Actions

Work Header

In The Dead Of Night I Want To Live With You

Summary:

"Andre queria provar cada pedaço de Cal, acariciar sua pele, sentir as curvas de seu corpo, apreciar sua existência. [...] Andre não era um viado, pelo que ele saiba, mas tem algo em Cal que o faz ficar ansioso, respiração pesada mas o corpo leve, Andre não queria aceitar essa parte de si, pensar sobre segurar Cal em seus braços, passar os dedos entre seus cabelos dourados, segurar Cal para que ele não fosse embora."

Notes:

uuuhhhh é a primeira vez que posto algo aqui, se tiver algum erro de escrita já peço desculpa, normalmente escrevo de madrugada morrendo de sono, não sei oq fala aqui X3
Fiquei com preguiça no final e entrei em desespero então se estiver ruim a culpa não é minha.

Inspiração do título: Everyone Adores You (at least i do) - Matt Maltese

Work Text:

Era uma madrugada de verão, a brisa quente passava pela janela do carro de Andre e beijava o rosto dos dois adolescentes sentados no banco da frente do carro do mais velho, Andre no banco do motorista e Cal no do passageiro. Cal foi dormir na casa de Andre, como ele fazia em todas as sextas feiras, saiam da escola e iam direto pra casa de Andre e se trancavam no quarto, passando a tarde inteira jogando Doom e pegando umas 2 horas pra conversar e planejar as coisas para o Zero Day, pouco tempo para planejar algo grande mas eles não podiam arriscar serem pegos pela mãe de Andre. Depois de jantarem com a família Kriegman e passarem um tempo batendo papo, os pais de Andre decidiram que já estava tarde e iriam dormir, a dupla planeja fazer o mesmo. Subiram para o quarto, Cal ajudando Andre a arrumar o colchão aonde o mesmo sempre dormia quando ficava na casa dos Kriegman, Andre tirando sua camiseta e bermuda cargo ficando apenas de samba canção, Cal não se incomoda, eles já se conhecem a anos, já viram um ao outro sem vestimentas e o calor da noite faria dormir de pijama desconfortável. Cal faz o mesmo, jogando sua camiseta em cima da mochila que trouxe. Andre encara Cal, admirando cada parte de seu corpo, dês de seus braços finos, as costelas levemente marcadas, sua pele branca reluzente na luz de teto amarelada, a curvatura de seus ombros parecendo ter sido feitas a mão de tão delicadas que pareciam ser, a trilha de pelos loiros abaixo do umbigo que levava para seu colo que esta coberto por um samba canção com quadrados azuis, brancos e cinzas, abaixo suas pernas delicadas mas firmes. Andre queria provar cada pedaço de Cal, acariciar sua pele, sentir as curvas de seu corpo, apreciar sua existência. O loiro olhou para Andre, percebendo que o mesmo estava com suas bochechas e ponta das suas orelhas rosadas e com os olhos levemente arregalados, não entendendo o porque o moreno parecia estar tão surpreso de vê-lo sem sua vestimentas comuns, Andre já viu Cal sem camiseta, os dois já nadaram em lagos e piscinas juntos, desde que se conheceram. O que Cal não sabia era que Andre estava lutando o pior monstro que existe dentro de um adolescente com os hormônios na flor da pele, o homossexualismo. Andre não era um viado, pelo que ele saiba, mas tem algo em Cal que o faz ficar ansioso, respiração pesada mas o corpo leve, Andre não queria aceitar essa parte de si, pensar sobre segurar Cal em seus braços, passar os dedos entre seus cabelos dourados, segurar Cal para que ele não fosse embora, beijar ele- Não! Andre estava pensando sobre seu melhor amigo, isso era errado, ele não era uma bichona fraca, ele já beijou garotas antes, já namorou garotas, mas ele pensa como seria namorar Cal, como seria chamar o loiro de seu, poder abraça-lo de forma intima, sem medo de ser xingado de viado pelo mesmo. “ ’Dre,” Cal fala, Andre ainda dentro do seu próprio mundo, fantasiando sobre seu melhor amigo sendo seu namorado. “Andre!” Cal clama, agora tirando Andre de seu mundo. “O que?!” Andre responde, acordando de seu “transe”. “Você ta rosa, tava pensando em quem?” Cal diz entre algumas risadinhas. “Na Rachel?” O mesmo agora debochando de seu amigo, sabendo o ódio que o moreno tem pela garota. “Vai se fuder!” Andre late, fazendo uma expressão de desgosto, tacando seu travesseiro em Cal, o loiro o pegando e tacando-o de volta para Andre que agora estava começando a se deitar em sua cama, esparramado, não querendo que os membros de seu corpo se toquem para não causar nenhum tipo de calor. Cal, se acalmando de sua risada, faz o mesmo, mas deitando com a barriga para baixo, dando o fato de que o mesmo suava mais em suas costas.

