo, eu gosto de garotas de cabelos longos, de personalidade forte, que possam me dar uma surra... E, se tiverem peitos grandes, é um bônus maravilhoso.”
Do lado, Kyoka rolou os olhos, cruzando os braços.
“Isso explica Kiana e Ingvild...”
Ela murmurou, enquanto as mencionadas não puderam evitar um meio sorriso. Izuku travou. Suor escorreu pela sua têmpora.
"Eu... Ah... Bem... Isso é meio…”
Mas, como um raio, uma lembrança invadiu sua mente. A voz de sua contraparte, firme, decidida, pouco antes dele voltar no tempo:
"Seja assertivo, seu banana!"
Rex não o chamou de banana mas o sentimento estava lá. Engolindo em seco, Izuku fechou os olhos, respirou fundo e encarou Issei.
“Tá... Tá bom... Muito bem...”
Ele disse, mais firme do que esperava.
“Issei... Eu gosto de garotas gentis, leais e fortes...”
Por um segundo parecia que ele ia parar aí, mas então, completamente corado, completou:
“Mas admito que... Se elas tiverem um bom busto... Ou bunda… Eu definitivamente... Não reclamo...”
Silêncio. Seguido por três “PFFFF!!” abafados. Homura tentou disfarçar, mas seu rosto estava vermelho como fogo, tal como seus cabelos.
Hikari arregalou os olhos, levando a mão à boca, enquanto Momo segurava a própria bochecha, claramente tentando processar que o sempre certinho Midoriya tinha bom, esse lado. Issei arregalou os olhos por um segundo, depois sorriu com orgulho, segurando os ombros de Izuku como se ele fosse seu irmão recém-descoberto. Ele gritou:
“ISSO, MEU CAMARADA!! AGORA VOCÊ FALOU COMO UM HOMEM!!”
Ele balançou Izuku de um lado pro outro, gargalhando.
“Você é meu brother agora! A gente precisa fazer um Clube dos Homens de Cultura! Isso, exatamente isso!!”
Kiana, ouvindo de longe, riu.
“Ah... E eu achando que só o Issei-kun era assim.”
Hikari, ainda com as bochechas queimando, desviou o olhar, murmurando.
“Idiota...”
Mas ninguém soube se ela se referia a Izuku, Issei ou a ela mesma por estar sorrindo. Homura apertou o próprio queixo, pensativa, tentando disfarçar o rubor.
“Gentil... Leal... E forte...”
Momo ajeitou a gola, pigarreando, claramente tentando voltar à compostura. Ela sussurrou sorrindo:
“Não esperava mas... Não é... Ruim saber...”
Yusuke cruzou os braços, olhando a cena, e soltou uma risada.
“Bem-vindo ao clube, moleque. A gente te perdoa pelos discursos de pureza.”
Serena só revirou os olhos.
“Homens...”
Mas ela estava sorrindo. Depois da resposta surpreendentemente honesta de Izuku e da explosão de reações constrangidas, Issei esfregou as mãos como quem estava só começando. Ele se virou para seus colegas:
“Muito bem! Já que o Midoriya respondeu como um homem de cultura... Vamos continuar! Homens, é hora de se revelarem! Qual o SEU tipo?”
Primeiro ele se virou para a vítima mais óbvia:
“Minoru!”
O baixinho ajeitou o colarinho, inflando o peito com orgulho. E então respondeu:
“Meu tipo? Peitos grandes, bunda grande, coxas grossas, olhar sedutor e... Uh... Uniforme apertado… Mas também acho fofo quando são tímidas...”
Issei bateu na mão dele como quem fecha um acordo.
“Homem de cultura aprovadíssimo.”
-Sabia que você entenderia, Issei!- Minoru respondeu com olhos brilhando.
-Denki!- Issei exclamou encarando o loiro.
-Cara se tiver um sorriso fofo e for meio maluquinha... Tô dentro.- Denki admitiu coçando a nuca com um sorriso.
-Esse aqui entende! Katsuki!!- Issei disse animado antes de olhar para o mais esquentado da sala.