---

Andre olhou para os números vermelhos do seu relógio que estava em cima de seu criado mudo, marcando 03:15 da manhã. O moreno se revirava na sua cama, muitas perguntas e poucas respostas passando pela sua cabeça, o calor também não ajudava, fazendo com que qualquer posição que ele virasse uma onda de calor se espalharia pelo corpo o fazendo suar e se sentir sufocado. Andre se perguntava se ele realmente gostava de Calvin, encarando, agora, seu teto, vendo as marcas que mostravam o quão velha sua casa era. O garoto que ele conhece desde o sexto ano, o garoto que sabe todos os seus segredos, o garoto com quem ele já discutiu inúmeras vezes sempre acabavam se entendendo, o garoto com quem ele estava planejando fazer um massacre.

Pensar em Cal desta forma fazia o estômago de Andre se revirar e ele não sabia se eram borboletas ou morcegos. Não sabia se o motivo qual ele não conseguia parar de encarar o loiro era porque ele o amava ou porque ele queria mata-lo.

Andre se levantou, se retirando do quarto aonde os dois dormiam e foi até o banheiro, ligando a luz fazendo com que o mesmo enrugue a raiz do seu nariz, a luz fazendo com que alguns flashs brancos e rápidos cubram sua visão. Quando finalmente sua visão se acostumou com a luminosidade do ambiente Andre ligou a torneira, se inclinou para perto da pia, juntando agua na sua mão e jogando em seu rosto deixando um suspiro de alívio, sentindo a água gelada tocando seu rosto, as gotas escorrendo rapidamente até seu pescoço, o mesmo sentindo um arrepio na sua espinha quando uma gota de água escorreu pela mesma, mas rapidamente esse alívio indo embora e seu rosto começando a ficar quente de novo. Ele desisti de tentar achar alguma forma de se refrescar ou se acalmar. Andre volta para seu quarto, agora sua visão mais escura que o normal, tentando se acostumar com a escuridão repentina, levando um susto com Calvin acordado, sua face era quase invisível, o mesmo sendo apenas uma silhueta preta sendo levemente iluminada pela luz da rua e do luar que entrava pela janela aberta do quarto. “Puta merda Cal!” Andre diz o mais baixo que pode, quase batendo seu cotovelo na batente da porta. “O que 'cê tá fazendo acordado?” Ele pergunta, andando para sua cama e sentando na mesma. “Eu te pergunto o mesmo,” Calvin retruca, Andre não se incomoda em responder, fazendo com que um silêncio preenchesse o quarto por alguns segundos. “Não consigo dormir.” O loiro finalmente responde mas o silêncio voltando para o quarto por alguns minutos, que pareciam ser horas. “Também não,” O moreno diz dando um suspiro profundo “Pensando muito sobre o fato de que daqui a alguns dias nós provavelmente vamos estar com nossos cérebros espalhados pelo chão daquela inferno que chamamos de escola.” Palavras ditas de forma leve, parecendo não ter nenhum peso para Andre mas fazendo o peito de Calvin apertar. Ele estava pronto para o Zero Day, ele estava pronto para ter sua doce vingança que ele sempre quis. Um silêncio ensurdecedor preenchendo o quarto de infância de Andre, Cal não conseguia olhar para Andre, no momento apenas olhando para o lençol do Garfield que Andre pegou para cobrir o colchão onde Cal dormiria. Depois de alguns minutos, que pareciam ser eternidades. “Eu tenho maconha…,” Cal quebra o silêncio, parecendo quebrar a barreira que surgiu entre os dois naquele momento. Cal sempre levava maconha com sigo, junto com seda, piteira e um isqueiro que tinha um adesivo de cobra que ele colou pra deixar com sua “marca”. Cal sempre tinha alguns becks já bolados pra quando ele precisasse se acalmar, esquecer de tudo em sua volta, o mais rápido possível. “Se você quiser… a gente pode ir para algum estacionamento vazio e fumar lá.” O de pele dourada sussurrou, meio apreensivo, sabendo que Andre não fumava tanta maconha quanto o mesmo fumava. Andre fumava, óbvio, mas sempre preferiu um malboro vermelho clássico, já era o bastante para o mesmo se aliviar de algum estresse do dia. Já Cal sempre fumou maconha, pelo que Andre lembre. Calvin começou no segundo ano do ensino médio, quando alguns jocks falaram para ele que aquilo o faria um homem de verdade ou algo do tipo, se Andre lembra bem. Depois disso Andre nunca soube de onde e como Cal conseguia tanta erva, mas sabia que o loiro fumava frequentemente. Antes da aula, no final da aula, quando eles estavam voltando pra casa no carro de Andre, o vento acariciando suas mechas loiras, as fazendo flutuar e refrescando seu rosto.