Bakugo cruzou os braços, revirando os olhos.
“Tsc... Para falar a verdade, acho que ainda não conheci nenhuma garota que eu ache... Sei lá... Atraente...”
Issei colocou a mão na cabeça, fazendo cara de dor.
“MEU DEUS, VOCÊ TÁ PERDIDO NA VIDA!!”
Ele segurou os ombros de Bakugo e o sacudiu.
“Nós vamos consertar isso, irmão, nem que eu tenha que te arrastar pro caminho da cultura!”
Katsuki apenas respondeu com um resmungo explosivo:
“NÃO ME ENCOSTA!!”
-OK… Iida!- Issei disse se virando para o rapaz.
-Eu valorizo moças educadas, responsáveis e organizadas. A virtude e a disciplina são a base de qualquer relação saudável.- Iida respondeu ajeitando os óculos.
Silêncio total. Até as garotas encaram ele com cara de:
“Sério isso?”
-Cara… Que resposta sem graça.- Issei disse com um olhar vazio.
Até Izuku, que geralmente defenderia os colegas, apenas suspirou um pouco desapontado. Issei se virou para o próximo colega:
“Kirishima!”
-Hehe... Eu gosto de mulheres maduras, sabe? MILFs são meu ponto fraco…- O rapaz disse corado e sussurrando um pouco no final.
“AAAAAAAAAAH!!”
Issei agarrou a mão dele, apertando forte.
“HOMEM DE CULTURA SUPREMA! MEU IRMÃO, MEU PARCEIRO!!”
Ele se virou para Shouji. O grandão cruzou os braços.
“Mulheres fortes, de coxas grossas e braços definidos.”
Issei fez um sinal de check com a mão.
“Respeito total. Cultura aprovada.”
-Tokoyami?- Izuku perguntou para o usuário de sombra.
O rapaz corvo apenas tirou o celular, abriu uma imagem e virou a tela. Era Ravena, uma heroína americana, conhecida por ser misteriosa, sombria e absurdamente bonita. Issei ficou em silêncio por três segundos e depois simplesmente acenou com a cabeça.
“Totalmente válido. Gosto do seu gosto.”
Todos os rapazes, e algumas das garotas, acenaram de acordo. Issei se virou para Todoroki:
“Todoroki.”
Shouto pensou por alguns segundos e respondeu, na maior tranquilidade:
“...Alguém que seja gentil e eficiente...”
Silêncio. Issei cruzou os braços, encarando ele. E finalmente disse:
“Cara... Que sem graça.”
-Desculpa?- Shouto respondeu confuso.
Nesse momento, Kyoka explodiu, vermelha de raiva e vergonha:
“VOCÊS SÃO UNS PERVERTIDOS!! SÓ FALAM BESTEIRA!!”
Mas Issei, cruzando os braços, sorriu com aquele brilho no olhar.
“Ah, ah! E pra ser inclusivo... Garotas, QUAL O SEU TIPO DE CARA?”
As meninas congelaram. Momo quase engasgou.
“E-ESPERE, O QUÊ?!”
Homura travou, cobrindo o rosto.
“N-NÃO VALE DEVOLVER A PERGUNTA ASSIM!”
Hikari arregalou os olhos, depois cruzou os braços, encarando o chão.
“Tsc... Que pergunta idiota...”
Mas ela estava vermelha até as orelhas. Kyoka arregalou os olhos, ficou alguns segundos em silêncio e gaguejou:
“E-Eu... Eu não tenho... não... não sei!”
Tooru estava vermelha, ou pelo menos todos achavam que ela estava, e tremendo.
“Aaaaaaah!!! Que tipo de pergunta é essa?!”
Uma voz de fora disse:
“Hmm... Músculos definidos, bom desempenho físico... E disposição pra aguentar minhas invenções 24 horas...”
Todos se viraram para ver uma jovem de cabelos rosados e olhos amarelos. Izuku a reconheceu como Mei Hatsume. Issei piscou surpreso com a garota antes de dizer:
“Respeito.”
Mei então fez sinal de positivo antes de sair. Kiana, assistindo tudo de canto, segurava o riso.
“Isso ficou interessante bem rápido...”
Jiro, tentando manter a compostura, cruzou os braços, desviando o olhar.
“Tsc... Tá... Eu gosto de caras que... Que saibam tocar bem guitarra... Mas também...”
Ela cobriu a boca, ficando cada vez mais vermelha.
“Tenha mãos habilidosas, sabe? E... Braços fortes...”
Ela murmurou baixinho. Mina arregalou os olhos e deu um sorriso malandro:
“Oooooh?! Então nossa querida Jiro curte umas pegadas fortes, é?!”
“MINA!!!”
Jiro quase explodiu, escondendo o rosto nas mãos. Tsuyu, sempre tranquila, piscou.
“Eu gosto de caras práticos, diretos que sejam honestos e saibam quando agir... E se tiverem um corpo tonificado não vou reclamar.”
Ela disse na maior naturalidade. Silêncio. Todos olharam pra ela.
-Que foi? Eu sou direta, kero.- A garota sapa disse.
Kiana cruzou os braços e respondeu sem rodeios, com um jeito despreocupado:
“Hmm... Gosto de caras que sejam corajosos, teimosos, honestos, que nunca desistam dos amigos... E que sejam meio bobões às vezes. E, claro, que tenham um físico forte o bastante pra me segurar quando eu quiser pular no colo dele.”
Ingvild, com um tom mais sereno e um sorriso suave, respondeu:
“Para mim alguém gentil, carinhoso, atencioso... que saiba ouvir, mas que também saiba lutar pelo que acredita. E se ele for bonito... especialmente com um sorriso sincero... ajuda muito. Por isso Kiana, Mei e eu escolhemos bem.”
Ela disse enquanto sorria olhando para Issei.
-Isso explica muita coisa. Bem… Eu gosto de caras com músculos, energia ilimitada, resistência fora do comum e que não se importe de ficar dançando por horas comigo.- Mina disse divertida.
-Olha... Eu gosto de caras engraçados, divertidos, confiantes, que não têm vergonha de dizer o que pensam... Tipo... Você, Issei.- Tooru disse sem rodeios, fazendo todos congelarem.
-Isso é… Surpreendente.- Issei disse surpreso pela primeira vez.
Tooru colocou as mãos atrás das costas, balançando o corpo de um lado pro outro. E olhando para Kiana e Ingvild perguntou:
“Então meninas... Se não se importarem... Eu posso... Entrar nesse relacionamento também?”
Issei ergueu uma sobrancelha e depois olhou para as namoradas. Kiana gargalhou:
“Hahaha! Sério, ela tem coragem! A gente conversa depois pois a Mei precisa saber...”
-Essa é nova... Mas ok.- Ingvild disse com um sorriso.
Então, quando parecia que não dava pra ficar mais intenso, veio o trio bomba. Homura, cruzou os braços e desviou o olhar, extremamente vermelha.
“Alguém determinado, gentil, com coração puro... Que nunca desiste... forte o bastante pra proteger quem ama e...”
Ela apertou o braço.
“Que tenha um sorriso que aqueça meu coração...”
Hikari, do lado, parecia tentar manter a postura, mas estava corando igual.
“Precisa ser confiante... Alguém que me enfrente quando eu tô insuportável, mas que também saiba cuidar... Forte, claro... E... Tá, eu admito... Que tenha um físico bonitão também...”
Momo ajeitou a gola, segurando os próprios braços, completamente vermelha, encarando o chão.
“Gentil... Altruísta... Determinado... Alguém que mesmo quando está caindo em pedaços, continua lutando pelos outros... E que…”
Ela apertou os braços mais forte, como se estivesse tentando não falar, mas escapou.
“E tenha músculos bem definidos... São... Atraentes...”
Silêncio total. Até Issei ficou alguns segundos olhando de um para outro, depois apontou dramaticamente pro Izuku:
“Mas é CLARO que estão descrevendo VOCÊ, Midoriya!”
Denki olhou de um para outro:
“É mesmo...”
Kirishima cruzou os braços sorrindo:
“Nem dá pra fingir que não é.”