Andre se surpreendendo com a pergunta repentina de seu amigo. “Claro, porque não.” Diz, soltando um longo suspiro, já lembrando do sentimento de como é estar chapado, ansiando para um alivio temporário.

---

Quando Andre foi perceber ele já estava em seu carro, Calvin ao seu lado, com um dichavador em sua mão, girando a tampa do seu dichavador, triturando a erva que estava ali dentro. Era uma madrugada quente, quente o bastante para o moreno conseguir sentir o suor descendo pela sua espinha, alguns fios de seu cabelo grudando na sua testa. Finalmente depois de, provável, 20 minutos depois eles chegaram aonde eles sempre vão para testar suas armas, para beber, para fugir de todos os pensamentos que eles têm enquanto estão na cidade. Andre olhava os movimentos de Cal como um predador olha sua presa antes de ataca-la. O moreno olhava os movimentos de seu amigo com cuidado, admirando os dedos finos e longos do loiro, vendo como o mesmo bolava o beck com facilidade, o olhar de Andre seguiu a mão de Calvin que chegou perto da sua boca, botando sua língua para fora e dando uma leve lambida na seda bege e depois embolando o fumo. Os cantos da boca do loiro levantou levemente, um sorriso orgulhoso, mesmo que Cal já tivesse bolado inúmeros becks ele ainda se orgulhava quando conseguia bolar um beck um tanto quanto perfeito.

Andre sentiu um embrulho em seu estomago vendo o sorriso do loiro. Andre nunca falaria isso pra ninguem, levaria para seu tumulo, mas achava o sorriso de seu amigo uma das coisas mais divinas já vistas. Se por acaso existisse algum Deus, algum criador de tudo e todos, Calvin definitivamente foi a sua criação mais bela e abençoada, Deus o criou com cuidado, prestando atenção em cada detalhe. O sorriso de Cal iluminava até as noites mais escuras, sua risada acordava algo em Andre que nem o mesmo sabia o que era, mas era algo que ele queria sentir pra sempre, algo que o fazia bem, feliz, calmo, apaixonado.

O moreno “acordou” quando ouviu a voz de seu amigo abafada, percebendo que estava encarando de novo. “Andre, você viu meu isqueiro?” Cal interrompeu os pensamentos de Andre. O moreno piscou rápido e palmeou os bolsos de sua bermuda cargo, aliviado quando sentiu a silhueta de um isqueiro bic, enfiou sua mão dentro de seu bolso, pegou e entregou a Calvin, o mesmo respondendo com um sorriso simples mas simpático. Andre sentiu aquele embrulho em seu estomago voltar, sentiu seu rosto queimar levemente, rapidamente virando-se e olhando para o volante.

Calvin acende o beck, a chama iluminando as mechas loiras da frente do seu rosto, as fazendo parecer uma aréola, brilhante, cegante, extraordinária. Cal traga, a fumaça enchendo seu pulmão, expira, agora o cheiro da droga preenchendo o carro por um breve momento. Sentindo a droga já fazendo seu efeito, se encostando no apoiador de cabeça do banco do carro e fechando os olhos. Estendendo sua mão para Andre, Cal oferece o baseado para seu amigo, que para de olhar para o volante e, com as mão tremulas, pega o beck, levando a parte com filtro para seus lábios e inspirando e expirando. Andre começou a se acalmar por um momento, sabendo que, agora que nenhum dos dois estaria sóbrio o suficiente para pensar racionalmente, ele não teria que se preocupar com suas paranoias e pensamentos que faziam os pelos de sua nuca arrepiarem.

---

A risada dos dois ecoava pela floresta, a bituca do beck estava agora jogada na grama, fumaça ainda saindo dela. Andre e Calvin estavam com seus assentos jogados para traz, quase deitados, Cal com a mão na barriga, tentando diminuir a dor que estava sentindo por estar rindo demais de uma piada que Andre tinha contado que o mesmo nem lembra mais o que era, mas a risada do moreno era tão contagiante que não conseguia parar de rir, não queria. Cal não sabia se era o efeito da droga ou sentimentos que ele sempre empurrou para o fundo da sua cabeça, mas Andre parece mais radiante que ele lembra. O sorriso dele parecia mais radiante, contagiante. Seus olhos mais profundos e cativantes. Seu maxilar mais marcado e mais…beijável.