Bakugo bufou, cruzando os braços com diversão.
“Tsc... até eu percebi, seu nerd.”
Até Tokoyami murmurou:
“O destino já os escolheu.”
Issei então estendeu os braços e, como se fosse um general dando uma ordem, declarou:
“O que você tá esperando, Izuku?! Satisfaça as damas! Elas basicamente te entregaram o mapa, o GPS e jogaram glitter no caminho!”
Izuku, completamente vermelho, balançava os braços desesperado.
“E-E-E-ESPERA!! E-EU... EU...!!!”
Em sua mente os vestígios gargalhavam com sua atitude.
[6]
"Há três coisas que todos os homens sábios temem: o mar em tempestade, uma noite sem lua e a ira de um homem gentil."
Kvothe - O Nome do Vento
Tomura Shigaraki descobriu não estar tendo um bom dia.
“Isso não faz sentido... NÃO FAZ SENTIDO!!”
Tomura gritava mentalmente, rangendo os dentes e arranhando os próprios braços até sangrar. Tudo deveria ter sido simples. O plano era perfeito.
Separar os alunos, matar alguns, enfraquecer All Might... Mostrar ao mundo a fraqueza do símbolo da paz. Mas desde o momento em que chegaram, algo estava errado.
Kurogiri mal conseguiu abrir os portais e espalhar os alunos quando …
BANG!
Uma bala atravessou sua carcaça etérea, desestabilizando-o. Outras duas logo seguiram. Ele caiu no chão, se debatendo, com falhas constantes em sua forma.
“O QUÊ!?”
Tomura se virou, e lá estava ela... Uma mulher de cabelo roxo, expressão entediada. Lady Nagant.
“Sério... vocês são tão barulhentos... que me deram vontade de trabalhar um pouco.”
Ela comentou, recarregando a arma com munição feita do próprio cabelo. E não parou por aí. De repente, All Might, socou Noumu em alta velocidade.
“EU ESTOU AQUI!!!”
Logo em seguida, Miruko arrebentou o chão em um chute destruidor, lançando vilões pelos ares, enquanto Ryukyu esmagava outros em sua forma de dragão. E o pior... Os alunos.
Eles não estavam com medo, ou pelo menos não tanto quanto deveriam. Estavam organizados. Preparados.
Lutavam como verdadeiros heróis. Tudo graças a um aluno de cabelos verdes. Este que o encarava com toda a atenção.
“ISSO NÃO DEVERIA ACONTECER!!!”
Tomura berrava, vendo o Nomu, sua arma perfeita contra All Might, ser simplesmente destroçado. Ficou claro que eles sabiam. Eles sabiam do plano.
O desespero subiu como uma maré sufocante. Vilões sendo presos, derrotados, esmagados.
“Não... Não... NÃO!!”
Tomura urrava, seus olhos tremendo.
“Se eu não posso ganhar... SE EU NÃO POSSO GANHAR... ENTÃO AO MENOS VOU LEVAR UM COMIGO!!!”
Ele se virou, e viu Homura lutando contra alguns capangas. Sem pensar, ele avançou, a mão estendida, os cinco dedos prontos para desintegrá-la viva.
“SOME, SUA...”
E então...
"NÃO!!"
Uma voz cheia de ódio, fúria e algo além de humanidade rugiu. Algo acertou Shigaraki no estômago com tanta força que seus ossos racharam. Ele foi arremessado, atravessando destroços.
Homura se virou para ver seu salvador. Era Izuku Midoriya. Não o garoto gentil que ela e sua classe conheciam.
Um Izuku furioso. Um Izuku brutal. Izuku apareceu na frente do vilão num instante, puxando-o pela gola e socando-o no rosto, uma, duas, três, dez vezes, sem pausa.
“VOCÊ IA MATAR ELA!! VOCÊ IA MATAR MEUS AMIGOS!!”
Ele urrava, cada golpe trazendo consigo estalos de ossos quebrando.
“VOCÊ É UM MALDITO COVARDE!!!”
Outro soco, outro estalo, outro jato de sangue.
Shigaraki tentava se proteger, mas Izuku segurava suas mãos com força, usando o manto de Kitsune, impedindo-o de ativar a Decadência. O rapaz de cabelos verdes rugia:
“SUA VIDA... SUA VIDA VALE MENOS QUE O LIXO QUE VOCÊ PISA!!!”
O rosto de Shigaraki já estava inchado, os dentes quebrados, sangue escorrendo de cortes e hematomas. E Izuku não parava. Ele não queria mais derrotá-lo.
Ele queria esmagá-lo. Acabar com ele. Exterminar.
Foi tolice tentar “salvá-lo” na última linha de tempo. Tenkomura sempre seria um cachorro louco desesperado para matar alguém.
Teria feito... Se não fosse braços segurando-o por trás.
“MIDORIYA, CHEGA!!”
Gritou Kirishima, puxando-o.
“VOCÊ VAI MATÁ-LO!!”
Berrou Issei, ajudando. Os vestígios gritavam para ele parar.
“IZUKU!! OLHA PRA NÓS!!”
A voz de Homura, aflita, tentando trazê-lo de volta. Izuku, respirando como um animal selvagem, tremendo, apertou mais uma vez a gola de Tomura... Mas aos poucos afrouxou, soltando-o, deixando o corpo inconsciente e destruído cair no chão.
Homura, ainda chocada, segurava o peito, assustada com quão longe Izuku quase foi. All Might, sério, se aproximou.
“Midoriya-Shounen... É o suficiente. Você provou seu ponto.”
Nagant, mastigando uma bala de cabelo como se fosse chiclete, comentou com desdém:
“Ugh... Moleques assim me dão calafrios... Mas confesso, foi satisfatório.”
Shigaraki, inconsciente, afundado numa poça de sangue e saliva, teve um único pensamento antes de apagar:
“Eu... Perdi...?”
[.]
O silêncio era absoluto, quebrado apenas pelo som mecânico das máquinas de suporte de vida. All For One estava sentado, imóvel, enquanto as telas à sua frente mostravam imagens da derrota na USJ. Uma após outra, elas exibiam vilões sendo capturados, o Nomu destruído, Kurogiri rendido e, por fim, Tomura Shigaraki, inconsciente, coberto de sangue e humilhado.
As luzes piscavam, como se o próprio sistema tremesse diante da fúria contida que emanava daquele homem.
"Ridículo."
Sua voz saiu baixa, mas carregada de veneno.
"Absolutamente patético."
O som seco de uma mão metálica se fechando ecoou pela sala.
“Tomura... Ou melhor... Tenko Shimura...”
A voz de All For One ficou ainda mais fria.
“No fim... Ele sempre foi isso. Uma criança quebrada. Um peso. Uma aposta falha.”
O aspirante a Lorde Demônio se levantou, os cabos e suportes se retraindo com rangidos metálicos. Os anos lutando contra os portadores do One For All, e seus aliados, estavam cobrando o seu preço. Mesmo que no final ele tivesse matado os portadores anteriores a All Might eles haviam se certificado, que ele não sairia sem cicatrizes.
“Vocês todos... malditos... vocês todos me tiraram algo.”
Yoichi.
O primeiro. O irmão traidor. Ele segurava uma barra de ferro, e no último confronto…
“AAAAARRRGH!!”
Ele levou seu olho esquerdo. A dor ainda queimava como se fosse ontem.
Edward Elric. O alquimista. Pequeno, insolente...
O som metálico da lâmina transmutada cortando seu braço esquerdo ecoava na memória.
“CORTEI! VÃO!!”
Gritou Ed, dando tempo para sua família escapar. A humilhação de perder para um garoto o assombra até hoje.
Serena Yvonne. A garota doce... Até ele matar quem ela mais amava: Ash Ketchum e Korrina.
Seu grito de dor transformou-se em fúria pura. Ele gargalhava, até que ela avançou com força sobre-humana, esmagando sua caixa torácica com uma mão do seu manto de Kitsune. O estalo dos ossos impossível de esquecer.