Cal sempre sentiu algo por Andre, mas sabia que o sentimento não era recíproco. Andre nem sabia que o loiro gostava de homens, na verdade Calvin gostava de um homem. O loiro realmente nunca sentiu nenhuma atração por nenhum garoto, mas quando conheceu Andre, algo dentro da sua cabeça lhe dizia que algo no mesmo estava certo, era certo. Os dois combinavam, tinha as mesmas ideias, os mesmos gostos, era apenas Andre e Cal, Cal e Andre. Apenas.

Os dois, agora em completo silêncio, acalmados da crise de riso, um silêncio preenche o carro, um silêncio confortável, um silêncio que já era constante em momentos aonde só tinhas os dois garotos. Cal relaxa sua cabeça no encosto do banco, fechando os seu olhos que estavam pesados, inspirando e expirando profundamente, apreciando a brisa refrescante que passava.

Andre olhava para Cal, aproveitando que o loiro estava distraído com seus pensamentos, pegando cada detalhe de seu rosto, desde cicatrizes quase invisíveis de espinhas que já foram estouradas, o jeito que a luz do luar refletia brevemente nas mechas loiras que pareciam ondas calmas, seus cílios descansando em sua bochecha e como eles eram femininos, grandes demais para um garoto, Andre pensou.

“Sabe…” Cal começou, quebrando o silêncio que durou minutos que pareciam segundos. “É bom, sentar aqui,” Agora abrindo seus olhos e ajeitando seu pescoço para que ele olhasse para Andre, que estava ouvindo atentamente o que seu amigo dizia. “conversar com você, sobre tudo e nada.” Os olhos de Cal estavam ligeiramente abertos, os vasos sanguíneos expandidos em seus olhos claramente visíveis a olho nu. “Vou sentir saudades disso.” O mais novo murmurou, olhando para Andre, como se o moreno fosse a única coisa existente e importante naquele momento, pois ele era.

O mais velho sentiu seu rosto queimando, torceu para que, mesmo com a pouca luz existente no carro, Cal não conseguisse ver a vermelhidão de seu rosto. “Eu…” Sua voz saindo rouca, devido ao tempo que o mesmo ficou sem falar. Deu uma leve tossida e continuou. “Eu também…” O moreno sentiu-se um mal por dar uma resposta tão simples e curta a algo tão significante . Os dois se encaravam, azul profundo em marrom expresso.

Cal não sabe o que surgiu ou porque isso aconteceu, não sabe se foi o fato de que daqui a alguns meses os dois estariam mortos e sabe que em outra vida não teria essa chance, ou se foi a droga, que empurrou seus sentimentos escondidos a anos, para a frente de seu cérebro e decidiu que se fosse pra ele morrer com 18 anos ele pelo menos teria que beijar o garoto no qual ele sempre foi apaixonado. Colocou sua mão direita ao lado do freio de mão e sua esquerda no ombro de Andre. Seus lábios se encontraram, um beijo rápido, de provável 5 segundos. Cal se afastou, retirando sua mão do ombro do moreno, que os olhos estavam arregalados, Cal procurava por algum sinal de raiva, nojo na face do mais velho.

Andre não conseguiu processar o que havia acabado de acontecer, Calvin Gabriel, o garoto que ele conhece desde o sexto ano, acabou de te beijar. “Cal…” Andre conseguiu falar, mas não terminou sua frase, pois o mesmo colocou sua mão esquerda na bochecha do loiro e o beijou, dessa vez um beijo mais longo, simples, apenas lábio em lábio mas cheio de sentimentos recíprocos. Os lábios de Cal era como Andre havia imaginado, macio, viciante, fazendo com que o interior de Andre pareça vários fogos de artifícios explodindo.

Os dois se separam, pela necessidade de oxigênio, se encaram e começam a rir, nenhum dos dois entendia o motivo, mas sabiam que era a melhor coisa a se fazer naquele momento. Andre olha pra Cal, segura seu rosto com suas mãos e trouxe o rosto do loiro para o seu, lhe dando mais um beijo, mas dessa vez mais profundo. Era um beijo bagunçado, dentes batendo, tirando risadinhas dos dois. Cal coloca sua mão esquerda no pescoço de Andre, aprofundando o beijo, que agora parecia uma dança, a língua dos dois em uma sintonia, uma dança coreografada, como se os dois foram feitos um para o outro.