Wendy Marvell e Natsu Dragneel. Dois demônios na pele de humanos. O fogo de Natsu queimou sua carne, Wendy impulsionava seus próprios poderes para fortalecer os golpes.
Eles se certificaram de dar a ele muitas queimaduras e ossos quebrados. Garaki gastou bilhões apenas para fazer seu corpo voltar a se mover depois disso.
Yusuke Urameshi, Kazuma Kuwabara, Hiei e Kurama.
O que eles fizeram não foi luta. Foi carnificina.
Ele se lembra de Hiei cortando suas pernas, de Kurama envenenando-o, de Kuwabara quebrando seus braços com pura força, e de Yusuke...
“LEIGAN!”
Um disparo que quase obliterou sua cabeça.
Perdeu quase todos os seus tenentes naquela batalha.
Kotonoha Katsura. Uma colegial. Uma simples colegial.
Ele a caçou por meses, se divertindo com o terror nos olhos dela. Até que ela, encurralada cansou de fugir e lutou, mirando com precisão onde as cicatrizes dos confrontos anteriores ainda doíam. Ele cambaleou.
Humilhado. Por uma garota indefesa. E, por fim…
Os dois que realmente destruíram seu corpo:
Nana Shimura e Toshinori Yagi.
Eles não só o derrotaram.
Eles o apagaram.
Despedaçaram.
Esmagaram cada osso, cada célula. O corpo que agora tinha não era mais humano. Uma colcha de carne, metal, tubos, próteses, respiradores.
Uma aberração ambulante. A raiva tremia em sua voz.
-A única vitória que tive foi viver mais que eles... por enquanto. Desde o começo, talvez, eu apenas tenha me iludido... Achando que poderia transformar entulho em ouro.- A voz dele era como lâminas afiadas.
Garaki não disse nada enquanto All For One fazia monólogos. All For One havia agarrado o garoto porque achou que seria engraçado atormentar All Might transformando o neto de sua mentora em um monstro. Qualquer outra coisa era apenas um bônus, mas ele definitivamente não tinha intenção de ter um sucessor.
Isso exigiria que ele tivesse a intenção de morrer um dia. Garaki foi tirado de seusnl pensamentos quando All For One bateu a mão na mesa, rachando-a.
“Perdi Kurogiri. Perdi meu Nomu de ponta. Perdi dezenas de peças úteis do submundo. E tudo por quê? Por colocar minha fé em um pedaço de lixo emocional, movido a birra e carência.”
-Então o que faremos...?- Garaki perguntou calmamente.
All For One se virou lentamente.
“O que sempre fazemos, Garaki.”
A voz agora estava cheia de uma frieza cruel.
“Ajustar. Adaptar. Evoluir.”
Ele olhou para uma das câmaras contendo Nomus em desenvolvimento.
“Tomura é descartável. Sempre foi. Um brinquedo quebrado. Mas eu... Não dependo de brinquedos.”
Seus olhos brilhavam com ódio.
“Prepare o próximo projeto. Algo superior. E desta vez...”
A máscara pareceu sorrir.
“Sem falhas emocionais.”
[Epílogo]
O som dos grilos preenchia o silêncio. A noite estava calma, mas o peso no ar era palpável. Ambos estavam na praia que Izuku havia limpado em seu treinamento, olhando o mar. All Might, agora na forma enfraquecida, olhava com expressão grave para seu pupilo.
“Jovem Midoriya…”
Sua voz era firme, porém carregada de preocupação.
“Aquele... aquele espancamento. A brutalidade… aquilo não era você. Eu te conheço. Eu te treinei. O que aconteceu?”
Izuku ficou em silêncio por alguns segundos. Seu olhar estava perdido, distante. As mãos trêmulas se apertando
Respirou fundo.
“Sensei... Você merece saber a verdade.”
Sua voz era pesada, sem aquele tom vibrante que sempre carregava. Ele se virou, encarando All Might nos olhos.
“Eu viajei no tempo.”
O símbolo da paz arregalou os olhos, completamente sem palavras.
“No meu futuro… Tudo deu errado, Toshinori. Eu salvei o mundo. Eu... Eu literalmente dei tudo de mim.”
Ele apertava o peito com força.
“E, mesmo assim... Fui esquecido. Apagado. Ignorado. Como se nunca tivesse existido. Todos... TODOS se afastaram. Meus amigos... Pessoas que juraram me apoiar...”
Ele cerrou os punhos, as unhas afundando na palma.
“Só sobraram você, minha mãe… E Melissa. Só vocês se lembraram de quem eu era. Só vocês se importaram. Eu passei 8 anos sozinho. Esquecido. Abandonado.”
E Toshinori só conseguiu ficar em silêncio enquanto Izuku contava-lhe tudo. Tomura Shigaraki, ou Tenko Shimura, se tornando receptáculo de All For One, a guerra contra a Liga dos Vilões e o Exército de Libertação Meta, a morte de Star, desistir do One For All… E no final foi em vão.
Nada realmente mudou. Inicialmente ele não acreditou em tudo, obviamente… Até Izuku dizer coisas que ele ainda não havia contado.
Izuku também falou das diferenças nas linhas temporais como os portadores diferentes do One For All. As gêmeas Seihai, Issei Hyoudou, Ingvild Leviathan e Kiana Kaslana sendo parte da 1A no lugar de outros alunos. Além de Kaina Tsutsumi ser professora e não ser a vilã quebrada que conheceu.
Por fim ele se calou sem fôlego após falar sobre tudo. A mão de Toshinori apertou mais forte seu ombro antes de abraçá-lo. Ele disse sério a Izuku.
“E você não vai carregar isso sozinho nunca mais, entendeu? NUNCA MAIS.”
Izuku retribuiu o abraço.
[.]
O caminho até a U.A. parecia mais longo do que nunca. Izuku caminhava cabisbaixo, o uniforme bem alinhado, mas as mãos tremiam. Ele pensou desanimado:
“Vão me olhar como um monstro...”
Cada passo ecoava como um martelo em sua mente. O medo não era dos vilões, nem da morte. Era do silêncio.
Da rejeição. Do abandono que o futuro lhe ensinou a temer mais do que qualquer cicatriz. Quando passou pelos portões, respirou fundo e então…
“Midoriyaaaaaa!!”
De repente, ele foi puxado para um abraço apertado, ou melhor, um ataque de afeto coletivo. Homura, Hikari e Momo se jogaram num abraço apertado e cheio de carinho.
-Idiota... Não suma assim…- Resmungou Hikari, apertando mais.
-Você não tem que carregar tudo sozinho…- Homura disse, com um sorriso gentil, segurando as lágrimas.
Momo apertou mais forte, apoiando a cabeça no ombro dele.
“Estamos aqui... Todos nós.”
-Você tá bem? Caramba, você destruiu aquele cara, mas também parecia que tava... diferente…- Disse Kirishima, batendo no ombro dele.
E então começaram a se juntar mais colegas… Não. Amigos.
Issei, com um sorriso, colocou a mão no ombro de Izuku e falou, olhando para todos:
“Para heróis, enfrentar vilões é o que fazemos de melhor. Mas quando se trata de culpa, arrependimento ou perda...”
Ele fez uma pausa, olhando diretamente nos olhos de Izuku e o mesmo identificou sentimentos parecidos no olhos do Hyoudou.
“Bem, até os melhores lutam contra isso. Mas não precisamos fazer isso sozinhos.”
O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Pelo contrário. Era um silêncio carregado de entendimento, de irmandade, de algo que ia além de colegas... eles eram uma família.
Izuku piscou, as lágrimas querendo escapar. Pela primeira vez, a voz dentro dele, aquela que gritava que ele estava sozinho, ficou em silêncio. Ele respirou fundo, apertou os braços de Homura, Hikari e Momo e, com um sorriso trêmulo, respondeu:
“Obrigado... a todos vocês. Eu... eu prometo... eu nunca mais vou carregar isso sozinho.”
E naquele momento... não era apenas uma promessa. Era uma verdade.
Fim… Por enquanto.
[Izuku Midoriya vai voltar!]
